Solidariedade com o povo do Peru
Após 200 anos de exclusão, as eleições de 2021 colocaram as demandas há muito negligenciadas da grande maioria na agenda pública do governo em exercício. Pedro Castillo — professor, líder sindical e camponês — venceu a presidência como expressão da necessidade urgente de mudanças profundas nas estruturas políticas e econômicas do Peru. Diante da possibilidade de romper com o status quo que a extrema direita buscava manter, uma série de iniciativas nesse sentido foram obstruídas no Congresso da República, incluindo a convocação de um referendo sobre uma nova constituição política.
Três moções de impeachment contra o presidente foram debatidas no parlamento até o golpe parlamentar de 7 de dezembro de 2022, que instaurou uma ditadura cívico-militar. Seus principais aliados são a grande mídia, os grupos econômicos mais poderosos do país, as forças armadas e policiais e partidos políticos de extrema-direita. Esse evento desencadeou uma série de manifestações legítimas exigindo respeito ao voto popular, uma nova constituição e a renúncia dos poderes executivo e legislativo. A resposta foi a declaração de estado de emergência, toque de recolher nas regiões mais voláteis do Peru e o desencadeamento de uma repressão excessiva contra os protestos. No entanto, a indignação só aumentou. As regiões continuam a se mobilizar, enquanto Lima recebe milhares de manifestantes de todo o país em suas universidades públicas e sedes de organizações sociais, que foram invadidas e ocupadas violentamente pela Polícia Nacional.
Em decorrência dessas condições, foram registrados mais de 60 assassinatos, além de centenas de feridos e a violação sistemática dos direitos fundamentais dos peruanos que exercem seu legítimo direito de protestar. A violência desencadeada por este governo expressa o desprezo, o racismo e o classismo das elites políticas em relação às demandas há muito negligenciadas dos peruanos historicamente excluídos.
Nesse sentido, manifestamos nossa solidariedade ao povo do Peru, exigimos o fim da violência, o respeito ao direito de protesto, o fim da violação sistemática dos direitos fundamentais dos peruanos e a abertura de um diálogo que permita ao Peru decidir seu próprio destino.
1 de fevereiro de 2023
Grupos de Trabalho da CLACSO
Trabalho no capitalismo contemporâneo
Este texto expressa a posição do Grupo de Trabalho. Trabalho no capitalismo contemporâneo e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
