Reparações históricas e desigualdades interligadas: rumo à justiça restaurativa e às afro-reparações

 Reparações históricas e desigualdades interligadas: rumo à justiça restaurativa e às afro-reparações


Seminário 2603

Coordenação: Agustín Lao-Montes (Universidade de Massachusetts-Amherst, Estados Unidos) e Federico Pita (UMET/DIAFAR, Argentina)

Equipe de ensino: Agustín Lao-Montes (Universidade de Massachusetts-Amherst) | Claudia Mosquera Rosero-Labbé (Universidade Nacional da Colômbia) | Diógenes Diaz (Universidade de Carabobo, Venezuela) | Diva Moreira (Coletivo Minas Pró-Reparações, Brasil) | Federico Pita (UMET/DIAFAR, Argentina) | Jesus “Chucho” Garcia (Fundação Afro-Americana, Venezuela) | Juliana Góes (Universidade de Massachusetts-Amherst, Estados Unidos) | Ochy Curiel (Universidade Javeriana, Colômbia) | Rudy Amanda Hurtado Garcés (Diretor do Observatório contra o Racismo da Universidade dos Andes, Colômbia)

Início: 28/05/2026 | Inscrição: 14/04/2026 a 27/05/2026

Carga horária: 10 semanas – 90 horas.


Este seminário tem como objetivo analisar a correlação entre a desigualdade laboral e a desigualdade racial no contexto da modernidade capitalista, do século XVI até o presente. A institucionalização de regimes raciais de exploração do trabalho tem sido uma constante histórica que gerou e reproduziu desigualdades na distribuição global da riqueza, estabelecendo divisões geopolíticas dentro da estrutura de poder colonial moderna.

O seminário também analisará as críticas feitas pela nova direita nos Estados Unidos e por amplos setores da América Latina contra as políticas de reparações históricas, como a alegação de que nenhum grupo foi responsável pela escravidão ou se beneficiou dela, que os males da escravidão não são mais relevantes hoje e que as reivindicações de reparações retratam os afro-americanos como vítimas sem reconhecer o que os Estados Unidos lhes proporcionaram. As respostas a esses argumentos serão discutidas e as implicações históricas, atuais e futuras das políticas de reparações históricas serão analisadas.

A categoria de raça tem sido um elemento fundamental na formação do poder colonial moderno, forjando identidades hierárquicas e relações sociais associadas a hierarquias, lugares e papéis sociais correspondentes. A raça tornou-se o princípio organizador das sociedades coloniais, baseado na ideologia da supremacia racial branca/inferioridade racial negra, que reduziu os povos indígenas à servidão e a população africana e afrodescendente à escravidão, inaugurando assim a colonialidade do poder.

O sistema mundial moderno foi fundado na escravidão e no tráfico transatlântico de escravos, reconhecidos como crimes contra a humanidade na Declaração e Programa de Ação de Durban. A declaração reconhece a escravidão e o tráfico transatlântico de escravos como "tragédias atrozes na história da humanidade, não apenas por sua barbárie abominável, mas também por sua escala, sua natureza organizada e, especialmente, por negarem a própria essência das vítimas". Portanto, as políticas de reparação histórica para pessoas e comunidades de ascendência africana implicam a promoção de medidas de ação afirmativa para fortalecer seu senso de pertencimento em relação à cidadania social, civil, política, econômica e cultural dentro das comunidades políticas de cada Estado-nação.

As reparações são alvo de ataques da nova direita nos Estados Unidos e de amplos setores (incluindo a esquerda tradicional) na América Latina. Nesse sentido, talvez o manifesto conservador mais explícito seja o artigo “Dez Razões Pelas Quais as Reparações pela Escravidão São uma Má Ideia — E Racistas Também”, do ideólogo neoconservador americano David Horowitz, que argumenta que nenhum grupo foi responsável pela escravidão ou se beneficiou dela, que os males da escravidão não são mais relevantes hoje, que as condições atuais dos afro-americanos não têm relação com o passado, que as demandas por reparações retratam os negros como vítimas e que não reconhecem o que os Estados Unidos lhes proporcionaram. Entre as muitas respostas dadas a esses argumentos, destacam-se as de Robert Chrisman e Ernest Allen, que demonstram que a supremacia branca se baseava na escravidão, ressaltam a relação entre as injustiças do passado e as desigualdades presentes (raciais, sociais e políticas) e demonstram que as afro-reparações representam uma forma de justiça e uma bandeira de luta.

