Raça e racismo no pensamento crítico caribenho
Seminário 2038
Cadeira: CLASSO
Coordenação: Felix A. Valdés García (Universidade de Havana, Cuba)
Equipe de ensino: Aristinete Bernardes Oliveira Neto (Universidade de Brasília, Brasil), Yohanka León del Río (Universidade de Havana, Cuba), José Antonio Matos Arévalos (Instituto de Filosofia, Havana, Cuba), Camila Valdés León (Universidade de Havana, Cuba)
Home: 17 / 09 / 2020 | Registo: 20/04/2020 al 16/09/2020
Carga horária: 12 semanas – 90 horas.
O estudo do pensamento caribenho despertou interesse, motivado pelo questionamento dos próprios fundamentos do conhecimento e da epistemologia tradicional ocidental dominante, bem como pela importância dos eventos históricos na região ou pela ameaçadora vulnerabilidade ambiental.
As preocupações com a colonialidade, a raça, a discriminação baseada na cor, no gênero e na epistemologia; o questionamento das premissas em que o conhecimento se baseia e, consequentemente, o poder hegemônico, tornaram visível a acumulação crítica expressa pelos pensadores caribenhos.
Genocídio e ocultação das raízes indígenas; ecocídio ou devastação do meio ambiente; raças (indígenas e negras); escravidão, dependência e independência da dominação colonial, a revolução emancipadora total, as plantações agrícolas e o desenvolvimento do capitalismo periférico, a crítica à história narrada e às ciências utilizadas para apoiar projetos nacionais, língua, cultura e religião, todos esses temas reaparecem repetidamente nos círculos acadêmicos e no ativismo social, permeados pela crítica e pela ação prática desenvolvidas por pensadores e atores caribenhos.
O curso se concentra em uma questão atual: cor da pele, raça e racismo anti-negro no Caribe. Isso permitiu que intelectuais da região transitassem da denúncia e da fenomenologia do fenômeno para a teoria, a filosofia e a mudança epistêmica. O debate fomentou uma ruptura teórica e conceitual que vai além da cor da pele e da biologia, oferecendo uma inversão da modernidade ocidental e revelando conexões, conceitos, ferramentas teóricas, políticas práticas e modos narrativos que transcendem o próprio tema. Intelectuais críticos defenderam a igualdade das raças humanas, cunharam conceitos como indigenismo, bobarismo, identidade mulata, transculturação, negritude, alienação pela cor, mimese do colonizado, crioulização, crioulo e racismo epistêmico. Eles inverteram narrativas tradicionais, revelaram eventos silenciados e tornaram visíveis maneiras alternativas de compreender a religião, a cultura, a língua, as artes e a filosofia nas Antilhas. O objetivo do curso é distinguir a obra de pensadores caribenhos sobre raça e sua transcendência teórico-filosófica ao longo da história, desde Las Casas e T. Louverture até os dias atuais.
- O encontro da Europa com o Outro nas ilhas do Caribe
- Haiti: Raça e Revolução
- Haiti: Raça e Revolução ao Longo do Século XX
- Entre a Negritude, a Identidade Mulata e a Transculturação
- Fernando Ortiz e a Decepção das Raças
- Negritude – um conceito para o pensamento universal. A obra crítica de Aimé Césaire.
- Da negritude à descolonização: a obra de Frantz Fanon
- De Marcus Garvey a Walter Rodney: A Transcendência do Poder Negro no Caribe Anglófono
- Do discurso antilhano de E. Glissant a Em Louvor da Crioula
- Mulheres caribenhas e feminismo insular. Feminismo negro.
- “A Argélia Remove o Véu” (Sociologia de uma Revolução ou Ano V da Revolução Argelina) Rupert Lewis, Marcus Garvey: Campeão Anticolonialista. (Fragmentos).
- Aimé Césaire, “Discurso sobre a Negritude. Negritude, Etnicidade e Culturas Afro-Americanas”. Extraído de Discurso sobre o Colonialismo, Akal, 2007. (Disponível na Antologia do Pensamento Crítico Caribenho Contemporâneo. Índias Ocidentais, Antilhas Francesas e Antilhas Holandesas)
- Aimé César. Discurso sobre o Colonialismo. Madri: Akal, 2007.
- Alissa Trotz. Gênero, Geração e Memória: Recordando um Futuro Caribenho.
- Antenor Firmin. A igualdade das raças humanas. Havana, Editora de Ciências Sociais, 2010. (Excerto)
- Brian Meeks, “CY Thomas, o Estado Autoritário e a Democracia Revolucionária”. De Caribe Radical: Do Poder Negro a Abu Baker. Kingston: Imprensa da Universidade das Índias Ocidentais, 1996. [Inglês].
