Resistências decoloniais por justiça socioambiental em Nossa América: conhecimento, territórios e imagens

 Resistências decoloniais por justiça socioambiental em Nossa América: conhecimento, territórios e imagens


Seminário 2127

CadeiraCLACSO
CoordenaçãoNathalia Hernández Vidal (GT Ecologia Política do Sul/Abya-Yala)

Equipe de ensino: Nathalia Hernández Vidal (GT Ecologia(s) Política(s) do Sul/Abya-Yala), Mina Kleiche-Dray (Universidade Denis Diderot, França), Yolanda Wood (Universidade de Havana, Cuba)

Início: 30/06/2021 | Inscrição: 22/03/2021 a 29/06/2021

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


Neste curso, examinamos a resistência decolonial pela justiça socioambiental a partir da produção acadêmica e ativista da ecologia política em nossa América. Nosso foco é dar igual importância analítica e política à compreensão da colonialidade da natureza e às lutas pela manutenção e criação de outras formas de vida. O curso será dividido em três módulos. No primeiro, estudaremos o papel do conhecimento nas lutas por justiça ambiental, prestando atenção crítica aos regimes tecnocientíficos coloniais/modernos/capitalistas de verdade e às propostas alternativas a esses regimes, articuladas em torno da ideia de pensamento sensível e ontologias relacionais, entre outras. No segundo, exploraremos as contribuições dos feminismos camponês, negro e popular para o estudo dos conflitos socioambientais em nosso continente. Utilizando o conceito de interseccionalidade, analisaremos a dimensão territorial dos processos de dominação extrativista e a resistência a eles, bem como as formas pelas quais classe, gênero e raça interagem na formação do “meio ambiente” como um espaço de disputa política. No terceiro módulo, incorporamos o estudo de narrativas e recursos visuais do campo artístico como uma forma de resistência decolonial intimamente relacionada à geração de conhecimento e territórios explorados nos módulos um e dois.

OBJETIVO GERAL

Analise os modelos de dominação socioambiental colonial/moderna/capitalista e compreenda o papel dos movimentos sociais e da resistência comunitária não apenas em termos de oposição, mas também de criação de novas perspectivas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Compreender os conceitos de resistência decolonial e justiça socioambiental a partir da perspectiva da Ecologia Política da Nossa América.
2. Compreender as dimensões epistemológicas, territoriais e representacionais das resistências decoloniais e suas contribuições para a construção de outros mundos (já) possíveis.
3. Contribuir para a construção de redes de conhecimento e mobilização social em nosso continente, a fim de consolidar a produção de conhecimento crítico e ações socioambientais em termos de justiça socioambiental.
4. Valorizar o impacto do campo artístico sobre os problemas territoriais e socioambientais como posicionamentos críticos de memória e resistência decolonial.

