Solidariedade com a resistência do povo chileno

 Solidariedade com a resistência do povo chileno

Durante décadas, o Chile foi apresentado como o único caminho possível para o suposto paraíso neoliberal. No entanto, esse não era o caminho. O povo chileno despertou.

Diante da militarização do território chileno e da violação dos direitos humanos pelo governo de Sebastián Piñera, diante da aplicação de políticas fortemente neoliberais e de uma resposta social cada vez mais sustentada, ampla e digna, após uma semana de horror, coragem e protesto legítimo, os professores e alunos (acadêmicos, ativistas e funcionários públicos) da III Escola Internacional de Pós-Graduação “Além da Década Internacional dos Afrodescendentes”, organizada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e pelo Centro de Pesquisas Psicológicas e Sociológicas (CIPS, Cuba), expressam sua solidariedade incondicional ao povo chileno.

Neste contexto, e considerando os desafios da pesquisa, do ensino e da ação política, em memória das mulheres líderes afrodescendentes assassinadas durante a Década Internacional dos Afrodescendentes, expressamos:

  • Nossa total solidariedade à resistência do povo chileno contra um Governo que, querendo apagar o fogo com gasolina, declarou Estado de Emergência e Toque de Recolher em diversas cidades do país, conferindo poderes ditatoriais às Forças Armadas, como forma de intimidar e criminalizar a legítima expressão de rejeição à precariedade e às profundas desigualdades de mais de três décadas de neoliberalismo.
  • Condenamos veementemente todas as ações repressivas das Forças Armadas contra seu próprio povo, desde infiltrações, sabotagens e saques, até abusos de poder no uso excessivo da força nas ruas, detenções irregulares, abusos sexuais, assassinatos e todos os tipos de violações dos direitos humanos em centros de detenção, conforme relatado oficialmente pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos e pela Comissão Internacional de Direitos Humanos.
  • Rejeitamos completamente a opressão do Estado no Chile, onde, além dessa contingência, os povos indígenas e afrodescendentes têm sido historicamente discriminados e criminalizados, sendo-lhes negados direitos como o direito ao território, à autodeterminação, à dignidade e à paz.

A América Latina e o Caribe atravessam tempos difíceis diante da ascensão do fascismo, do fundamentalismo religioso, do neoliberalismo e suas privatizações, do racismo ambiental, do ecocídio, dos feminicídios, do genocídio de jovens afrodescendentes e indígenas, bem como de líderes racistas e colonialistas, e de todas as formas de intervencionismo. A situação no Chile se torna cada vez mais complexa e, em diversos países da região, o impacto das políticas neoliberais tem efeitos devastadores, particularmente na violação e erosão dos direitos humanos no Equador, Haiti, Venezuela, Honduras, Bolívia, Brasil, Guatemala, México, Argentina e Colômbia — territórios diversos onde comunidades camponesas, afrodescendentes e indígenas são submetidas à violência e forçadas a condições precárias, em sua luta histórica pelo legítimo direito à soberania e à vida.

Pela soberania e paz intercultural entre todos os povos da nossa América Latina!

Declaração da III Escola “Para além da Década Internacional”
dos povos afrodescendentes” (CLACSO – CIPS)
Havana, Cuba, 23 de outubro de 2019.

Foto de Nelson Araya


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