“Uma das controvérsias na área da Inteligência Artificial é a tensão entre desenvolvimento e segurança.”

 “Uma das controvérsias na área da Inteligência Artificial é a tensão entre desenvolvimento e segurança.”

No InfoCLACSO de 31 de julho, intitulado "A Inteligência Artificial é benéfica para a humanidade?", Flávia Costa, pesquisadora do Conicet, da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Superiores da Universidade de San Martín (UNSAM), na Argentina, conversou com CLACSO.tv.

Referindo-se às várias controvérsias em torno da Inteligência Artificial, o pesquisador observou: “Não acredito que o risco existencial seja uma falsa controvérsia. Acredito, sim, que existe uma controvérsia muito interessante, e bastante incomum para nós, que é a de que a indústria internaliza a discussão. Ela não a deixa na sociedade civil; ela a traz de volta. Essa é uma questão importante para nós como cientistas sociais, porque não somos a sociedade civil, somos a ciência.”

A este respeito, Costa acrescentou que o desenvolvimento da Inteligência Artificial "está a combinar dois vastos universos de conhecimento: a forma de sintetizar a interação social. Isto requer especialistas em ciências sociais, porque sabemos muito sobre elas. Os especialistas em engenharia sabem outras coisas, mas sabem menos sobre estas. Penso que precisamos de trabalhar em conjunto para pensar nestes problemas."

Além disso, ele apontou outra controvérsia importante, que “é a tensão entre desenvolvimento e segurança. E, sobretudo, que tipo de desenvolvimento, porque existe o desenvolvimento corporativo e competitivo, que também faz parte do desenvolvimento geopolítico da defesa, o qual por vezes nos impulsiona para uma corrida sem as salvaguardas necessárias. Portanto, é aí que temos de estar muito atentos (...). Temos de nos capacitar rapidamente, de nos alfabetizarmos rapidamente. Temos de avançar rapidamente para estarmos em sintonia com o debate público nas suas diferentes escalas. O debate público a nível macro, sobre IA aberta, sobre risco existencial, não é o mesmo que a nível meso, que hoje, curiosamente, é o Estado-nação. Costumávamos imaginar os Estados como macro, mas hoje são meso. As decisões estatais a nível regional, como na América Latina, não podem ser aplicadas a muitas das discussões que ocorrem a nível macro. E, por fim, o nível micro consiste em implementações ou desenvolvimentos locais para soluções locais.”

Entrevista concedida a Gustavo Lema.


Diploma Avançado em Inteligência Artificial e Ciências Sociais: Desafios Teóricos e Epistemológicos


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