Trabalho, capitalismo, democracia: tensões e horizontes
Seminário 2125
CadeiraCLACSO
Coordenação: Miguel Urrutia Fernández (Departamento de Sociologia, Universidade do Chile) e Sebastián Pérez Sepúlveda (Université Paris Dauphine, França)
Equipe de ensino: Miguel Urrutia (Departamento de Sociologia, Universidade do Chile) Sebastián Pérez Sepúlveda (Institut de recherche interdisciplinaire en sciences sociales, IRISSO, Université Paris Dauphine – PSL) e Silvia Lamadrid (Departamento de Sociologia, Universidade do Chile)
Início: 30/06/2021 | Inscrição: 26/03/2021 a 29/06/2021
Carga horária: 12 semanas – 90 horas.
Os desafios sanitários, sociais, econômicos e políticos da crise contemporânea trouxeram à tona, com particular urgência, as antigas tensões entre a devastação causada pela ordem capitalista e as frágeis instituições democráticas. Na América Latina, essas tensões se entrelaçam com o ressurgimento da mobilização popular que, com seu contexto histórico e clivagens singulares, desafia as restrições neoliberais e as tendências autoritárias da gestão institucional da crise, sem, contudo, oferecer uma visão alternativa para a sociedade.
Buscando desafiar as perspectivas hegemônicas que reduzem a política ao Estado e a solução da crise a arranjos institucionais específicos, o seminário propõe examinar a relação entre capitalismo e democracia a partir da perspectiva do trabalho e de seus sujeitos. Entendemos o trabalho, em seu sentido mais amplo, como uma dinâmica produtiva e reprodutiva, não apenas como chave para desvendar as vicissitudes da acumulação capitalista e da dominação patriarcal, mas também como uma experiência prática que abriga horizontes emancipatórios e contribui para a imaginação democrática.
Dessa forma, por meio de uma discussão analítica abrangente sobre o pensamento crítico latino-americano e europeu, o seminário busca gerar as ferramentas teóricas necessárias para dar conta das tensões e horizontes que atravessam os diversos mundos do trabalho no âmbito da atual crise da ordem contemporânea.
OBJETIVO GERAL
O objetivo geral do seminário é desenvolver uma discussão analítica sobre a relação entre capitalismo e democracia a partir da perspectiva específica do trabalho, por meio de um amplo diálogo entre perspectivas teóricas e experiências europeias e latino-americanas, buscando gerar ferramentas conceituais para a análise crítica das tensões e horizontes democráticos que atravessam os mundos do trabalho.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Questionar o lugar do trabalho e seus sujeitos em alguns desenvolvimentos teóricos fundamentais, tanto na Europa quanto na América Latina, referentes à relação entre capitalismo e democracia, particularmente alguns aspectos do materialismo histórico, da democracia industrial e da teoria da dependência.
2. Problematizar algumas perspectivas que se posicionaram como dominantes na análise crítica do trabalho na ordem capitalista, particularmente algumas versões da biopolítica de Foucault focadas na crítica da gestão contemporânea, a partir da experiência concreta do trabalho na América Latina.
3. Explore algumas posições e caminhos teóricos contemporâneos que, a partir da América Latina e da Europa, atualizaram uma crítica ao capitalismo contemporâneo, possibilitando alguns aspectos democráticos de uma conceitualização ampliada do trabalho.
4. Analise algumas experiências específicas de trabalho na América Latina com base nos temas discutidos acima. Por um lado, aquelas que constituíram verdadeiras experiências democráticas ao proporem o controle operário sobre os processos de produção. Por outro lado, aquelas que, em decorrência da pandemia, levaram a rupturas e reorganizações dos espaços produtivos e reprodutivos.
5. Sensibilizar os estudantes para a necessidade de questionar as mudanças contemporâneas no mundo do trabalho em geral, a partir de uma perspectiva crítica que nos permita não só compreender as tensões estruturadas sob a égide da acumulação capitalista, mas também o potencial emancipatório que esses mundos abrigam.
6. Conscientizar os alunos sobre a estratégia analítica que estrutura a dinâmica do seminário e que consiste em um diálogo que se desenvolve em três direções: entre a produção teórica europeia e latino-americana, entre as contribuições teóricas anteriores e as perspectivas contemporâneas e, finalmente, entre o desenvolvimento do pensamento crítico e as experiências concretas.
7. Contribuir para o desenvolvimento democrático em curso na América Latina por meio da reflexão coletiva entre a equipe docente e todos os alunos, o que gerará ferramentas analíticas para a análise crítica da experiência contemporânea.
