Pandemia e sociedade: resistência(s)
Seminário 2222
CadeiraCLACSO
Coordenação: João Arriscado Nunes e Susana de Noronha (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra, Portugal)
Equipe de ensino: João Arriscado Nunes (Universidade de Coimbra, Portugal), Susana de Noronha (Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Portugal), Cristina Larrea-Killinger (Universidade de Barcelona, Espanha), Carla Braga (Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique), Cesaltina Abreu (Universidade Católica de Angola, Luanda, Angola), Paul Hersch Martínez (Instituto Nacional de Antropologia e História, México), Sebastian Medina Gay (Universidade do Chile), Raquel (Universidade Federal do Sul da Bahia, Brasil), Fernando Ferreira Carneiro,
Pesquisadora em Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz, no Ceará, Brasil.
Nayara Scalco (Pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do estado de São Paulo e membro do GT de Saúde Indígena da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO).
Início: 22/04/2022 | Inscrição: 21/12/2021 a 21/04/2022
Carga horária: 12 semanas – 90 horas.
Este seminário estrutura-se em torno do tema da pandemia, suas múltiplas representações e dois saberes, práticas e vozes diversas que emergem do Sul geográfico, geopolítico e epistêmico, à medida que se respondem uns aos outros, criando alternativas e resistências, em busca de um saber mais abrangente, horizontal e heterogêneo. As narrativas e a criatividade de pesquisadores, ativistas, cidadãos, pacientes, terapeutas e cuidadores expressam suas demandas e estratégias de luto, servindo como ponto de partida e conectando a equipe docente às suas diferentes reflexões. As abordagens teóricas e empíricas serão apresentadas por professores/pesquisadores da América do Sul, África e Sul da Europa, com linhas de trabalho articuladas a estratégias atuais que partem de outros saberes, onde a ciência é apenas duas entre muitas peças de saber em diálogo. Ao conectar a pandemia às demais esferas da existência, este seminário visa repensar a saúde e a COVID-19, abrindo-se à reflexão como um entrelaçamento de saberes incorporados, científicos e criativos, aprendendo por meio da academia ou do ativismo, da imaginação e da experiência vivida.
A monocultura do conhecimento que rege os sistemas de saúde, sucessivamente reafirmada e fortalecida, estabelece a medicalização, desvalorizando a prevenção e expondo o contexto que fragiliza os corpos, não conseguindo responder às urgências e à violência vivenciadas pela pandemia de longa duração. A lógica capitalista — que desconsidera tudo o que está fora dos dois sistemas de saúde e assistência — demonstra relativa indiferença pelas causalidades sociais, políticas e econômicas que promovem e exacerbam os problemas que tememos e vivenciamos, como a COVID-19, entre outras epidemias e pandemias, e se concentra na versão hegemônica da (bio)medicina, da terapia e da medicação, subverte, invisibiliza e silencia as experiências, os saberes, as ideias e as ações com potencial para prolongar em 3/12 a forma como vivemos, compreendemos e agimos em relação à nossa saúde. Num mundo cada vez mais desigual, onde o acesso e a saúde direta deixam de ser prioridade, desmantelamos as redes de instituições e serviços que prestam cuidados globais, numa lógica de crescente privatização, e ignoramos aqueles que nunca recebem ou recebem acompanhamento de médicos, centros de saúde ou hospitais. Diante dessa precariedade de vida, nossa reflexão e ação devem se concentrar na partilha e no aprendizado com todos aqueles que buscam desenvolver outras respostas à dignidade da saúde coletiva, unindo gestos e vozes para repensar e refazer um sistema que valorize a produção de saúde, assim como a produção de doença.
- Apresentação geral e introdução
- Uma pandemia em todos os seis estados
- Outra forma de explicar/contar/ilustrar a pandemia e o confinamento a partir da perspectiva acadêmica.
- Desafios de fazer etnografia em tempos de pandemia
- Desnaturação e historicização da pandemia de COVID-19 na África
- Da condição de Ser à necessidade do Devir: as humanidades públicas na acção pós-Covid-19 em África.
- COVID-19 como marcador múltiplo: um exercício analítico a partir da dinâmica de uma comunidade indígena em Morelos, México.
- Fragmentos de uma epistemologia das crises eco-socio-sanitárias na perspectiva da saúde coletiva latino-americana
- Projeto REDE BEM-ESTAR – apoio e cuidados em saúde mental durante a pandemia de COVID-19
- Vigilância popular em saúde e meio ambiente: práticas emancipatórias diante da pandemia do coronavírus?
- “Acontece que decidimos não morrer”: a luta contra a pandemia pelos povos indígenas brasileiros da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)
- Amado, Luiz Henrique Eloy; Ribeiro, Ana Maria Motta. “Panorama e desafios dos povos indígenas no contexto da pandemia de Covid-19 no Brasil.” Confluências: Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito. Niterói. 22, n.2, 2020. pp. https://periodicos.uff.br/confluencias/article/view/43050/25358
- Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Bloco 2: Vidas Indígenas. In: APIB. COVID-19 e Povos Indígenas: o confronto da violência durante a pandemia. Novembro/2020. p. 41-74. https://emergenciaindigena.apiboficial.org/files/2020/12/APIB_nossalutaepelavida_v7PT.pdf
- Calcinhas Carla Teófilo. “Machamba não funciona!”: HIV/SIDA e produção agrícola no centro de Moçambique. Revista de Estudos Feministas, 2019, 27.3.
