Transformando normas e estereótipos de gênero: masculinidades, cuidado e prevenção da violência na América Latina e no Caribe

 Transformando normas e estereótipos de gênero: masculinidades, cuidado e prevenção da violência na América Latina e no Caribe

REGISTRO

Fundo

O Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e a ONU Mulheres têm promovido diversas iniciativas conjuntas nos últimos anos com o objetivo de fortalecer a produção de conhecimento sobre igualdade de gênero e o direito ao cuidado. Dando continuidade a essa agenda e com base no trabalho desenvolvido na Plataforma de Diálogo Social sobre Cuidado e na Plataforma de Diálogo Social sobre Direitos, Violência e Igualdade de Gênero, ambas promovidas pelo CLACSO, as duas instituições lançam uma nova chamada de pesquisa focada em... transformação das normas e estereótipos de gênero e sua relação com masculinidades, a organização social do cuidado e pela Prevenção e combate à violência contra as mulheresO recente Parecer Consultivo OC-31/25 A Corte Interamericana de Direitos Humanos reforça essa abordagem ao enfatizar que os estereótipos de gênero “São prejudiciais quando contribuem para perpetuar padrões históricos de discriminação.”e vinculando a obrigação do Estado de modificar padrões socioculturais com o dever de combater papéis estereotipados que legitimam ou exacerbam a violência contra as mulheres, de acordo com a Convenção de Belém do Pará (art. 8.b).

Na América Latina e no Caribe, o campo do trabalho de cuidado tornou-se uma área fundamental para a compreensão de como as desigualdades de gênero e os estereótipos que sustentam a divisão social do trabalho operam e são reproduzidos. A atribuição quase exclusiva de tarefas de cuidado às mulheres não apenas reflete uma organização social injusta, mas também expressa normas e imposições de gênero profundamente arraigadas que naturalizam a subordinação feminina e excluem os homens das responsabilidades diárias de cuidado.

Contudo, as reflexões sobre o papel dos homens e das masculinidades nesse contexto têm recebido menos atenção, apesar de sua importância estratégica para a promoção de transformações culturais mais amplas. As evidências disponíveis demonstram que a masculinidade patriarcal, entendida como um conjunto de normas sociais de gênero opressivas, influencia tanto a organização do trabalho de cuidado quanto a legitimação de práticas de controle, desigualdade e violência. Nesse sentido, avançar em direção a masculinidades corresponsáveis ​​e cuidadoras não apenas amplia as possibilidades de reorganização social do trabalho de cuidado, mas também constitui um eixo central para desafiar estereótipos de gênero, transformar normas sociais e prevenir diversas formas de violência de gênero. 

Este edital busca contribuir para este campo problemático do conhecimento por meio de estudos que aprofundem dois possíveis eixos e subeixos: o primeiro deles "Mudanças nas normas e estereótipos de gênero em relação à sociedade do cuidado: Políticas e iniciativas para o avanço de masculinidades corresponsáveis.Este projeto propõe investigar as práticas, os significados, as trajetórias de vida e os fatores estruturais que influenciam a participação dos homens — ou a sua ausência — no cuidado. Isso envolve explorar o cuidado não apenas como uma atividade, mas também como um direito humano autônomo que diz respeito aos homens; analisar as tensões entre as obrigações masculinas e a responsabilidade social compartilhada pelo cuidado; e examinar as interseções entre gênero, classe social, etnia, território, idade, orientação sexual, identidade de gênero e outros fatores que moldam diversas experiências. Busca também promover pesquisas que examinem políticas públicas, estratégias institucionais e ações comunitárias voltadas para o fomento de masculinidades corresponsáveis. Isso inclui iniciativas que transformam normas sociais, políticas sobre paternidade compartilhada, iniciativas abrangentes de saúde e bem-estar, estratégias de comunicação que desafiam estereótipos de gênero, políticas trabalhistas relacionadas ao cuidado e à licença, bem como experiências inovadoras na participação masculina em serviços de cuidado remunerados. 

