"Precisamos ouvir os jovens."
No âmbito do V Congresso Internacional de Pesquisadores sobre a Juventude, organizado pelo Centro de Estudos da Juventude e pela União da Juventude Comunista de Cuba, de 23 a 27 de setembro, em Varadero, Cuba, Graciela Castro, membro do Comitê Diretivo da CLACSO para a Argentina, conversou com CLACSO.tv.
O doutor em psicologia afirmou: “Infelizmente, o futuro parece bastante sombrio. E acho que isso exige maior responsabilidade dos adultos, porque se os jovens estão aqui hoje, é porque construímos o presente. Lembro-me, desde a minha juventude, de ouvir 'vocês são o futuro', e nós queríamos ser o presente. Era aquele presente turbulento da década de 70 na Argentina, no qual queríamos ser protagonistas. Com sucessos, com erros, mas seguíamos em frente. E depois de tantos anos, percebe-se que o mundo está se tornando cada vez mais complexo.”
Além disso, Castro enfatizou a necessidade de ouvir os jovens, afirmando: “Eu pertenço a uma geração em que o elemento disruptivo não era exatamente a direita. Mas, nesse sentido, parece-me que os movimentos progressistas, a esquerda, não forneceram respostas suficientes ou alternativas o bastante para que os jovens percebessem algo positivo no envolvimento e na participação. Levo em conta o que aconteceu em nosso país. Não podemos ignorar como foi o último governo, no qual apostamos amplamente nessa abordagem, e a frustração foi imensa. Então, a alternativa é esta: vamos destruir tudo. (...) Mas, diante disso, encontramos grupos de jovens que continuam participando. Na esfera em que trabalho, a universidade, (...) os jovens, os estudantes, são os que mais ativamente se mobilizam para marchas, para manifestações, para envolvimento. Há jovens que não estão seguindo essa alternativa, então precisamos ouvi-los.”
“Às vezes, como adultos, podemos pensar que temos todas as respostas, que já sabemos tudo, mas não sabemos. Precisamos aprender a incorporar novas estratégias. (...) Isso é necessário porque a complexidade do mundo é muito angustiante. Permaneço otimista e acredito que podemos e devemos nos dar, como adultos, como sociedade e por respeito aos jovens, esta oportunidade de construir algo diferente. Não é possível que tudo já tenha sido destruído”, acrescentou.
Entrevista concedida a Gustavo Lema.
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