Repensando a inclusão de pessoas com deficiência na América Latina

 Repensando a inclusão de pessoas com deficiência na América Latina


Seminário 2128

CadeiraCLACSO
Coordenação: Brenda Araceli Bustos García (Universidade Autônoma de Nuevo León, México)

Equipe de ensino: Andrea Guisen (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas, Argentina), Cristina Pereyra (Universidade da Patagônia San Juan Bosco, Argentina) e Andrea Gómez (Universidade Autônoma Metropolitana – Iztapalapa)

Início: 30/06/2021 | Inscrição: 22/03/2021 a 29/06/2021

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


Na América Latina, a inclusão tem sido hegemonizada como a forma mais eficaz de combater as desigualdades sociais e garantir os direitos civis e políticos. Os discursos sobre inclusão se disseminaram por toda a esfera social, permeando a formulação de políticas públicas. Embora reconheçamos certos avanços, também notamos a ausência de transformações radicais nas condições de vida materiais e simbólicas das pessoas com deficiência. Os mecanismos de (in)exclusão persistem e estão se tornando mais acentuados em nível estrutural.
Neste seminário, pretendemos questionar, sentir, refletir e debater as diversas, heterogêneas e singulares experiências de inclusão, exclusão e (in)exclusão vivenciadas por pessoas e grupos com deficiência na América Latina. Faremos isso por meio do diálogo e de uma ecologia do conhecimento que fomenta a construção colaborativa e instigante do saber, a partir da perspectiva dos estudos críticos da deficiência.
Trabalharemos juntos ao longo de 12 módulos teóricos e práticos, promovendo debates e análises respeitosas. Prevemos que todos os recursos utilizados serão acessíveis.
Como resultado do trabalho cognitivo colaborativo, durante o seminário desenvolveremos progressivamente um “Manifesto” no qual apresentaremos critérios de inclusão e questões destinadas a desmantelar os mecanismos que perpetuam as condições de (in)exclusão da pessoa com deficiência na América Latina.

Geral

Por todas as razões mencionadas, consideramos pertinente questionar, sentir, refletir e debater as experiências de inclusão, exclusão e (in)exclusão vivenciadas por indivíduos e grupos com deficiência na América Latina, considerando sua coexistência com a multiplicidade de realidades já mencionadas. Portanto, neste seminário, propomos repensar a(s) inclusão(ões) — corporificada(s) nos indivíduos, vivida(s), única(s), diversa(s) e heterogênea(s) — em relação à deficiência, por meio de um diálogo e uma ecologia do saber que fomentem a construção colaborativa e instigante do conhecimento a partir da perspectiva dos estudos críticos.

específico

Para tanto, dinamizaremos os debates académicos e éticos que questionam a matriz colonial ocidental moderna a partir da qual se constroem as políticas, práticas, experiências e discursos em torno da inclusão de pessoas com deficiência, enfatizando as categorias de perceção e construção da alteridade que estruturam as condições de vida que nos oprimem e subalternizam.
Nosso objetivo é que essas atividades e oportunidades de troca fomentem espaços para a construção coletiva do conhecimento. Para tanto, priorizaremos debates, análises de experiências, políticas, propostas e/ou projetos de intervenção. Buscaremos criar espaços de diálogo baseados na confiança, no respeito e na sororidade.
Prevemos a elaboração de um “Manifesto da Inclusão”, no qual definiremos critérios de inclusão e questões que visem desmantelar os mecanismos que perpetuam as condições de (in)exclusão da pessoa com deficiência em nossa América Latina.
Esta declaração coletiva será o resultado dos sentimentos compartilhados e do trabalho cognitivo colaborativo dos participantes do seminário. A redação será feita progressivamente ao longo do seminário, compilando os principais pontos das discussões sobre os tópicos abordados em cada módulo em um documento compartilhado. Após o término das aulas, haverá tempo adicional disponível para participação coletiva e, por fim, a equipe docente refinará o texto para sua versão final.

  • A polissemia da inclusão/exclusão
  • Historicizando e mapeando a inclusão/exclusão: vamos relembrar suas origens.
  • Inclusão e corpo
  • Investigar processos de inclusão social
  • Tecnologias para a inclusão social
  • Inclusão e escolarização: construindo perspectivas para análise e problematização.
  • Inclusão no local de trabalho
  • Inclusão, raça e etnia
  • Inclusão e saúde: possíveis relações
  • Inclusão e representatividade na mídia

 

