“Para mudar a realidade, precisamos promover iniciativas da juventude.”
No âmbito do V Congresso Internacional de Pesquisadores sobre a Juventude, organizado pelo Centro de Estudos da Juventude e pela União da Juventude Comunista de Cuba, de 23 a 27 de setembro, em Varadero, Cuba, Minawee Lopez, coordenador do Conselho Nacional da Juventude da Guatemala, conversou com CLACSO.tv.
A integrante da comunidade Xinka falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos jovens em seu país: “A centralização de oportunidades nos centros urbanos, neste caso a Cidade da Guatemala, impede que outros jovens tenham acesso a elas. Educação, saúde e outras áreas limitam seu desenvolvimento. Atualmente, o Conselho está empenhado em levar essas oportunidades às comunidades rurais. Porque é nessas comunidades que os jovens não tiveram a oportunidade de serem ouvidos, de buscar oportunidades para o futuro. Porque (...) a juventude é o presente, mas nosso talento está indo para outros países porque faltam oportunidades em nosso próprio país.”
Em relação à migração na Guatemala, ele enfatizou: “As remessas representam 20% do PIB. É um valor considerável. Os jovens não têm outra opção senão migrar; essa é a realidade deles. Penso em quando eu era estudante, quantas pessoas foram para o exterior? Muitas. E dos meus colegas, dos meus colegas de classe, muito poucos ainda estão na Guatemala. E isso não é algo que se ouve apenas na minha região; ouve-se isso em áreas vizinhas e em todo o país. Para os jovens, a única maneira que encontram, a mais fácil e imediata, é migrar.”
“Acredito que a única maneira de mudar essa realidade é amplificar as iniciativas da juventude e ouvir suas vozes. Porque existe talento. Existem artistas realizando trabalhos comunitários, demonstrando que é possível mudar nosso ambiente por meio da participação política, social e cultural. Por que não coordenar mais ações, buscar esforços conjuntos maiores? Estou falando de alianças estratégicas. O setor privado, a sociedade civil, as organizações, a cooperação internacional e, claro, as instituições públicas — todos são necessários para orientar os esforços coletivos em direção a um propósito significativo para os jovens”, acrescentou.
Entrevista concedida a Gustavo Lema.
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