Repensando a democracia na região
“A América Latina precisa pensar em como reconceitualizar ou repensar a democracia e a relação entre Estado, sociedade e economia.” A ideia foi levantada pelo pesquisador alemão Jochen Kemner, diretor do Centro Maria Sibylla Merian de Estudos Latino-Americanos Avançados (CALAS) em Guadalajara, México.
No início de fevereiro, ele participou da Conversa “Autoritarismo Neoliberal ou Democratização da Democracia?: A Disputa pelo Futuro na América Latina”, organizada em conjunto pela CLACSO e pelo Programa Universitário de Estudos sobre Democracia, Justiça e Sociedade (PUEDJS-UNAM). Lá, ele foi entrevistado pela CLACSO TV.
Entrevista concedida a Gustavo Lema.
Jochen Kemner entende que “Estamos em um momento muito interessante, não só na América Latina, mas globalmente. E, nesse contexto, a América Latina, dada a sua história diversa, as suas circunstâncias atuais e as experiências dos últimos 15 a 20 anos, pode desempenhar um papel muito importante na forma como a democracia e a relação entre Estado, sociedade e economia são repensadas ou reconcebidas. Porque certamente estamos em um momento em que a democracia está seriamente ameaçada em diferentes países e por diferentes razões. Mas, ao mesmo tempo, vemos mobilizações populares no Chile, no Equador e em vários outros países, exigindo uma nova forma de participação no Estado. Então, acho que também é um momento para refletir um pouco sobre como, na situação que vimos em países como Bolívia, Equador e Brasil nos últimos 10 a 15 anos, houve um aumento significativo da classe média, juntamente com uma redução da pobreza. Mas, ao mesmo tempo, nesses mesmos países, também vimos um aumento significativo dos super-ricos, dos milionários.”
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