- Marx, capitalismo e emancipação
- Avatares da democracia industrial
- Democracia e capitalismo periférico: revisitando a teoria da dependência
- O trabalho na ordem neoliberal à luz da biopolítica
- Crítica feminista do trabalho: perspectivas materialistas
- Teoria Crítica: Capitalismo e Horizontes Democráticos
- Poder e política dentro da empresa capitalista
- experiências latino-americanas
- Que trabalho é necessário para um horizonte democrático pós-capitalista?
- Atzeni, M. (2020) "Introdução. Globalização neoliberal. Perspectivas interdisciplinares sobre trabalho e ação coletiva", em tradução autorizada e versão impressa de Atzeni, Maurizio (2013) Trabalhadores e Trabalho em um Capitalismo Globalizado, PALGRAVE MACMILLAN, Reino Unido
- Axel Honneth, O Direito à Liberdade. Esboço de uma Ética Democrática. Katz Publishers, 2014. Parte III, Capítulo 2, Seção c: “O Mercado de Trabalho”.
- Carrasco, C., Borderías, C., & Torns, T. (2011). Trabalho de cuidado: História, teoria e políticas (pp. 13-96). Madrid: Catarata.
- De la Garza, Enrique, Raniero Panzieri, Origens do Trabalhismo Italiano: Controle sobre o Processo de Trabalho, Sindicato, Partido e Estratégia do Movimento Operário. Seleção, Introdução e tradução por Enrique de la Garza Toledo.
- Déjours, C. (2009). Trabalho e violência. Madrid: Modus Laborandi. Capítulos 1 e 5.
- Dewey, J. Democracia e Educação. Madrid: Morata, 2004.
Dewey, J. Individualismo antigo e novo. Barcelona: Paidos, 2003. - Dewey, J. Opinião Pública e seus Problemas. Madrid: Morata, 2004.
- Dos Santos, T. Democracia e socialismo no capitalismo dependente, em Construindo a soberania: uma interpretação econômica da e para a América Latina, Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO 2020. Parte III.
- Faletto, E. “Dependência, democracia e movimento popular na América Latina”, in Universidade Autônoma de Puebla, Movimentos populares e poder alternativo na América Latina, Puebla, Universidade Autônoma de Puebla, Instituto de Ciências, 1980.
- Federici, S. (2013). Revolução no Ponto Zero. Madrid: Traficantes de sonhos. Capítulo 9.
- Ferguson, S. (2020), "Fazer viver ou fazer morrer? Capitalismo, reprodução social e COVID-19. Jacobin Latin America (1), "Capitalismo em quarentena".
- Ferreas, Isabelle, Empresas como entidades políticas. Cambridge University Press, 2017.
- Foucault, M. (2007). O Nascimento da Biopolítica, Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica. Aula de 14 de março de 1979.
- Fraser, N. & Honneth, A. (2006). Redistribuição ou reconhecimento? Um debate político-filosófico. Morata.
- Giarracca, Norma et al. (2006). Quando o território é vida: a experiência dos sem-terra no Brasil. Buenos Aires, GEMSAL.
- Marx, Karl, Crítica do Programa de Gotha. (K. Marx (1875): Crítica do Programa de Gotha.
- OIT (2020), Impactos no mercado de trabalho e na renda na América Latina e no Caribe. Nota técnica, setembro de 2020. 39 pp.
- Pérez Sepúlveda, S. (2020) "Democratizando a empresa capitalista: elementos para o debate no Chile", Heterodoxia (5)
- Pierbattisti, Damián (2008), A privatização dos corpos. A construção da proatividade neoliberal no campo das telecomunicações, 1991-2001. Buenos Aires: Prometeo Libros. Capítulo V.
- Rebón, Julián (2007). A empresa da autonomia. Trabalhadores recuperando a produção. Buenos Aires, Edições Picasso.
- Stecher, A. (2015). “A empresa flexível como dispositivo de governança. Contribuições da Análise de Governamentalidade para o estudo das subjetividades do trabalho na América Latina”. Universitas Psychologica, 14(5).
- Stoetzler, Marcel, “O Marx de Postone: um teórico da sociedade moderna, seus movimentos sociais e seu aprisionamento pelo trabalho abstrato”. Sob o Vulcão, vol. 9, nº 15, 2010.
- Urrutia, Miguel (2020) "Estudo introdutório da América Latina: trabalho e democracias constituintes", em tradução autorizada e impressa de Atzeni, Maurizio (2013) Trabalhadores e Trabalho em um Capitalismo Globalizado, PALGRAVE MACMILLAN, Reino Unido.
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Perguntas frequentes
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