Um segundo foco desta Chamada de PropostasNormas, estereótipos e imposições da masculinidade na prevenção e abordagem da violência de gênero sob uma perspectiva de cuidado. Esta área de pesquisa visa aprofundar a compreensão da relação entre normas, estereótipos e mandatos da masculinidade e a violência de gênero, com foco tanto na sua prevenção quanto na sua gestão a partir de uma abordagem baseada no cuidado. Propõe-se analisar como a masculinidade patriarcal (expressa em estereótipos associados ao controle, à dominação, à provisão exclusiva e à negação do cuidado) contribui para a reprodução de diferentes formas de violência contra a mulher, bem como as tensões e transformações que emergem de masculinidades alternativas e corresponsáveis. Esta área também contempla pesquisas sobre políticas públicas, campanhas, estratégias comunitárias e experiências voltadas para a transformação de normas e estereótipos violentos, juntamente com intervenções direcionadas a homens que perpetraram ou estão perpetrando violência, como parte de políticas de cuidado e prevenção da reincidência. Esta análise inclui ainda as metodologias e lições aprendidas com essas abordagens, o cuidado exigido das equipes profissionais envolvidas e os impactos da violência econômica (particularmente a falha no cumprimento das responsabilidades de cuidado) nas dinâmicas familiares e comunitárias. Por fim, inclui uma análise das normas e estereótipos masculinos em ambientes digitais.

Com base na identificação dessas áreas, esta Chamada propõe dois eixos temáticos como estrutura orientadora para a construção de propostas de pesquisa rigorosas e situadas, visando fortalecer a compreensão de políticas e iniciativas que buscam romper com os ciclos de discriminação e violência baseados em estereótipos de gênero tradicionais e desconstruir a masculinidade patriarcal em relação ao cuidado e à prevenção da violência contra mulheres, meninas e adolescentes na América Latina e no Caribe. 

EIXO 1: Mudanças nas normas e estereótipos de gênero em relação à sociedade do cuidado: Políticas e iniciativas para o avanço de masculinidades corresponsáveis

Subtemas: masculinidades e cuidado como um direito humano autônomo; corresponsabilidade social e de gênero dos homens na organização social do trabalho de cuidado; masculinidades e cuidado no ciclo de vida dos homens; masculinidades, cuidado e interseccionalidade; participação dos homens em sistemas abrangentes e serviços públicos de cuidado; políticas institucionais, comunicacionais, narrativas e de defesa comunitária para a promoção de masculinidades corresponsáveis ​​e cuidadoras; políticas públicas e institucionais voltadas para a transformação das normas sociais de gênero e masculinidade com foco no cuidado (saúde integral, mental e sexual; paternidade corresponsável; bem-estar digital; abordagens ao uso problemático de substâncias); políticas de trabalho de cuidado e licença parental em organizações empregadoras; formação, profissionalização e integração no mercado de trabalho de homens em trabalho de cuidado remunerado; masculinidades e cuidado em contextos extraordinários (emergência humanitária, crise ambiental, mobilidade humana, contextos de confinamento, etc.).

EIXO 2:  Normas, estereótipos e imposições da masculinidade na prevenção e abordagem da violência de gênero sob uma perspectiva de cuidado.

Subtemas: Construção e reprodução de estereótipos masculinos (controle, dominação, provisão exclusiva, negação de cuidado) e sua ligação com diferentes formas de violência de gênero; tensões entre masculinidades hegemônicas, alternativas e emergentes sob a perspectiva do cuidado; políticas públicas, campanhas, estratégias comunitárias e experiências voltadas para a transformação de estereótipos violentos e a promoção de masculinidades corresponsáveis, afetuosas e não violentas; atenção aos homens que perpetraram ou estão perpetrando violência de gênero como política de cuidado; metodologias, abordagens e lições aprendidas; cuidado prestado pelas equipes profissionais envolvidas; descumprimento do pagamento de pensão alimentícia e outras formas de abandono como expressões de violência econômica e resistência à corresponsabilidade no cuidado; análise de normas e estereótipos masculinos em ambientes digitais e estratégias preventivas para lidar com assédio, bullying e outras formas de violência online.

