Condenação da tentativa de assassinato da vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner.

 Condenação da tentativa de assassinato da vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner.

A América Latina vivenciou profundos processos de democratização desde a chegada de governos de esquerda a diferentes países do continente no final do século passado, o que gerou mudanças nas agendas de políticas sociais para enfrentar as desigualdades e injustiças que historicamente afetaram as populações empobrecidas ou "os ninguém", como as chamou a vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez Mina.

Esses “ninguém” conquistaram um espaço no âmbito político, o que gerou a perda de poder das elites tradicionais que historicamente governavam esses territórios, produzindo transformações importantes em diversas esferas da realidade social, com políticas redistributivas e com a expansão e o reconhecimento dos direitos das mulheres e de diversos grupos.

Em meados desta segunda década, começamos a vivenciar um processo de regressão resultante da promoção e do posicionamento de discursos neoconservadores, neoliberais e neopatriarcais que se consolidaram com a ascensão ao poder de governos de direita ou extrema-direita em nossos países. Isso marcou um cenário de perseguição, judicialização e encarceramento de líderes para silenciá-los e, assim, silenciar o projeto que lideraram em seus territórios.

Na Argentina, após um período de governo neoliberal entre 2015 e 2019, as forças progressistas triunfaram novamente nas eleições de 2019, com Alberto Fernández como presidente e Cristina Fernández de Kirchner como vice-presidente, uma líder que em nosso continente personificou a luta para reposicionar essa agenda de mudança.

Como Grupo de Trabalho, condenamos a tentativa de assassinato de Cristina Fernández de Kirchner, que consideramos uma tentativa de feminicídio político, ocorrida em 01º de setembro de 2022, e apelamos à luta para fortalecer um discurso democrático e pacífico face ao discurso de ódio letal. Os feminismos continuarão a desafiar todas as formas de patriarcado, o autoritarismo em todas as suas expressões e as políticas neoliberais.

5 setembro 2022
Grupo de Trabalho CLACSO
Lutas antipatriarcais, famílias, gêneros, diversidades e cidadania.

Esta declaração expressa a posição do referido Grupo de Trabalho e não necessariamente a da Centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.