Como estratégia política, as reparações podem ser vistas como uma forma de formular demandas para abordar problemas imediatos de desigualdade social e discriminação racial, mas também como uma maneira de confrontar o Estado e revelar as limitações do sistema (tanto em nível nacional quanto global) na resolução desses problemas. Aprendemos essa abordagem com o grupo Atitude Quilombola no Brasil, que enfatiza a importância de exigir justiça reparatória não apenas para obter benefícios, mas também para pressionar o Estado e provocar o colapso do sistema.

Em suma, consideramos as reivindicações de reparações como postulados ético-políticos baseados nos princípios da justiça restaurativa, que historicamente têm servido como uma das forças motrizes e objetivos dos movimentos negros modernos e que, com o ímpeto de Durban (2001), representam uma das arenas vitais da política racial contemporânea. Dada a importância fundamental da dominação racial no sistema colonial moderno, as reparações devem ser cultivadas como um meio de luta pela descolonização da memória, do imaginário coletivo e das constelações globais de poder. Definidas dessa forma, elas nutrem o repertório de recursos para futuros promissores de possível libertação.

OBJETIVO GERAL

O objetivo geral do seminário é analisar a relação entre a desigualdade laboral e a desigualdade racial no contexto da modernidade capitalista, do século XVI até o presente, e examinar as políticas históricas de reparação para pessoas e comunidades de ascendência africana.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Compreender a institucionalização dos regimes raciais de exploração do trabalho e seu impacto na distribuição global da riqueza.
  • Analise o papel da categoria raça na formação do poder colonial moderno e sua relação com a escravidão e o tráfico transatlântico de escravos.
  • Explore como a raça tem sido usada para forjar identidades hierárquicas e relações sociais associadas a hierarquias, lugares e papéis sociais correspondentes.
  • Estudar as políticas históricas de reparação para pessoas e comunidades afrodescendentes e examinar como essas políticas podem elevar a qualidade dos modos de pertencimento em relação à cidadania social, civil, política, econômica e cultural nas comunidades políticas de cada Estado-nação.
  • Analisar as críticas da nova direita americana e de amplos setores da América Latina às políticas de reparação histórica e avaliar as respostas dadas a esses argumentos.
  • Discuta as implicações históricas, atuais e futuras das políticas de reparação histórica para pessoas e comunidades afrodescendentes.
  • Introdução à Justiça Reparadora Étnico-Racial
  • Reparações afro em uma perspectiva histórico-global
  • Reparações e uma Nova Ordem Mundial I: Economia Política e Justiça Social
  • Reparações e uma Nova Ordem Mundial II: Geopolítica e Descolonização
  • Reparações e uma Nova Ordem Mundial III: Afroepistemologias e Justiça Epistêmica
  • Reparações por desigualdades interligadas: Justiça interseccional
  • Reparos em cenários nacionais: Argentina
  • Reparos em cenários nacionais: Colômbia
  • Reparos em cenários locais: questões urbanas no Brasil
  • Reparações e possíveis futuros: perspectivas dos movimentos negros nas Américas e no Caribe
  • Agustín Lao-Montes “Sem justiça étnico-racial não há paz: Reparações afro em uma perspectiva histórico-global”.
  • Articulação Regional de Afrodescendentes das Américas e do Caribe “Manifesto: Crise Civilizacional, Pandemia e Racismo”. Maio de 2020.
  • Césaire, Aimé “Discurso sobre o Colonialismo” in Discurso sobre o Colonialismo. Edições AKAL. 2006.
  • Claudia Mosquera Rosero-Labbé “Reparações para negros, afro-colombianos e raizais resgatados do tráfico transatlântico de escravos e exilados da guerra na Colômbia”.