  • A questão do conhecimento como eixo central dos estudos decoloniais. A emancipação dos povos depende da emancipação do seu conhecimento.
  • Ciência, poder e conhecimento
  • Interculturalidade, ontologias relacionais e práticas de descolonização do conhecimento.
  • Conhecimento plural para construir conhecimento prático e socialmente relevante.
  • Territórios disputados: capitalismo, extrativismo e as lutas pela defesa do território
  • Do “meio ambiente” ao território: uma perspectiva interseccional
  • Territórios, memória e a política da representação
  • Territórios culturais e a espiritualidade da terra: resistências visuais do conhecimento tradicional
  • Pensando em imagens sobre conflitos socioambientais: violência colonial/moderna e resistência decolonial
  • ALIMONDA, HÉCTOR (2011) "A colonialidade da natureza - Uma abordagem à ecologia política latino-americana", Natureza colonizada - Ecologia política e mineração na América Latina, Héctor Alimonda (org.), CLACSO- CICCUS, Buenos Aires.
  • ALTVATER, ELMAR (2011) “Os limites do capitalismo. Acumulação, crescimento e pegada ecológica”, Mardulce, Buenos Aires.
  • Mudanças Climáticas e seus Impactos no Grande Caribe (2020) Jacqueline Laguardia Martínez (Coordenadora) - 1ª ed. - Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/gt/20200928053822/Cambio-climatico-impactos.pdf
  • CASTRO HERRERA, GUILLERMO “Sociabilidade e colonialidade na cultura da natureza em nossa América” Ecologia Política Latino-Americana: Pensamento Crítico, Diferença Latino-Americana e Rearticulação Epistêmica/ Héctor Alimonda ... [et al.] CLACSO; Buenos Aires. Volume II. pp. 297-302
  • CIRO, ESTEFÂNIA; BARBOSA, JULIÁN e CIRO, ALEJANDRA (2016) “Mapa petrolífero da Amazônia e resistência em Caquetá: desafios para a paz no pós-conflito.” Extrativismos e pós-conflito na Colômbia: desafios para a paz territorial, A. Ulloa e S. Coronado. Bogotá: Universidade Nacional da Colômbia, pp.
  • CRUZ, DELMY TANIA e BAYÓN JIMÉNEZ, MANUEL (2019) Corpos, Territórios e Feminismos. Compilação latino-americana de teorias, metodologias e práticas políticas. Abya Yala e Instituto de Estudos Ecológicos do Terceiro Mundo.
  • ESCOBAR, ARTURO (2003) “Mundos e saberes de outro modo. O programa de pesquisa modernidade/colonialidade latino-americana” Tabula Rasa, nº 1, janeiro-dezembro, pp. 51-86
  • ESCOBAR, ARTURO (2011) “Ecologia Política da Globalidade e da Diferença”. A Natureza Colonizada, Héctor Alimonda (coord.). Buenos Aires, CLACSO pp.61-92
  • ESCOBAR, ARTURO (2014) “Territórios da diferença: a ontologia política dos “direitos ao território” Sentipensar con la tierra: nuevas lecturas sobre desarrollo, territorio y diferencia Medellín: Ediciones UNAULA pp.
  • ESCOBAR, ARTURO (2014). Sentir e pensar com a terra: novas leituras sobre desenvolvimento, território e diferença. Medellín, Universidad Autónoma Latinoamericana UNAULA
  • GUALDRÓN RAMIREZ, MIGUEL (2021). “O arquipélago como território dissidente”. Cadernos de Filosofia. Em revisão.
  • HERNÁNDEZ VIDAL, NATHALIA (2021). “A estética do cuidado com as sementes”. Revista Colombiana de Sociologia. Em revisão.
  • HERNÁNDEZ VIDAL, NATHALIA e GUTIÉRREZ ESCOBA, LAURA (2019) “Resistência(s) epistêmica(s)-política(s) contra a privatização de sementes e conhecimento coletivo”. Revista Colombiana de Antropologia 55(2) pp. 39–63.
  • KLEICCHE-DRAY, MINA; ROUSSEL, LUCILE e JAUMOULLÉ, ALEXANDRA (2020) “ONG, agroecologia e práticas agrícolas locais: um caso de tradução em comunidades mixtecas e zapotecas em Oaxaca” Nova Antropologia VOL. XXXIII, NÃO. 92, JANEIRO-JUNHO.
  • LANDER, EDGARDO (2000) Ciências Sociais: Saber Colonial e Eurocêntrico. In Edgardo Lander (coord.) A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais. Perspectivas Latino-Americanas, Buenos Aires, Clacso/UNESCO
  • MACHADO, ARÁOZ, H (2016) "Ecologia Política dos Regimes Extrativistas. Das Reconfigurações Imperiais e Reexistências Decoloniais em Nossa América". Jornal Bajo el Volcán, vol. 15, No. 23, Benemérita Universidad Autónoma de Puebla, México, setembro-fevereiro, pp.
  • MARTÍNEZ ALIER, JOAN (2004) O ambientalismo dos pobres, Icária, Barcelona.
  • MARTÍNEZ ALIER, JOAN (2015) “Ecologia política do extrativismo e justiça socioambiental” Interdisciplina 3, nº 7 pp. 57-73.
  • MERLINSKY, GABRIELA E SERAFINI, PAULA (2020) “Introdução” Arte e Ecologia Política Gabriela Merlinski; Paula Serafini. (Compiladores) 1ª ed. - Cidade Autônoma de Buenos Aires: Universidade de Buenos Aires. Instituto de Pesquisa Gino Germani - UBA, 2020. pp. 11-27
  • NAVARRO, MINA LORENA e GUTIÉRREZ, RAQUEL (2019), “Chaves para pensar a interdependência da ecologia e dos feminismos”, Revista Bajo el Volcán, no. 28.
  • RUALES, GABRIELA E SOFÍA ZARAGOCIN (2019) “De Gêneros e Territórios: A Terra Tem Gênero?” Corpos, Territórios e Feminismos. Compilação Latino-Americana de Teorias, Metodologias e Práticas Políticas. Cruz, Delmy Tania e Bayón Jiménez, Manuel (Organizadores), Abya Yala e Instituto de Estudos Ecológicos do Terceiro Mundo. pp. 303-313
  • SVAMPA, MARISTELLA (2011) “Pensando o desenvolvimento a partir da América Latina” Seminário Latino-Americano “Direitos da Natureza e Alternativas ao extrativismo”, (Coletivo Voces de Alerta et al.), Buenos Aires. Pp.1 – 25.
  • SVAMPA, MARISTELLA. “Pensando o desenvolvimento a partir da América Latina”. Seminário Latino-Americano “Direitos da Natureza e Alternativas ao Extrativismo”. Vozes de Alerta, CLAES, Juventude pela Igualdade e CEPPAS. Buenos Aires, novembro de 2011.
  • ULLOA, ASTRID e CORONADO, SERGIO (2016) “Territórios, Estado, Atores Sociais, Direitos e Conflitos Socioambientais” em “Contextos Extrativistas: Contribuições para o Pós-Acordo”. Extrativismo e Pós-Conflito na Colômbia: Desafios para a Paz Territorial, A. Ulloa. Universidade Nacional da Colômbia, pp. 23–58
  • WALSH, CATHERINE (2007) “Interculturalidade e colonialidade do poder. Um pensamento e posicionamento “outro” a partir da diferença colonial”. A virada decolonial: reflexões para uma diversidade epistêmica além do capitalismo global, Santiago Castro-Gómez e Ramón Grosfoguel (orgs.), Bogotá, Siglo del Hombre Editores, pp. 47-62
  • WALSH, CATHERINE (2007). “Interculturalidade, colonialidade e educação”. Revista de Educação e Pedagogia, Medellín, Universidade de Antioquia, Faculdade de Educação, vol. XIX, nº 48, (maio-agosto), pp. 25-35.
  • WOOD, YOLANDA Ilhas do Caribe: natureza-arte-sociedade (2012) Ed. UH- CLACSO.

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

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