"Precisamos fortalecer a CLACSO e a NOLAN para que elas pensem em soluções para problemas globais."
Transcrição da coluna de Karina Batthyány
Em InfoCLACSO – 22 de maio de 2024
Estamos em Copenhague, na Dinamarca, participando em nome da CLACSO na conferência da Rede Nórdica de Pesquisa Latino-Americana (NOLAN). Há dois anos, logo após nossa Conferência #CLACSO2022 no México, realizamos uma reunião na Finlândia e, em seguida, outra na Dinamarca.
A CLACSO estará presente para participar de uma das principais conferências sobre o tema das desigualdades, especificamente sobre os Desafios à Igualdade de Gênero na América Latina, no contexto dos desafios democráticos impostos por esses novos governos ultraconservadores de direita. Além disso, participaremos de duas mesas-redondas, onde compartilharemos experiências de trabalho colaborativo entre os países nórdicos e a América Latina.
Devemos lembrar que a Suécia é um dos países nórdicos. No CLACSO, colaboramos com a Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (SIDA) em nosso projeto Plataformas para o Diálogo Social (PDS), e anteriormente em vários projetos que contribuem para a longa história de nossa instituição.
Na Conferência NOLAN, analisaremos temas comuns relacionados ao trabalho colaborativo e transversal com essas instituições e governos dos países nórdicos para enfrentar desafios que, em última análise, são compartilhados. Esses desafios incluem democracia, igualdade de gênero, questões ambientais, migração e mobilidade humana, bem como tópicos relacionados a desafios econômicos, pobreza e desigualdade.
– Nesse sentido, qual é a preocupação comum em relação à virulência das desigualdades que estão sendo vivenciadas no mundo?
A preocupação comum é como reconstruir pactos sociais democráticos e igualitários, como contribuir para o bem-estar de todos em diferentes regiões e territórios, não apenas na América Latina e no Caribe e nos países nórdicos, mas em todo o mundo. Uma das questões-chave é quais são os temas centrais que permitirão a coexistência nos diversos territórios que compõem o nosso mundo, em condições de democracia, justiça, igualdade e paz.
– Sabemos que a jornada continua; a CLACSO tem muitas reuniões, notícias de outros painéis importantes e tópicos relacionados à Nossa América…
– Sim, com certeza. Hoje, estamos nas reuniões do NOLAN. Depois, iremos a Haia, na Holanda, para trabalhar com um dos nossos Centros Membros da CLACSO sobre como articular e compartilhar preocupações na área das ciências sociais e humanas na América Latina e na Europa. Também trocaremos ideias sobre temas relacionados aos nossos PDS (Programas para o Desenvolvimento da Ciência) referentes à avaliação, ciência aberta e acesso aberto ao conhecimento, destacando a experiência do Fórum Latino-Americano de Avaliação Científica (FOLEC), que teve origem na América Latina, mas é para o mundo todo.
– Quais são os temas centrais a serem abordados ao analisar a nossa América?
Nos países nórdicos, há pessoas que trabalham com a América Latina, e os países da região latino-americana são seus campos de estudo — e, em muitos casos, áreas de influência — para a construção de trabalhos colaborativos. Quando começamos a trocar experiências sobre certos temas atualmente debatidos nos países nórdicos, percebemos que eles são os mesmos: mudanças climáticas, migração, desafios às democracias, sucessos ou tentativas de uma perspectiva quantitativa e como reconstruir alternativas com base no conhecimento das ciências sociais, movimentos, organizações e atores sociais em seu sentido mais amplo, juntamente com o campo da implementação de políticas públicas. Também discutimos como fortalecer ainda mais as redes da CLACSO, da NOLAN e de outras redes de conhecimento específicas, permitindo-nos pensar juntos em soluções para esses problemas globais.
– Existem certos governos que desconfiam da democracia, das mudanças climáticas, da luta das mulheres e dos movimentos feministas…
— Eu estava falando exatamente sobre esses temas na Conferência Nolan: os feminismos e como eles têm sido o principal alvo de ataques de todos esses movimentos conservadores que tentam minar os fundamentos democráticos em nossos países. Por quê? Porque o movimento feminista tem um potencial transformador, e não conservador, diante dos governos neoliberais e da nova direita. Portanto, há um trabalho a ser feito, tanto para analisar o conhecimento quanto para desenvolver estratégias e articular mecanismos de resistência contra os discursos negacionistas.

CLACSO em NOLAN
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