Declaração sobre os recentes acontecimentos contra jovens negros em Cartagena, Colômbia.

 Declaração sobre os recentes acontecimentos contra jovens negros em Cartagena, Colômbia.

“Desejamos caminhos de liberdade, justiça, amor e dignidade para a juventude, mas sobretudo para a juventude negra, que historicamente tem sido marginalizada, ignorada, desacreditada e esquecida.”

Do Grupo de Trabalho da CLACSO “Afrodescendentes e propostas contra-hegemônicas” Fazemos a seguinte declaração em solidariedade às famílias das vítimas e em repúdio aos eventos ocorridos com os jovens e com as pessoas negras da periferia da cidade de Cartagena das Índias, na Colômbia.

Por ordem do Estado colombiano, desde o início da quarentena imposta devido à pandemia de Covid-19, muitos bairros operários na periferia das cidades caribenhas da Colômbia foram isolados e militarizados como estratégia para "minimizar" o alto número de casos de coronavírus nas áreas carentes das capitais. Assim, no caso de Cartagena das Índias, inúmeras violações de direitos humanos e ataques contra a vida de jovens desses bairros, particularmente jovens negros, começaram a aumentar nas mãos das forças militares, repressivas e policiais da cidade.

Esses abusos, maus-tratos e intimidações culminaram em cinco assassinatos não resolvidos de pessoas negras entre junho de 2020 e janeiro de 2021, a maioria jovens negros em situação de pobreza. Portanto, por meio desta declaração, queremos expressar que AS VIDAS DELES IMPORTAM PARA NÓS e exigimos urgentemente o esclarecimento das mortes de: Andrés Arturo Chiquillo Reyes (27 anos, bairro El Pozón, 09 de junho de 2020) Carlos Moré Calvo (26 anos, bairro Manuela Vergara de Curi, 19 de julho de 2020) Harold David Morales Pallares (17 anos, bairro de São Francisco, 24 de agosto de 2020), Ángel Enrique Arrieta Matos (42 anos, bairro República de Venezuela, 26 de dezembro de 2020), e Martín Elías Morales (17 anos, bairro Villa Estrella, 7 de fevereiro de 2021).  

Sabemos que o capitalismo neoliberal recorre a essas formas de morte e que esses rompantes de sonhos, esperanças e emoções não estão dissociados das estratégias de desapropriação e criminalização das vidas de pessoas negras, como parte da estrutura colonial de um país que vê nossos corpos como descartáveis, matáveis ​​e sujeitos a verificação constante e controle permanente.Sabemos que essas mortes ocorrem sob a cumplicidade de um racismo institucionalizado que nos descidadã, nos invalida e desacredita nossos modos de existir! 

Queremos reiterar que nosso compromisso político e acadêmico também visa à defesa da vida de jovens negros em bairros operários que, por meio de suas próprias expressões de resistência ancestral, seguem um caminho de luta entre a vida e a morte. Por essa razão, exigimos total transparência do Estado em relação a esses assassinatos sistemáticos de pessoas negras empobrecidas. Polícia Nacional de Cartagena.

Nos solidarizamos com as organizações comunitárias de base, coletivos e movimentos sociais que, por meio da criatividade e da força coletiva, clamam por justiça e pela reforma estrutural de um sistema policial racista e violento. Unimos nosso apelo de apoio à força de cada um dos ativistas e líderes sociais que, impulsionados pelo sonho inabalável de justiça social, continuam seu trabalho em meio a essas circunstâncias atrozes. Abraçamos essa causa e nos sentimos encorajados a prosseguir com essa união regional em defesa das vidas da juventude negra na América Latina e no Caribe, com esperança.

Nos solidarizamos com as famílias das vítimas e compartilhamos a indignação coletiva das comunidades marginalizadas e abusadas. Não queremos que mais nenhum jovem negro seja assassinado, humilhado ou maltratado! Queremos jovens que possam desfrutar dos espaços públicos em paz, serenidade e segurança. Jovens que se alegrem em seus momentos com todos. garantias de viver, amar, sonhar e resistir.  

Nem um minuto de silêncio, uma vida inteira de luta!

19 de fevereiro de 2021
Grupo de Trabalho CLACSO
Afrodescendentes e propostas contra-hegemônicas

Esta declaração expressa a posição do referido Grupo de Trabalho. Afrodescendentes e propostas contra-hegemônicas e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.