O longo caminho para mudar o sistema nacional de avaliação da pesquisa no Uruguai.

 O longo caminho para mudar o sistema nacional de avaliação da pesquisa no Uruguai.

A FOLEC-CLACSO recomenda a leitura do artigo “O longo caminho para mudar o sistema nacional de avaliação da pesquisa no Uruguai.", escrito por Natalia Gras e Judith Sutz e publicado por DORA (Declaração sobre Avaliação de Pesquisa) 13 de maio de 2026. O texto analisa o processo complexo e prolongado de discussão sobre a avaliação da pesquisa no UruguaiEste estudo demonstra como os sistemas baseados em métricas e critérios quantitativos moldaram a vida acadêmica por décadas, especialmente em contextos periféricos. Com base em pesquisa empírica, consultas nacionais e debates interinstitucionais, os autores reconstroem tanto a resistência à mudança quanto as possibilidades abertas pelas discussões contemporâneas sobre avaliação responsável, impulsionadas internacionalmente pela DORA e outros atores.

O artigo também oferece um diagnóstico particularmente relevante para a América Latina a respeito dos efeitos da avaliação acadêmica focada em indicadores bibliométricos, rankings e produtividade contínua. Gras e Sutz demonstram como essas dinâmicas levam à invisibilidade de tarefas fundamentais — como ensino, desenvolvimento institucional, trabalho colaborativo, engajamento comunitário e apoio acadêmico — e geram pressão crescente sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos pesquisadores. O artigo situa esses problemas no contexto das relações centro-periferia no sistema científico global, destacando como, nos países periféricos, a legitimidade acadêmica permanece fortemente associada a modelos, periódicos e indicadores definidos pelo Norte Global, mesmo que esses mesmos modelos estejam sendo questionados nos países centrais.

Uma das principais contribuições do texto é mostrar como, por meio de pesquisas nacionais, seminários públicos e fóruns interinstitucionais de debate, um consenso crescente começou a surgir no Uruguai em favor da transformação da avaliação acadêmica. Esse processo culminou na formulação do “Quinze acordos sobre avaliação de pesquisaEsses acordos, desenvolvidos coletivamente por universidades, organizações científicas e instituições nacionais, propõem priorizar critérios qualitativos, reconhecer a diversidade das atividades acadêmicas, incorporar perspectivas de gênero e contextuais, valorizar o trabalho colaborativo e considerar a relevância social do conhecimento. Promovem também inovações concretas, como a incorporação de currículos narrativos concebidos para avaliar não apenas produtos, mas também processos, trajetórias e contribuições institucionais e sociais.

Nesse sentido, os “Quinze Acordos” representam provavelmente uma das expressões institucionais mais avançadas de avaliação responsável na América Latina e estão em profundo diálogo com o «Manifesto de Bogotá» de FOLEC-CLACSOEmbora o acordo uruguaio operacionalize, em nível nacional e institucional, muitos dos princípios defendidos pelo Manifesto — como a crítica ao produtivismo, a contextualização da avaliação, o reconhecimento da diversidade de contribuições e a relevância social do conhecimento —, o Manifesto oferece o horizonte político, epistemológico e regional mais amplo que nos permite compreender a necessidade histórica dessas transformações. A relação entre os dois documentos é profundamente complementar: um funciona como um roteiro situado e concreto para a reforma das práticas e instituições avaliativas; o outro, como um horizonte estratégico para a democratização da ciência e a construção da soberania cognitiva na América Latina e no Caribe. Recomendamos também a leitura do documento completo «Quinze acordos sobre avaliação de pesquisa", uma referência central para os debates contemporâneos sobre avaliação acadêmica na região.