Périplos. Revista de pesquisa sobre migrações Vol. 5 não. 1, 2021
Périplos. Revista de pesquisa sobre migrações (Vol. 5 no. 1 2021).
Corredores migratórios na América Latina: novos fluxos migratórios, novas territorialidades, novas restrições.
Coordenadores: Claudia Pedone, Bruno Miranda e Soledad Álvarez Velasco
Grupos de Trabalho da CLACSO sobre Migração Sul-Sul e Fronteiras: Mobilidades, Identidades e Comércio
2021
O apelo desta Edição Temática visava desvendar a complexa dinâmica que constitui os diversos corredores migratórios que atualmente emergem nas Américas. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) — cuja influência é fundamental na governança global da migração e nas políticas migratórias que a grande maioria dos Estados adota para controlar violentamente a mobilidade, particularmente de migrantes de países empobrecidos e assolados por conflitos (Geiger e Pécoud, 2010) — não define especificamente o termo "corredor migratório" em seus documentos de trabalho ou em seu Glossário de Termos (2019). No entanto, utiliza esse termo para descrever "uma acumulação de movimentos migratórios ao longo do tempo" que ocorrem entre um determinado país de origem e um país de destino (UN DESA, 2019; OIM, 2020, p. 58).
Diante dessa conceitualização vaga, o Relatório Mundial sobre Migração (2020), utilizando apenas dados migratórios, identifica os “10 principais” chamados “corredores migratórios” em cada uma das regiões estudadas. Os dados numéricos publicados (bem como a definição que os acompanha) sugerem, na verdade, um movimento supostamente unidirecional acumulado ao longo do tempo entre um país de origem e um país de destino. Para a América Latina e o Caribe, o mesmo relatório confirma a existência de diversos “corredores migratórios”, sendo estes os mais…
Predominantes: México-EUA; El Salvador-EUA; Cuba-EUA; República Dominicana-EUA; Guatemala-EUA; Venezuela-Colômbia, entre outros (OIM, 2020, p. 109).
A análise dos avanços e retrocessos em matéria de migração, bem como a coexistência de discursos e marcos legais progressistas com políticas repressivas e restritivas durante a virada “pós-neoliberal” (o caso equatoriano é emblemático nesse sentido), permite-nos compreender a atual formação e transformação dos corredores migratórios em questão, onde “formas de soft power, que vão desde disposições legais a mecanismos biopolíticos e necropolíticos”, como aponta Yerko Castro neste volume, têm sido postas em prática visando migrantes regionais e transcontinentais e requerentes de asilo, exacerbando seu risco de morte.
Você pode ler e compartilhar o documento em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/gt/20210609122017/PeriplosV5N1.pdf