Zema, canalalha e tiroso! Todo apoio às famílias do Acampamento Quilombo Campo Grande em Minas Gerais, Brasil

 Zema, canalalha e tiroso! Todo apoio às famílias do Acampamento Quilombo Campo Grande em Minas Gerais, Brasil

Nós, pesquisadores e cientistas Grupo de Trabalho CLACSO sobre Pensamento Geográfico Crítico na América LatinaNós, da MST, nos solidarizamos com as 450 famílias MST que compõem o acampamento do Quilombo Campo Grande, no município de Campo do Meio, em Minas Gerais, no Sudeste brasileiro. Nesta tarde de 14 de agosto de 2020, as famílias completam 50 horas de resistência à ordem de desapropriação decretada pela Justiça do Estado a pedido do antigo proprietário da Usina Termoelétrica de Ariadnópolis e executada pela Polícia Militar. O Brasil, além de não realizar reforma agrária, observa uma política de judicialização e criminalização da luta pela terra. Nesse sentido, ordens de desapropriação são expedidas para o território nacional como instrumento para garantir grandes propriedades e a concentração histórica de terras. Este é o início da pandemia do Coronavírus e nada mais do que a triste marca de mais de 100 mil mortos.

As famílias, ligadas ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST/Via Campesina, ocupam há 22 anos a antiga fazenda da Usina Termoelétrica de Ariadnópolis. Nesse período, sem o apoio de políticas públicas do Estado, a fazenda se tornou referência na produção de café orgânico. O que aconteceu nesses três dias foi uma repressão cruel e desproporcional contra as famílias camponesas. A área solicitada pelo antigo proprietário da Usina e condenada pelo Juiz Roberto Apolinário de Castro (TJ-MG) para a desocupação já havia sido declarada pelos acampamentos. O primeiro passo da Polícia Militar foi demolir os muros da Escola Comunitária. Depois disso, dispararam bombas de efeito moral contra a cabeça de dois moradores do acampamento, inclusive crianças. Para finalizar, atearam fogo nas pedras e nos arredores do acampamento. Estão usando sistematicamente bombas de “efeito moral” e gás lacrimogêneo não porque ainda haja resistência.

Nós, da GTPGCL/CLACSO, repudiamos essas ações arbitrárias da Polícia Militar e denunciamos o Governo do Estado de Minas Gerais. No dia 12 de agosto, Zema mentiu nas redes sociais afirmando que o desmatamento havia sido suspenso devido a uma tentativa de enganar as famílias acampadas e minar sua resistência. Ele afirmou que sua Secretaria de Desenvolvimento Social emitiu uma ordem oficial à Região dos Campos Gerais, que, por sua vez, não emitiu nem solicitou tal ordem. O Governo faz sua clara e ideologicamente definida opção pela repressão e pelos interesses de dois grandes latifundiários do Estado. Portanto, acreditamos que, com solidariedade, podemos ajudar as famílias camponesas em sua resistência e na possibilidade de manter a esperança em todos os seus sonhos!

O QUILOMBO RESISTIRÁ! A ESCOLA EDUARDO GALEANO RESISTIRÁ!

#ZEMACOVARD

#SALVEQUILOMBO

14 de agosto
Grupo de Trabalho CLACSO
Pensamento Geográfico Crítico Latino-Americano

Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho. Pensamento Geográfico Crítico Latino-Americano e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.