REGRAS DO EDITAL DE CANDIDATURAS

  • As informações fornecidas no formulário de inscrição são consideradas uma declaração juramentada.
  • Espera-se que as candidaturas sejam coletivas (equipes de 3 a 5 membros).
  • Pelo menos um dos membros da equipe candidata deve manter vínculos credenciados com um Centro Membro da Rede CLACSO.
  • Caso o projeto seja selecionado, a equipe deverá apresentar uma carta de apoio assinada pela mais alta autoridade do Centro Membro ao qual a proposta está vinculada.
  • Caso os candidatos sejam afiliados a um centro membro da CLACSO, o centro não poderá ter nenhuma taxa de associação pendente para o ano de 2025.
  • A composição da equipe deve respeitar a paridade de gênero. Espera-se que as equipes sejam intergeracionais, integrando pesquisadores de diversas origens e experiências.
  • As equipes devem ser compostas por pesquisadores qualificados, ou seja, aqueles que possuem mestrado, doutorado ou equivalente, e histórico acadêmico comprovado; e pesquisadores em formação, ou seja, aqueles que estão cursando mestrado/doutorado ou já possuem um diploma.
  • Propostas de pesquisadores que já sejam bolsistas ou beneficiários de outros editais de pesquisa, bolsas de estudo ou projetos organizados pela CLACSO não serão aceitas. Serão aceitas candidaturas de pesquisadores que já tenham sido selecionados em um edital de pesquisa da CLACSO, desde que o contemplado tenha cumprido todas as obrigações dentro do prazo estipulado.
  • Membros do Comitê Diretivo, funcionários da Secretaria Executiva da CLACSO ou funcionários da ONU Mulheres não podem participar.
  • Cada pesquisador poderá participar com apenas uma proposta nesta Chamada.
  • Para registrar a proposta de pesquisa, a equipe deve selecionar um de seus membros como responsável pelo registro do projeto; essa pessoa deve abrir o formulário e incluir os demais membros da equipe.
  • Caso o projeto seja premiado e seja necessário viajar, os vencedores serão responsáveis ​​por cobrir os custos do seguro saúde ou despesas similares.
Serão apoiados até 5 projetos. O montante do apoio será composto por: EUA dollar 6.000 (seis mil dólares) para cada proposta selecionada. A pesquisa proposta será realizada em um período máximo de 5 (cinco) meses. As bolsas serão pagas em parcelas via transferência bancária para o representante designado no momento da inscrição. As equipes selecionadas trabalharão com o apoio de tutores designados pela CLACSO, que acompanharão o processo de pesquisa e os resultados. A CLACSO e a ONU Mulheres publicarão os produtos finais em mídia impressa e/ou digital, dando-lhes ampla publicidade e divulgação pelos canais que considerarem apropriados. Se necessário, os pesquisadores serão solicitados a fazer as adaptações e ajustes necessários para que a pesquisa resultante possa ser publicada em diversos formatos. Os autores transferirão os direitos autorais originais de seus trabalhos, visto que a CLACSO e a ONU Mulheres aderem e defendem os princípios da ciência aberta e do acesso aberto ao conhecimento, de modo que o trabalho resultante seja de fácil localização, acesso, interoperabilidade e reutilização. Posteriormente, o trabalho poderá ser publicado em qualquer outro meio, sempre citando esta Chamada de Propostas. Os pesquisadores devem informar a CLACSO sobre a publicação subsequente dos trabalhos resultantes da pesquisa.
  • Projetos de pesquisa já concluídos não serão aceitos. As propostas podem estar vinculadas a processos de pesquisa em andamento, mas os trabalhos finais devem ser originais, inéditos e desenvolvidos dentro do prazo estabelecido na chamada de propostas.
  • Serão aceitos textos escritos nos quatro idiomas mais utilizados na América Latina e no Caribe (espanhol, português, inglês e francês), dependendo do país de origem da proposta.
  • As propostas devem ser enviadas ao sistema de inscrição, preenchendo o formulário que aparece após o preenchimento dos dados pessoais e acadêmicos dos membros da equipe de pesquisa.
  • Na primeira fase, as propostas submetidas serão analisadas quanto aos seus aspectos formais e administrativos, a fim de garantir a sua conformidade com as regras do concurso. As propostas que não cumprirem os requisitos estabelecidos serão rejeitadas.
