“Um discurso antiuniversitário tomou conta de toda a região”

 “Um discurso antiuniversitário tomou conta de toda a região”

No âmbito do fórum internacional "Desigualdades na América Latina: tensões, debates e propostas", realizado de 16 a 18 de abril em Montevidéu, Uruguai, Rodrigo ArimO Reitor da Universidade da República conversou com CLACSO.tv.

Em relação aos ataques que as universidades públicas vêm sofrendo em toda a América Latina e Caribe, Arim observou que “as universidades, de certa forma, sempre geraram desconforto para os sistemas políticos ou sistemas de poder em geral. Faz parte da nossa lógica de funcionamento. E isso teve expressões mais ou menos virulentas em diferentes momentos da história. No entanto, minha percepção é que um discurso antiuniversitário ganhou força, acusando as autoridades em toda a região, com diferentes níveis de desenvolvimento relativo, de doutrinação”.

Em relação ao caso argentino, o Reitor da Universidade da República (Udelar) opinou que a acusação do Presidente Javier Milei de que a Universidade de Buenos Aires é um centro de doutrinação "é muito grave, vinda da mais alta autoridade política do país". Ele acrescentou que, na região, "outros fatores começam a surgir que tornam o cenário desfavorável. Se o sistema político começar a negar a relevância de discussões como a que acabamos de ter no CLACSO, como o surgimento de agendas de pesquisa ligadas às desigualdades, e se os principais atores do sistema político negarem a desigualdade como tema de pesquisa e sua relevância para a formulação de políticas públicas, haverá um choque. É impossível imaginar que não haverá uma lógica de confronto."

“Acredito que devemos estar vigilantes e oferecer uma resistência saudável, esforçando-nos para criar um espaço para reconstituir discussões ponderadas que defendam a democracia deliberativa. Este é um espaço democrático onde nem tudo é aceitável. É válido defender posições diferentes, e por vezes irreconciliavelmente diferentes, mas não é válido denegrir os outros ou usar a desinformação como mecanismo para fomentar o preconceito”, concluiu.

Entrevista concedida a Gustavo Lema.


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