Tributação dos super-ricos no Brasil

 Tributação dos super-ricos no Brasil

O Brasil, que nos dias 6 e 7 de julho recebeu a Cúpula dos BRICS+, vive, neste momento, um intenso debate político impulsionado por mobilizações e discussões sociais, tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais, além de ações coletivas que visam ocupar as ruas do país. Com o objetivo de ampliar a agenda de enfrentamento das múltiplas desigualdades sociais e dar continuidade à implementação de propostas já presentes em seu programa de governo, o presidente Lula lançou recentemente algumas iniciativas ao Congresso, ancoradas no princípio da “justiça tributária”: em primeiro lugar, prevê a isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas que ganham mensalmente 5 mil reais (cerca de 900 dólares), bem como a isenção para quem recebe mais de 50 mil reais (cerca de 9 mil dólares); em segundo lugar, com base no princípio do registro das alíquotas do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras (crédito, câmbio, seguros, alguns títulos de renda fixa e fundos de investimento), imposto que incide predominantemente sobre a população de maior renda, propõe o aumento da alíquota para 20%. anos de super-ricos (auxílio mensal para cabelo menos 308 mil reais - mais ou menos 56 mil dólares - entre outros recursos), taxa fixa entre 2% e 15%.

Neste momento, o Congresso, em grande parte, se mostra propositalmente rejeitado, sob o argumento de que o governo gasta excessivamente em políticas públicas e sociais e não garante o “ajuste fiscal” e o equilíbrio nas contas públicas. Por outro lado, o Congresso é um dos principais gastadores de recursos públicos para garantir os privilégios de parlamentares que, por sua vez, são responsáveis ​​pelo trabalho de milhares de brasileiros que são forçados a fugir de seus direitos. Essa contestação se deu por meio de uma forte reação nas redes sociais, com queixas focadas no distanciamento do Congresso em relação à população e na responsabilidade do presidente da Câmara, o deputado Hugo Mota, que se tornou uma das duas principais fontes de crítica, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. As hashtags «#CongressoInimigoDoPovo» e «#CongressoDaMamata» ocupam (e continuam a ocupar) os espaços digitais em significativo avanço geométrico. Além de posicionar dois usuários, o governo também entrou no debate, com a divulgação de um vasta campanha de comunicação, ao mesmo tempo divertida e esclarecedora, que estimula a mobilização, bem como a ação judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), sem qualquer sensação de retrocesso à decisão do Congresso.    

Apesar das mudanças significativas e das políticas públicas implementadas no Brasil pelo atual governo e pelos governos que triunfaram entre 2003 e 2016 (ano do golpe parlamentar contra a então presidente Dilma Rousseff), o projeto nacional das classes dominantes prevalece, mantendo o país como uma das sociedades mais desiguais da América Latina. Em uma população de aproximadamente 213 mil pessoas, mais de 180 mil vivem em situação de precariedade, entre 25 e 30 mil constituem as classes baixa, média e média-alta, e apenas cerca de 180.000 mil pessoas (cuja renda ultrapassa 10 mil dólares por mês) compõem uma classe concentrada de super-ricos que domina a economia, a política, a cultura e a mídia corporativa.

Isso levou a uma disputa de posições significativa e sem precedentes, capaz de esclarecer a existência e a persistência de dois projetos nacionais: por um lado, ou a manutenção da grave e histórica polarização social, resultante de uma sociedade profundamente desigual; por outro lado, um projeto nacional com um nível mínimo de bem-estar para a maioria, ancorado neste momento na proposta de “justiça tributária” dirigida ao governo Lula, como possibilidade de abrir caminhos para uma melhor distribuição de renda na maior economia da América Latina e do Caribe.

Diante disso, ou Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), apoia os esforços políticos, intelectuais, acadêmicos e sociais na busca de alternativas para a construção de um Brasil menos desigual, a fim de defender uma “justiça tributária” na qual “quanto mais pessoas” pagam mais impostos e carecem de continuidade na construção de uma sociedade mais justa e democrática.

11 de julho de 2025