Declaração rejeitando as recentes ameaças e acusações do governo dos EUA contra a Venezuela.
El Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Estudos dos Estados UnidosO grupo, composto por acadêmicos de mais de 10 países da América Latina e do Caribe, expressa sua profunda preocupação com as intenções do governo dos Estados Unidos de intensificar sua agressão contra o povo da Venezuela. É amplamente reconhecido pela opinião pública internacional que um cenário perigoso de intervenção militar se aproxima, algo que devemos evitar, especialmente em um momento em que nosso continente e toda a humanidade estão focados em preservar vidas diante de uma pandemia que semeia incerteza, dor e morte. Acusações infundadas tentam vincular o governo legítimo da Venezuela ao narcotráfico. Essas acusações são inaceitáveis, exceto para governos que se submetem aos ditames de Washington.
Repudiamos veementemente suas ações belicosas, que incluem o anúncio de operações com destacamentos militares e o estacionamento de navios de guerra no Caribe e no Pacífico Oriental, e nas proximidades da soberania venezuelana. Trata-se de um pretexto, mas já sabemos aonde levam as decisões dos Estados Unidos quando se fabrica um pretexto. É a Colômbia, e não a Venezuela, que aparece implicada nos relatórios do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. Tampouco essa região do nosso país é a rota preferencial, através do Pacífico e da América Central, por onde ocorre a maior parte do tráfico de cocaína para os Estados Unidos.
Em desafio à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que declarou nossa região uma “zona de paz”, a decisão do governo dos EUA, contrária a todas as normas internacionais, estabelece um estado de guerra que ameaça gravemente a estabilidade, a segurança e os princípios da não intervenção e da autodeterminação dos povos. Essa deplorável decisão unilateral, que implica o envio de forças para nossa região em decorrência de seu objetivo estratégico intervencionista de mudança de regime na Venezuela — visando, em última instância, a apropriação das reservas essenciais de petróleo —, tem o potencial de exacerbar um conflito com consequências custosas, dolorosas e imprevisíveis que afetariam todo o continente.
Diante desse cenário, unimo-nos aos argumentos vitais de nossos povos que, invocando a solidariedade e a segurança da região e do mundo, exigem, com profundo senso de justiça, a vontade política para pôr fim às sanções e bloqueios injustificados contra a Venezuela e Cuba, conforme expresso pelas Nações Unidas e pela CEPAL. A insistência do governo dos EUA em manter essas medidas apenas agrava as condições mais básicas necessárias para atender às necessidades de alimentos, medicamentos e suprimentos hospitalares diante do avanço da pandemia.
Manifestamos nossa total concordância com todas as posições que, diante desta situação adversa para a humanidade, expressam sua convicção em favor da paz, da cooperação e da solidariedade; ao mesmo tempo em que condenamos veementemente a política intervencionista dos Estados Unidos em relação à nossa região.
Não à intervenção militar dos EUA na Venezuela!
Não ao bloqueio e às sanções econômicas contra Cuba e Venezuela!
Abril de 2020
Grupo de Trabalho CLACSO
Estudos sobre os Estados Unidos
Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho sobre Estudos dos EUA e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
