Solidariedade com a CONAIE e a Greve Nacional no Equador

 Solidariedade com a CONAIE e a Greve Nacional no Equador

Da rede de instituições acadêmicas e pesquisadores organizados em Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ecologias Políticas do Sul/Abya Yala Expressamos nossa solidariedade à luta social e ao conflito atual liderado por CONAIE (Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador), assim como as nacionalidades e os povos indígenas, e os movimentos sociais equatorianos desde 18 de setembro, desencadeados pela greve nacional em todo o país.

A greve denuncia a eliminação dos subsídios aos combustíveis sob pressão do FMI, a violação dos direitos humanos fundamentais e do sistema judicial, o agravamento da crise econômica e de segurança, a cooptação e o abuso do poder estatal por grupos oligárquicos, como a própria família Noboa, a não realização de referendos obrigatórios, o autoritarismo e a militarização dos territórios dos povos indígenas e das nacionalidades do país, e a expansão das concessões de mineração e petróleo com graves danos à população e ao meio ambiente, como o derramamento de petróleo na província de Esmeraldas que ficou impune. Os parasitas denunciam também o assassinato, a criminalização, a perseguição e a repressão de indivíduos, grupos da sociedade civil e defensores sociais e ambientais. Expressam sua total rejeição ao referendo convocado pelo presidente Noboa, que visa modificar a Constituição, restringir direitos e permitir a instalação de bases militares estrangeiras, entre outras medidas.

As medidas de ajustamento estrutural ditadas pelo FMI aprofundam a desigualdade e criam novas zonas de sacrifício. Da perspectiva da ecologia política e dos movimentos sociais, exigimos uma transição ecossocial ancorada na construção de dinâmicas sociais capazes de responder e contrariar as dinâmicas de reajuste de capital, a concentração de riqueza e a destruição de ecossistemas, e de configurar coletivamente um horizonte de transformação para nossa Abya Yala que garanta um futuro digno.

CONAIE e os movimentos sociais da Greve Nacional Eles exigem o fim do modelo extrativista. Respeito à consulta prévia e a revogação das licenças de mineração em Quimsacocha, Las Naves e Palo Quemado. Cumprimento das decisões judiciais referentes aos povos Yasuní e Tagaeri-Taromenane. Fim da repressão e perseguição a defensores de direitos humanos e organizações sociais, bem como a libertação imediata dos detidos durante os protestos. Fim do estado de emergência e do toque de recolher nos territórios de povos e nacionalidades indígenas.

CONAIE Faz um amplo apelo à comunidade internacional, denunciando as violações dos direitos humanos e exigindo a reparação dos mesmos. CESE de todos os tipos de violações contra a integridade física de líderes sociais e comunidades indígenas participantes da greve. PARA DIVULGAÇÃO IMEDIATA das pessoas presas nos protestos e PAREM A REPRESSÃO.

Do Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ecologias Políticas do Sul/Abya Yala Temos apoiado as lutas socioambientais de povos, comunidades e movimentos sociais na América Latina. A CONAIE é um dos movimentos mais influentes do continente, devido à sua capacidade de transformar a política a partir da base, conectar-se e responder às demandas sociais e ambientais, e propor uma visão alternativa de vida baseada na construção de propostas anticoloniais, anticapitalistas e pós-extrativistas, tecidas a partir da plurinacionalidade, da ação coletiva e do verdadeiro significado de democracia e dignidade.

Em maio de 2025, o ONU Ele reiterou que o respeito aos direitos dos povos indígenas é uma obrigação moral, legal e coletiva inegociável. Exortou os governos a implementarem a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas sem demora. O Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Ecologias Políticas do Sul/Abya Yala apela ao governo equatoriano para que abrace e garanta plenamente este mandato.

29 setembro 2025
Grupo de Trabalho sobre Ecologias Políticas do Sul/Abya Yala

Este texto expressa a posição dos Grupos de Trabalho mencionados e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.