  • As candidaturas que passarem para a próxima fase serão avaliadas por um Comité Internacional composto por especialistas que irão avaliar a qualidade e a relevância das propostas, as quais serão submetidas sob pseudónimo.
  • O concurso poderá ser anulado ou um número menor de projetos poderá ser selecionado, caso as propostas apresentadas não atendam aos requisitos de qualidade e consistência.
  • Situações não contempladas neste documento serão resolvidas pela instituição convocante.
  • A decisão será irrevogável e não caberá recurso.
  • Os projetos de pesquisa desenvolverão seu plano de trabalho entre abril de 2026 e setembro de 2026. Este plano será implementado com a orientação de tutores designados pela CLACSO.
  • Os relatórios de progresso e finais submetidos pelos pesquisadores serão avaliados pelos tutores.
  • Os produtos finais a serem entregues serão, no mínimo, dois:
  1. Capítulo para um livro colaborativo. O capítulo deve ter entre 12.000 e 15.000 palavras (excluindo apêndices e bibliografia), em fonte Times New Roman, tamanho 12, com espaçamento simples. Este é um guia aproximado de extensão, e a CLACSO e a ONU Mulheres reservam-se o direito de fazer revisões ou exceções, se necessário. Além disso, após o envio, a CLACSO e a ONU Mulheres poderão solicitar ajustes e alterações aos pesquisadores para garantir que os capítulos finais da pesquisa atendam aos critérios institucionais para publicação. A estrutura do texto é flexível, respeitando as convenções da escrita acadêmica e as diretrizes editoriais da CLACSO, bem como o estilo APA e as considerações de gênero.
  2. Resumo Executivo. Um documento conciso e publicável que resume as principais conclusões e recomendações da pesquisa.
  • Serão aceitos textos escritos em espanhol e português, dependendo do país de origem da proposta.
É obrigatório que a inscrição seja feita através do sistema de inscrição online disponibilizado pela CLACSO. Inscrições impressas e enviadas por e-mail não serão aceitas. Recomenda-se acessar o sistema online para consultar o formulário de inscrição.
  1. Acesse o site da CLACSO orgO sistema de inscrição online estará disponível a partir de 2 de fevereiro de 2026.
  2. Cadastre-se no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC). O nome de usuário e a senha gerados serão necessários sempre que você desejar acessar o sistema para consultar, modificar, adicionar ou enviar informações para esta ou qualquer outra atividade da CLACSO. Os candidatos que fazem parte de propostas coletivas devem abrir uma única forma Isso incluirá todos os pesquisadores da equipe. Um dos autores também deverá ser designado como responsável pelo registro. Essa mesma pessoa receberá o prêmio monetário correspondente caso a proposta seja selecionada pelo júri.
  3. Identifique a proposta indicando o título e o pseudônimo do(s) candidato(s). Candidaturas com pseudônimos que correspondam ao nome e/ou sobrenome do(s) candidato(s) não serão aceitas. Após o preenchimento dos campos correspondentes, o sistema permitirá o envio dos dados subsequentes.
  4. Os candidatos devem indicar sua afiliação institucional a um Centro Membro da Rede CLACSO no formulário de inscrição. A lista atualizada dos centros membros pode ser encontrada em: https://www.clacso.org.ar/clacso/centros_miembros_clacso/inicio.php.
  5. Complete a forma dados pessoais e acadêmicos Anexe o currículo em formato livre; a cópia digital do documento de identidade, passaporte ou carteira de identidade; a cópia digital do diploma acadêmico mais elevado obtido (ou comprovante de conclusão do curso) e a fotografia.
  6. A proposta deve ser preenchida no formulário que aparece após o preenchimento dos dados pessoais e acadêmicos.
  7. Após o encerramento do cadastro, o sistema gerará um certificado eletrônico de recebimento que servirá como comprovante de inscrição.

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Prazo de inscrição: 2 de março de 2026
Os vencedores serão anunciados em 27 de março de 2026.
Implementação do projeto: abril de 2026 a setembro de 2026
Entrega do relatório final: 7 de setembro de 2026


Os resultados serão publicados no site da CLACSO. Os vencedores serão contatados por e-mail.

Consultas: [email protected]