Pelo direito dos povos de resistir

 Pelo direito dos povos de resistir

Não ao terrorismo de Estado!
Pelo direito dos povos de resistir!

O Grupo de Trabalho de Agroecologia Política da CLACSO se solidariza com o povo equatoriano, que resiste e se recusa a ser silenciado diante dos repetidos abusos do atual governo. Desde que assumiu o poder, este governo implementou políticas que continuam a empobrecer, marginalizar, violar e perseguir a vida dos trabalhadores equatorianos. Essa situação precária afeta desproporcionalmente os grupos sociais mais vulneráveis, como mulheres, jovens, crianças e idosos, principalmente em áreas rurais e entre comunidades indígenas. Esse empobrecimento é sistêmico e agravado pelo racismo e pelo patriarcado.

O Decreto 126, aprovado em 13 de setembro deste ano, que elimina o subsídio ao diesel, nada mais é do que uma cortina de fumaça usada pelo regime para desorientar a população, gerar caos social e agravar a crise econômica, com a firme intenção de continuar polarizando as forças políticas no país, a fim de tentar modificar a Constituição do Equador, redigida em 2008 com a participação do povo equatoriano, e que reconhece e afirma os direitos do povo e da natureza, que têm sido violados pelo regime atual, como o direito ao protesto e à resistência, mencionado no Artigo 98.

Condenamos veementemente o uso letal e crescente da força pelo aparato repressivo do Estado contra o povo soberano, que hoje completa 17 dias de luta e resistência pela sua dignidade. Essa luta resultou no assassinato do nosso camarada Efraín Fuerez, membro da comunidade da província de Imbabura, e em inúmeros feridos e prisões. Rejeitamos tanto os atos cometidos quanto o discurso de ódio fascista e racista do governo e dos seus meios de comunicação afiliados, que tentam legitimar a violência.

As organizações populares autônomas que resistem na greve nacional fazem parte das comunidades camponesas e de agricultura familiar, dos trabalhadores rurais e urbanos que alimentam a população, sustentam a economia e cultivam a terra com amor e dedicação. Essas pessoas estão sendo injustamente assassinadas, torturadas e perseguidas pelo governo plutocrático de Noboa.

Sabemos que, se a agricultura parar, as cidades não serão alimentadas, e é por isso que é crucial que as demandas do povo equatoriano sejam atendidas com urgência. Portanto, instamos o governo a servir ao povo, e não ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao narcotráfico e às indústrias extrativistas. E, em apoio aos movimentos sociais, exigimos respeito, liberdade e justiça para aqueles que foram assassinados, reprimidos e presos por defenderem os direitos de todos os equatorianos.

Nos solidarizamos e apoiamos as mobilizações do povo equatoriano em defesa de sua dignidade e da vida de todos.

Viva o povo que luta!
Do Equador à Palestina!

13 outubro 2025
Grupo de Trabalho CLACSO sobre Agroecologia Política

Este texto expressa a posição do Grupo de Trabalho de Agroecologia Política e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.