Solidariedade com Nelton Rivera e a Prensa Comunitaria diante das ameaças de prisão.
O notório "pacto de funcionários corruptos" que se apoderou do sistema judiciário da Guatemala continua avançando contra a frágil democracia do país. Essa rede violenta e criminosa, composta por políticos, empresários, veículos de comunicação e funcionários do judiciário — cujo líder visível é a Procuradora-Geral Consuelo Porras — indicou, com total impunidade, que seu alvo mais recente é o renomado jornal Prensa Comunitaria e seu diretor, Nelton Rivera. Isso foi feito por meio de um perfil anônimo, X, que normalmente antecipa as ações punitivas e espúrias do Ministério Público.
Desde a sua criação, a Prensa Comunitaria tem se concentrado em denunciar a violência, a ilegalidade e a injustiça sofridas por comunidades visadas por corporações e agentes do Estado, fornecendo reportagens oportunas sobre atos de desapropriação e as formas de organização que surgiram para combatê-los. Por essa razão, a difamação, a perseguição e as ameaças daqueles que viram sua impunidade exposta fizeram parte da história da Prensa Comunitaria — ataques que sua publicação irmã, a revista feminista Ruda, também herdaria posteriormente.
Ao longo de mais de dez anos, vários jornalistas desses veículos de comunicação sofreram processos criminais, foram presos, espancados e até perderam a vida no cumprimento do dever. Alguns tiveram que deixar suas casas e até mesmo seu país por fazerem seu trabalho, por mostrarem à sociedade como o “desenvolvimento” e a “democracia” são vivenciados em suas comunidades.
A Prensa Comunitaria, graças ao seu profissionalismo, rigor e capacidade de gerar informação, é uma fonte insubstituível para a compreensão do processo contínuo de sequestro da democracia na Guatemala. Das eleições fraudulentas na Universidade de San Carlos (USAC) aos atuais esforços de desestabilização, incluindo as eleições de 2023 e a firme ação popular contra esse roubo, tudo o que aconteceu foi narrado, analisado, comentado e documentado pela equipe deste veículo de comunicação.
Quem trabalha com jornalismo comunitário tem sido alvo dessa aliança, que já começou a agir, sendo o primeiro passo a divulgação de uma imagem de Nelton Rivera atrás das grades ao lado de José Rubén Zamora, dono do El Periódico e preso político desde 2022. A imagem, acompanhada do texto “É aconselhável dormir de tênis e com os cadarços bem amarrados; logo você estará atrás das grades. Soltem os cachorros. @MPguatemala”, é uma clara ameaça para silenciar o diretor da Prensa Comunitaria e, por extensão, todo o veículo de comunicação.
Portanto, o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência na América Central expressa seu apoio e solidariedade a Nelton Rivera e a toda a equipe da Prensa Comunitaria. Precisamos deste veículo de comunicação para continuarmos a aprender sobre o que está acontecendo na Guatemala.
Exigimos garantias para o exercício do direito à liberdade de expressão, que está sendo sistematicamente violado no país. Exigimos que as autoridades públicas guatemaltecas cessem as ameaças e interrompam as ações ilegais e violentas da Procuradora-Geral do Ministério Público, Consuelo Porras. Exortamos a sociedade guatemalteca — mulheres, homens, maias, xincas, garífunas e mestiços, jovens e crianças, dissidentes e diversos grupos — a permanecer vigilante em relação à situação no país e a se engajar em análises críticas e ações coletivas para defender os interesses de todos.
11 de abril de 2025
Grupo de Trabalho CLACSO
Violência na América Central
Esta declaração expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