  • Achille Mbembe (2016 [2013]) Crítica da Razão Negra. Espanha: Futuro Anterior. Tradução de Enrique Schmukler, pp.
  • Avaria, Saavedra A. (2001). Deficiência: exclusão/inclusão. Revista MAD, (5).
  • Bustos, García Brenda Araceli (2020) Deficiência em contextos necropolíticos: experiências de migrantes no México. Em Fouskas, Theodoros “Imigrantes e refugiados em tempos de crise”.
  • Castro-Gómez, Santiago (2014) “Corpos racializados. Rumo a uma genealogia da colonialidade do poder na Colômbia”. In: Cardona Rodas, Hilderman e Pedraza Gómez, Zandra (organizadores) Do outro lado do corpo. Estudos biopolíticos na América Latina. Bogotá: Universidad de los Andes, p. 79 – 95.
  • Danel, PM (2019). Deficiência e matriz colonial: o caso das políticas de deficiência na Argentina. In Estudos críticos sobre deficiência: uma polifonia da América Latina. Alexander Yarza de los Ríos, Laura Mercedes Sosa, Berenice Pérez Ramírez (Eds.) 75-100. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO.
  • Diez, Cecilia, García, Javier, Montesinos, María Paula, Pallma e Horacio, Paolleta. (2015). Discutindo categorias… sobre os usos (e abusos) dos termos Inclusão e exclusão. In Boletim de Antropologia e Educação, 6, (9) (33-39)
  • Esteban, Mari Luz (2013) Antropologia do corpo. Gênero, itinerários corporais, identidade e mudança. Barcelona: Bellaterra. Segunda edição. Capítulos “O estudo do corpo nas ciências sociais”, pp. 23 - 30 e “A importância do corpo no Ocidente”, pp. 71 - 74.
  • García, Rui Solángel; Fernández, Moreno Aleida. (2005). Inclusão para pessoas com deficiência: entre igualdade e diferença. Rev. Saúde. Bogotá, Colômbia. 3 (2): 235-246, julho - dezembro.
  • García, Vázquez Eduardo. (2015). Discriminação por deficiência como uma questão emergente no contexto dos movimentos sociais contemporâneos.
  • Guisen, MA (2019). Estratégia para acessibilidade acadêmica ao ensino superior universitário para uma pessoa com deficiência. Um estudo de caso. Revista Espanhola de Deficiência, 7 (2), 185-200.
  • Guisen, MA (2020). Estratégia para a inclusão laboral de uma pessoa com deficiência residente em uma instituição pública de saúde. Um estudo de caso. Studia politicae, (51), 73-106.
  • Lorde, Audre. (1984). Podemos nos dar ao luxo de lutar uns contra os outros? Em Sister Outsider: Articles and Lectures. LIFS Publishing. Pp 52-62.
  • MENENDEZ, Eduardo. (1987). Modelo médico hegemônico. Modelo alternativo subordinado. Modelo de autocuidado. Na Primeira Conferência sobre Cuidados de Saúde Primários. Buenos Aires: Fundação Banco da Província de Buenos Aires.
  • Míguez Passada, María Noel. (2018). O som dos sentidos: infância, surdez e drogas psicotrópicas. Buenos Aires: Editorial ESE.
  • Míguez, María Noel (2012) “A deficiência no âmbito social. Uma abordagem desde a perspectiva dos corpos”. In: Almeida, María Eugenia e Angelino, María Alfonsina (Compiladores e editores), Debates e perspectivas sobre deficiência na América Latina. Paraná: Faculdade de Serviço Social – Universidade Nacional de Entre Ríos, p. 146-153.
  • Oliveira Figueiredo, G. (2015). Pesquisa-ação participativa: uma alternativa para a epistemologia social na América Latina. Revista de Pesquisa, (39)86, 271-290.
  • Ordoñez, Rafael; du Faÿ Laure. (2016). “O maior peido do mundo”. Nube Ocho: Madri.
  • Parra, LN (2020). Deficiência e trabalho: a individualização da inclusão sob lógicas coloniais contemporâneas. Nómadas, (52), 61-79.
  • Pereyra, Cristina (2015) "A configuração de circuitos escolares diferenciados nos encaminhamentos para a educação especial de crianças em contextos de pobreza: ". Revista RUEDES. Rede Universitária de Educação Especial, Ano 4, nº 6, p. 58-73.
  • Perez, Andrea, Gallardo, Hugo e Shewe, Lelia. (2018). Sobre as origens históricas das desigualdades na Argentina: deficiência e o direito à educação hoje. In Aldo Ocampo Gonzalez (coord.) Cuadernos de Educación Inclusiva Vol. II. Formação de professores e pesquisadores para a educação inclusiva. Perspectivas críticas. (24-55). Chile: Ediciones CELEI.
  • Pino, Morán Juan Andrés; Tiseyra, Maria Victoria. (2019). Encontro entre a perspectiva decolonial e os estudos da deficiência. Revista Colombiana de Ciências Sociais. 10 (2) páginas 497-521.
  • Roberto Berliner (2015). Nise: O Coração da Loucura [filme]. Brasil: Lorena Bondarovsky, Rodrigo Letier.
  • Rojas Campos, Sonia Marsela (2019) “Vestígios de desumanização: a deficiência na linha do não-ser”. In: Yarza de los Ríos, Alexander; Sosa, Laura Mercedes e Pérez Ramírez, Berenice (coordenadores) Estudos críticos sobre a deficiência: uma polifonia da América Latina. Buenos Aires: CLACSO. Livro digital, p. 101 – 131.
  • Sinisi, Liliana (2010). Integração ou inclusão escolar: uma mudança de paradigma? Em Boletim de Antropologia e Educação, 1, (11-14).
  • Thomas, H.; Juarez, P. e Picabea, F. (2015) O que são tecnologias para inclusão social? 1ª ed. Bernal: Universidade Nacional de Quilmes, p. 11-26/57-63
  • UNICEF (2005) Seminário Internacional: Inclusão social, deficiência e políticas públicas. Santiago: Chile. pp 113-125.
  • Von Furstenberg, MT, Iriarte, F., & Navarro, D. (2012). Busca de emprego e inclusão de pessoas com deficiência cognitiva no Chile: uma visão de suas mães. Revista Chilena de Terapia Ocupacional, 12(1), Página-17.
  • Rafael Sanchez Montoya. Fundação Creatica Free Ibero-Americana para a Cooperação, Cátedra UNESCO e CIAPAT Argentina.
  • Yergeau, Melanie (2013), “Distúrbio clinicamente significativo: sobre teóricos que teorizam a teoria da mente”. Em: Disabilities Studies Quarterly, 33 (4). Edição especial: Aprimorando a filosofia e a teoria feministas levando em conta a deficiência, p. 1 - 23. http://dsq-sds.org/article/view/3876/3405 (tradução para o espanhol por Andrea Gómez).

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

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