Processos urbanos na América Latina: (In)justiças e (In)desigualdades

 Processos urbanos na América Latina: (In)justiças e (In)desigualdades

O Grupo de Trabalho CLACSO “Processos urbanos na América Latina: (In)justiças e (In)desigualdades"realiza seu encontro anual nos dias 8, 9 e 10 de outubro no Paraguai, na Faculdade de Arquitetura, Desenho e Arte da Universidade Nacional de Assunção, localizada no Campus San Lorenzo."

Este encontro constitui um espaço de diálogo, debate e reflexão regional sobre as transformações urbanas contemporâneas na América Latina, entendidas como prismas a partir dos quais se podem analisar a dinâmica das (in)justiças e (des)igualdades sociais e urbanas no continente.

Como evento de encerramento do seu terceiro ano de funcionamento, o GT organiza o Seminário Internacional “Processos Urbanos Latino-Americanos: (in)justiças e (des)igualdades”, concebido tanto como um espaço para sintetizar o trabalho coletivo quanto para projetar novas linhas de pesquisa sobre desigualdades e injustiças nas cidades latino-americanas.


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Mais informação:


O encontro convida à apresentação de propostas e debates em torno de quatro áreas temáticas:

Eixo temático 1. Urbanização, mercantilização e extrativismo urbano

Coordenação:
Loreto Rojas-Symmes (Universidade Alberto Hurtado, Chile)
Mercedes Di Virgilio (UBA-CONICET)
Vicente Moctezuma (UNAM, México)
Manuel Dammert (PUCP, Peru)

O modelo de urbanização latino-americano é heterogêneo em suas modalidades e lógicas de crescimento e consolidação. No entanto, processos cada vez mais intensos de especulação e mercantilização da terra, da habitação e dos serviços são comuns. Isso ocorre em diferentes configurações territoriais, incluindo zonas de transição urbano-rural, espaços autoconstruídos (categorizados como “informais”) e áreas consolidadas. As lógicas da financeirização e do extrativismo urbano expressam a luta e a acumulação de recursos, bem como novas formas de articulação entre o mercado, o Estado e a sociedade. Nesta seção, são esperadas apresentações que abordem essas questões com base em pesquisa empírica. Alguns dos subtópicos a serem discutidos incluem: aluguel e submercados formais e informais; formas de apropriação e desapropriação de terras urbanas e rurais; transformações periurbanas; especulação e mercantilização da terra, da habitação e dos serviços; crime e governança territorial; entre outros.


Eixo temático 2. Direito à cidade: entre capacidades institucionais e movimentos de resistência

Coordenação:
Victor Delgadillo (UACM, México)
Magela Cabrera (Universidade do Panamá)
María Laura Canestraro (UNMDP-CONICET, Argentina)
Ana Raquel Flores (UNA, Paraguai)

O Direito à Cidade, frequentemente entendido como uma utopia a ser construída e, por vezes, como um direito legal a ser conquistado, tornou-se uma plataforma de luta na América Latina que abrange uma ampla gama de demandas cidadãs: acesso à moradia acessível, defesa dos bairros contra investimentos privados ou políticas públicas, combate a despejos e deslocamentos devido à alta dos preços da terra e da habitação, prevenção da exploração das cidades por aplicativos e plataformas capitalistas digitais e enfrentamento do desperdício urbano resultante da financeirização da habitação e da transformação da cidade em um veículo para investimentos financeiros globais, o que, em última análise, desapropria e desloca moradores, comércios e serviços tradicionais dos bairros. Por outro lado, nas últimas décadas, em um contexto de mudanças nas dinâmicas de poder e nas capacidades institucionais, algumas cidades governadas por forças políticas progressistas implementaram programas sociais que visam — com diferentes ênfases e alcances — reduzir as desigualdades socioespaciais e integrar física e socialmente bairros informais de baixa renda à cidade. Nesta área temática, esperamos receber artigos que contribuam para enriquecer o debate sobre o Direito à Cidade e as lutas de resistência contra os excessos do sistema, que em algumas cidades e contextos históricos conseguiram conquistar certos direitos sociais e/ou melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em bairros de baixa renda. Artigos que examinem criticamente a implementação de programas de melhoria de bairros periféricos e centrais, e de habitação acessível, e que destaquem as conquistas dos movimentos sociais e da resistência, são bem-vindos.


Eixo temático 3: "Mobilidades desiguais, espaço público e cuidado"

Coordenação:
Paulette Landon (UAH, Chile)
Alejandro Cortés Salinas (UAH, Chile)
Pablo Vega Centeno (PUCP, Peru)
Hernando Sáenz Acosta (Universidade Santo Tomás, Colômbia)

As cidades latino-americanas estão passando por profundas transformações impulsionadas por mudanças na mobilidade urbana. Aspectos relacionados à infraestrutura, sua produção, sua distribuição desigual pelo território e a qualidade dos serviços que ela oferece revelam lacunas históricas de acesso, segurança e qualidade dos deslocamentos diários. Este tema busca reunir pesquisadores interessados ​​em analisar como essas desigualdades se expressam e se reproduzem em contextos urbanos marcados por fortes contrastes socioespaciais. Esperamos contribuições que abordem criticamente a relação entre mobilidade e equidade territorial, considerando tanto as condições materiais da infraestrutura quanto suas implicações em termos de gênero, idade, classe e território. Em particular, convidamos artigos que explorem a interação entre mobilidade diária, espaço público e práticas de cuidado, atentando para como essas dimensões se configuram em cenários urbanos específicos da região. Temos interesse em fomentar uma discussão ampla, interdisciplinar e situada que considere diversas condições geográficas — como declives, climas e escalas urbanas — bem como políticas públicas, modos de habitar e movimentos de resistência locais que moldam as práticas de mobilidade. Este edital de submissão de artigos está aberto a estudos empíricos, teóricos e metodológicos, com ênfase especial em abordagens críticas e territoriais.


Eixo 4: “Desigualdades territoriais: infraestrutura, interseccionalidade e políticas públicas na América Latina”

Coordenação:
Paola Jirón (Universidade do Chile)
Tilmann Heil (MECILA/UzK, Brasil/Alemanha)
Ana Laura Elorza (UNC-CONICET)
Jaime Erazo (Rede CIVITIC)

Este tema propõe um debate interdisciplinar, colocando em diálogo as múltiplas desigualdades territoriais que permeiam a América Latina, com foco em três dimensões-chave: infraestrutura (cuidados, mobilidade, reparo e regeneração urbana, etc.), diferenças interseccionais (gênero, classe, etnia, entre outras) e o papel das políticas públicas. Convidamos pesquisas que abordem criticamente essas realidades complexas, desde as políticas e discursos institucionais que respondem (ou deixam de responder) aos desafios infraestruturais e às desigualdades multifacetadas, até os agentes (humanos e não humanos) que estabelecem, adaptam ou transformam as políticas, experiências e materialidades da cidade. Encorajamos submissões de diversas perspectivas metodológicas, incluindo estudos de caso, análises comparativas e trabalhos teóricos.