Condenamos os assassinatos cometidos no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, e exigimos justiça.

 Condenamos os assassinatos cometidos no estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, e exigimos justiça.

El Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Pensamento Geográfico Crítico Latino-AmericanoUnimo-nos à dor da esposa e do filho de 6 anos do nosso camarada Vitor Fernandes Kaiowá, assim como à família de Márcio Moreira e a todo o seu povo, que choram seus assassinatos a sangue frio durante as ações repressivas de 24 de junho contra a ocupação de terras Guapo'y Mirin Tujury, no município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, Brasil. Unimo-nos aos esforços para denunciar a violência e a repressão do Estado e de atores privados associados, que marginalizam, devastam e destroem a comunidade.
Vidas, corpos e territórios Kaiowá e Guarani.

Exigimos urgentemente justiça para Vitor Kaiowá, Márcio Moreira, Alex Kaiowá (assassinado por um latifundiário), Alex Vasques Ricarte Lopes (assassinado por latifundiários enquanto coletava lenha perto da reserva) e justiça para todos aqueles que lutam pelo território ancestral Kaiowá e Guarani. Exigimos justiça para os feridos que carregam as cicatrizes deste conflito em seus corpos — seu território — e que sofrem pressão psicológica diária. Exigimos proteção para a comunidade Guapo'y Mirin Tujury, bem como a conclusão de um levantamento antropológico do território que compreende a Reserva Indígena Amambai, lar da segunda maior população Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul.

O Território Indígena Amambai foi um dos primeiros a ser demarcado no Mato Grosso do Sul, tendo sido legalmente estabelecido em 1915 pelo extinto Serviço de Proteção aos Índios. Essas terras foram oficialmente reconhecidas como território indígena em 1991 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão do governo federal brasileiro. Apesar disso, a chamada "Fazenda Borda" ocupa ilegalmente 269 hectares dentro desse território indígena. A fazenda pertence ao latifundiário Waldir Cândido Torelli, que também possui outras fazendas no estado do Mato Grosso do Sul e é executivo da VT Brasil Administração e Participação, empresa que opera uma rede de açougues no estado de São Paulo.

Além disso, a comunidade Guapo'y Mirin Tujury Recovery está sendo acusada de atos hostis, tráfico de drogas, terrorismo, criminalidade, invasão e até mesmo de ser estrangeira em seu próprio território. Solicitamos que cesse a disseminação de tais calúnias e discursos de ódio racistas.
Eles estão apenas tentando criminalizar a luta para recuperar seu território indígena.

Até o momento, ninguém responsável por esse massacre foi levado à justiça, perpetuando-se, assim, a injustiça e a impunidade. Além disso, a perseguição e as ameaças de latifundiários contra as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá continuam diariamente.

Portanto, permanecemos em luto e continuamos nossa luta ao lado dos povos Kaiowá e Guarani, e exigimos o indiciamento de João Gauto, capitão da polícia na Reserva Indígena Amambai, bem como dos envolvidos da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), visto que gravações de áudio divulgadas comprovam a negociação para perpetrar o massacre de 24 de junho. Exigimos também o fim da difamação e do discurso de ódio racista que busca criminalizar a recuperação das terras sagradas do território Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul, Brasil.

Exigimos justiça.

17 agosto, 2022
Grupo de Trabalho CLACSO
pensamento geográfico crítico latino-americano

Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho. pensamento geográfico crítico latino-americano e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.