- Claude Moïse e Emile Ollivier “Um fardo pesado”, retirado do Repenser Haïti. Grandeur et misères d'un mouvement démocratique (Montréal: Éditions du CIDIHCA) pp. 192-229, disponível em espanhol em Anthology of Contemporary Haitian Social Thought, CLACSO, 2018
- Constituição de Toussaint Louverture (1801) e Jean Jacques Dessalines (1805).
- Édouard Glissant. O Discurso Antilhano, 2010 (fragmentos). In: Antologia do Pensamento Crítico Caribenho Contemporâneo: Índias Ocidentais, Antilhas Francesas e Antilhas Holandesas. Coordenador: Felix Valdés García. Buenos Aires: CLACSO, Argentina, 2017.
- Epifania de mulatez. História e poesia. Compilação e prólogo José A. Matos Arévalos. Editorial da Fundação Fernando Ortiz. 2015. (Fragmento)
- Fernando Ortiz contra raça e racismo. Compilação de Jesús Guanche e José Matos. Editorial Ciências Sociais. 2013.
- Fernando Ortiz. A Decepção das Raças. Havana, Ciências Sociais. Trechos.
- Frantz Fanon. Os Condenados da Terra (1961). Havana: Ediciones Venceremos 1965. (Fragmentos).
- Frantz Fanon. Pele Negra, Máscaras Brancas. (Fragmentos).
- GUILLÉN, Nicolás. Fragmentos de Obras Poéticas 1920-1958, Tomo I, 1972 (“Prólogo a Sóngoro cosongo”, pp. 113-114, “Negro Bembón”, “Mulata”, “Si tú Supiera…”, “La canción del bongó”, “Canto Negro”, pp. 103-105, 116-118, 122-123.
- Jacques Stephane Alexis, ensaio “Prolegômenos para um maravilhoso realismo haitiano”, (1956, Paris, Premier Congrès des Écrivains et Artistes Noirs).
- Jean Bernabé, Patrick Chamoiseau e Raphaël Confiant, Em Elogio da Criolidade, Havana: Casa de las Américas, 2014 (Fragmentos). In: Antologia do pensamento crítico caribenho contemporâneo: Índias Ocidentais, Antilhas Francesas e Antilhas Holandesas. Coordenador: Félix Valdés García. Buenos Aires: CLACSO, Argentina, 2017.
- José Martí. Nossa América (edição crítica)
- Os Jacobinos Negros, CLR James, Fundo Editorial Casa de las Américas.
- Michel Rolph-Trouillot, “A Revolução Haitiana como um não-evento”, Antologia do Pensamento Social Haitiano Contemporâneo, CLACSO, 2018
- Ortiz, Fernando. “Sobre o fenômeno social da 'transculturação' e sua importância em Cuba”, Contraponto cubano do tabaco e do açúcar, Editorial de Ciencias Sociales, 1983, pp. 86-90.
- Ortiz, Fernando. “A chave xilofônica da música cubana”, Os instrumentos da música afro-cubana: Os instrumentos anatômicos e os bastões de percussão. Volume I, Publicações da Diretoria de Cultura do Ministério da Educação, 1952, (fragmentos).
- Ortiz, Fernando. Epifania da Identidade Mulata: História e Poesia, Fundação Fernando Ortiz, 2015. (Fragmentos).
- Quijano, A. (1991). "Colonialidade e modernidade/racionalidade". Peru Indígena, vol. 13 (nº 29): 11-29; e, E quanto às raças? Revista Venezuelana de Economia e Ciências Sociais, 2000, vol. 6, nº 1 (jan.-abr.), 37-45.
- René Depestre “Homo Papadocus”, Revista Casa, nº. 96, maio-junho de 1976, pp.
- René Depestre. Bom dia e adeus à negritude, Havana, Fundo Editorial Casa de las Américas, 1980. (Capítulo 2. Disponível na Antologia do pensamento crítico haitiano contemporâneo).
- Rhoda Reddock. Feminismo, nacionalismo e os primeiros movimentos feministas no Caribe anglófono (com especial referência à Jamaica e a Trinidad e Tobago).
- Suzy Castor, "Parte IV. A acomodação do aparelho neocolonial", A ocupação norte-americana..., Fondo Editorial Casa de las Américas, 1981, pp.
- Violet Eudine Barriteau. “Contribuições do feminismo negro para o pensamento feminista: uma perspectiva caribenha.”
- Walter Rodney, “Black Power – Its relevance to the West Indies” [em inglês]. Extraído de The Groundings with My Brothers. Londres, 1990. [Existe uma versão em espanhol na Anthology of Critical Thought]
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Perguntas frequentes
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