Solidariedade com o Equador
Declaração contra a repressão no Equador
Condenamos a brutal repressão perpetrada pelo governo neoliberal e reacionário de Daniel Noboa no contexto das mobilizações sociais, especialmente aquelas dirigidas contra as comunidades indígenas, que estão sendo perseguidas em seus próprios territórios.
Nos últimos sete dias, protestos têm ocorrido em resposta às medidas de ajuste econômico — em particular, a eliminação do subsídio ao diesel — que aumentarão diretamente o custo de bens de primeira necessidade e impactarão severamente os setores mais pobres da sociedade. A resposta do governo tem sido o uso excessivo da força estatal, não apenas para criminalizar os protestos, mas também para instaurar o terror na população. Expressamos nossa indignação com a execução extrajudicial de Efraín Fuerez, membro da comunidade indígena, que foi baleado três vezes. Condenamos veementemente o uso das Forças Armadas para reprimir manifestações civis.
Reiteramos as denúncias de organizações de direitos humanos, que documentaram graves violações, como: detenções ilegais, maus-tratos, possíveis casos de tortura e desaparecimento forçado, uso desproporcional da força, uso de armas de fogo, transferências ilegais para prisões — que colocam em risco a vida e a segurança dos manifestantes — e o congelamento ilegal de contas bancárias pertencentes a líderes sociais. Condenamos também a criminalização dos protestos por meio de classificações legais como terrorismo, táticas de terra arrasada e decretos de estado de emergência que remetem às práticas das ditaduras mais sangrentas da América Latina.
Denunciamos também o encerramento de meios de comunicação comunitários, o bloqueio de sinais de internet e os cortes de energia, ações que visam silenciar vozes dissidentes e dificultar o registro de violações de direitos humanos.
Manifestamos nossa solidariedade aos camponeses, povos indígenas, estudantes, trabalhadores e mulheres que, no legítimo exercício de seu direito à resistência, manifestam sua discordância com medidas que apenas agravarão a pobreza.
Nestes tempos de incerteza e terror, reconhecemos a coragem daqueles que se mobilizam em defesa da vida e por melhores condições de vida.
Apelamos à comunidade internacional para que monitore e garanta a vida e a segurança dos manifestantes. Por fim, exigimos a abertura de canais de diálogo que permitam uma solução pacífica que respeite os direitos humanos.
29 setembro 2025
Histórico e situação atual do Grupo de Trabalho CLACSO: Perspectivas marxistas
Este texto expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
