Declaração em apoio às legítimas reivindicações de justiça social da população chilena.
O Chile despertou. As mobilizações das últimas duas semanas no país despertaram consciências sobre a enorme desigualdade e injustiça produzidas pelas políticas neoliberais estabelecidas durante a ditadura cívico-militar de Pinochet e posteriormente aperfeiçoadas por governos democráticos.
A incapacidade do modelo econômico chileno de garantir e distribuir de forma justa rendimentos dignos para a maioria da população; a privatização de serviços básicos e da previdência social; e o descrédito generalizado da elite política e econômica têm alimentado o descontentamento da maioria da população.
O governo e a grande mídia responderam à mobilização criminalizando os protestos. Durante os primeiros dez dias da crise, foi decretado estado de emergência e toque de recolher, e militares foram mobilizados para reprimir a população. “Estamos em guerra”, declarou o presidente Piñera. Vinte mortes, cinco mil prisões e quase duas mil pessoas feridas atestam as ações dos agentes do Estado, que foram duramente criticadas por organizações de direitos humanos.
Como Grupo de Trabalho, declaramos nossa rejeição à violência repressiva utilizada por agentes do Estado chileno; manifestamos nosso apoio às legítimas reivindicações por justiça social da população chilena; e defendemos um amplo debate democrático para estabelecer bases políticas legítimas para as ações das instituições públicas e privadas no Chile, garantindo ao país e ao seu povo uma distribuição de riqueza melhor e mais justa, maiores direitos sociais, reconhecimento legal de suas culturas e descentralização de recursos em benefício de cada um de seus territórios.
Imagens de filmes, fotografias e histórias da memória de outros tempos são vistas hoje como uma ocorrência diária do tempo que devemos continuar a problematizar nessas ações de opressão contra o povo e sua revolta.
novembro 2019
Grupo de Trabalho CLACSO
Arte e política