  • Claudia Mosquera Rosero-Labbé, Luiz Claudio Barcelos, Andrés Gabriel Aarévalo Robles “Contribuições para os debates sobre as Memórias da Escravidão e as Afroreparações na Colômbia a partir do campo dos estudos afro-colombianos, afro-latino-americanos, afro-brasileiros, afro-americanos e afro-caribenhos”.
  • Curiel, Ochy "Crítica Pós-colonial das Práticas Políticas do Feminismo Antirracista" Nómadas (Col), no. 26, 2007, pp. Universidade Central de Bogotá, Colômbia
  • Curiel, Ochy. "Descolonizando o feminismo: uma perspectiva da América Latina e do Caribe." Primeiro Colóquio Latino-Americano sobre Práxis e Pensamento Feminista (2009).
  • Díaz, Diógenes “A Década da Integração dos Povos” na América Latina em Movimento, Ano 39, No. 501. ALAI. 2015.
  • Du Bois, William Edward Burghardt “O estudo dos problemas da população negra” em CS Magazine, nº 12 (dezembro), 299-324. 2013.
  • Espinosa Miñoso, Yuderkis, “Uma crítica decolonial da epistemologia feminista crítica” El Cotidiano, no. 184, março-abril de 2014, pp. 7-12 Universidade Autônoma Metropolitana Unidade Azcapotzalco Distrito Federal, México.
  • Espinosa, Yuderkys, Diana Gómez e Karina Ochoa (ed.) (2014) Tecendo de outra maneira: feminismo, epistemologia e apostas decoloniais em Abya Yala, Popayán, Editorial Universidad del Cauca, 2014.
  • García, Jesús “Afrodescendentes: identidade e cultura de resistência” em América Latina em movimento, ano 39, nº 501. ALAI. 2015.
  • García, Jesús “Afroepistemologia e pedagogia quilombola” in Afrodescendencias: voces en resistencia. CLASSO. 2018.
  • Goes, Juliana e Lao-Montes, Agustin "Nossa América em clave do feminismos pretos: El imaginario geohistórico de Lélia Gonzalez" em DOSSIÊ: EL PENSAMIENTO DE LÉLIA GONZALEZ, UN LEGADO Y UN HORIZONTE. Fórum LASA. Volume 50. 2019.
  • González, Lélia. “Uma categoria político-cultural da Amefricanidade” in Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos / organização Flavia Rios, Márcia Lima.. — 1ª ed. — Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
  • Pita, Federico. "Do que falamos quando falamos de racismo? A necessidade de uma perspectiva étnico-racial no desenvolvimento, implementação e avaliação de políticas públicas", Cadernos do INAP. N° 61, 2021.
  • Robinson, Cedric J. “Capitalismo Racial: O Caráter Não-Objetivo do Desenvolvimento Capitalista” na Revista Tabula Rasa, no. 28, Universidade Colegio Mayor de Cundinamarca Bogotá, Colômbia. 2018.
  • Santiago Arboleda Quiñonez “Conhecimento ancestral ameaçado e exílio prolongado: a encruzilhada dos afro-colombianos”.
 

Inscrições antecipadas (até 05/05)

Inscrições gerais (6 a 21 de maio)

Inscrição sem desconto
(22 a 27 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados 

 

100 USD

 

USD 150

 

200 USD

Sem link

150 USD

USD 225

300 USD

 
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso com desconto, sem custo algum. Sala de aula CLACSOAcesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.

Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.

O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.
O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre os instrutores e os alunos para garantir a participação de todos. A presença nas sessões síncronas não é obrigatória.
Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.

 

Inscrições antecipadas (até 05/05)

Inscrições gerais (6 a 21 de maio)

Inscrição sem desconto
(22 a 27 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados 

 

100 USD

 

USD 150

 

200 USD

Sem link

150 USD

USD 225

300 USD

 
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso com desconto, sem custo algum. Sala de aula CLACSOAcesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito ou transferência bancária.


Consultas: [email protected]