- Breilh, J. (2020). SARS-CoV2: Rompendo o cerco da ciência do poder: Um cenário de cerco à vida, aos povos e à ciência. Em P. Amadeo (Ed.), Pós-normal (pp. 31–90). ASPO (Isolamento Social Preventivo e Obrigatório).
- Carneiro, Fernando Ferreira, & Pessoa, Vanira Matos. (2020). Iniciativas de organização comunitária e Covid-19: esboços para uma vigilância popular da saúde e do ambiente. Trabalho, Educação e Saúde, 18(3). https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00298
- Keleman Saxena, Alder; Lee Johnson, Jennifer (2020) “Indícios para a etnografia em tempos de pandemia: pensando com a sociabilidade digital na pandemia da Covid-19”, Somatosphere, 31 de maio. http://somatosphere.net/2020/ethnography-in-pandamning-times.html/
- Machado, Ricardo. “Ubuntu: a filosofia africana confronta o poder autodestrutivo do pensamento ocidental, segundo o endosso de filósofos” (Entrevista com Jean Bosco Kakozi Kashindi), Opera Mundi, novembro de 2015. https://operamundi.uol.com.br/samuel/42253/ubuntu-filosofia-africana-confronta-poderautodestrutivo-do-pensamento-ocidental-avalia-filosofo
- Martínez, Paul Hersch (2013) “Epidemiologia sociocultural: uma perspectiva necessária”, Saúde Pública do México, 55(5): 512-518. http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0036-36342013000700009
- Martínez, Paul Hersch (no prelo) “Colonialidade como dispositivo patogénico estrutural: rumo a uma sociologia das emergências no campo da saúde”, no livro: Polifonias da saúde: participação e interculturalidade no direito à saúde, coordenado por Boaventura de Sousa Santos, João Arriscado Nunes e Maria Paula Meneses, Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra.
- Mbembe, Achille. Le Droit Universel à la Respiration, 2020.
- Medina, S., & Ibacache Burgos. (2020). Itinerários de cuidado e negligência em saúde no Arquipélago de Chiloé: Um ensaio baseado em 7 cenas. In C. Merino, Saúde Coletiva do Sul (pp. 153–178). Ril Editores.
- Menéndez, Eduardo (2020). “A pandemia do coronavírus como reveladora de contradições, desejos e negações”, in Evangelidou, Stella; Martínez-Hernáez, Angel (eds.) RESET: Reflexões antropológicas sobre a pandemia COVID-19. Tarragona: Publicações URV. leitura Antropologia Médica. http://llibres.urv.cat/index.php/purv/catalog/book/448
- Ndlovu-Gatsheni, Sabelo J. “Introdução: Busquem primeiro a liberdade epistêmica”, em Liberdade epistêmica na África: Desprovincialização e descolonização. Routledge, 2018.
- Noronha, Susana de (2018) “Cancro, Arte e Ação: experiências e projetos de mulheres e homens portugueses”, Configurações: Revista de Sociologia, Vol. 22: páginas 101-116. https://journals.openedition.org/configuracoes/6097
- Noronha, Susana de (2020) “A Pandemia e a Cidade Cheia”, artigo na rubrica digital CES (com)vida 2020 – Arquivos da Pandemia. Coimbra: CES. https://www.ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/arquivos-da-pandemia/3-abr-2020/apandemia-ea-cidade-cheia
- Noronha, Susana de; Meneses, Maria Paula; Nunes, João Arriscado (2019) “A Saúde e as Epistemologias do Sul”, in Ciclo de Seminários CES, Saúde e Epistemologias do Sul. Coimbra: CES. https://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/CES_Health_ESouth.pdf
- Nunes, João Arriscado (2020) “Uma pandemia e seus contextos”, Rubrica Alice Comenta, ALICE News. CES, Universidade de Coimbra, Portugal. https://alicenews.ces.uc.pt/index.php?lang=1&id=31609
- Santos, Boaventura de Sousa (2020) “Uma pedagogia intensa dos vírus”, Rubrica Alice Comenta, ALICE News. CES, Universidade de Coimbra, Portugal. https://alicenews.ces.uc.pt/index.php?lang=1&id=28849
- Sevalho, Gil. (2016). Equipamentos críticos para o desenvolvimento da vigilância em saúde civil. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 26(2), 611-632. https://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312016000200014
- Siegmund, Gerson e Lisboa, Carolina. (2015). Orientação Psicológica On-line: Percepção Profissional do Relacionamento com Clientes. Psicologia: Ciência e Profissão, 35(1), 168-181. https://dx.doi.org/10.1590/1982-3703001312012
- Souza, Cláudia Teresa Vieira; Santana, Clarice Silva; Ferreira, Patrícia; Nunes, João Arriscado; Teixeira, Maria de Lourdes Benamor & Gouvêa, Maria Isabel Fragoso da Silveira. (2020). Cuidando em tempos de COVID-19: lições aprendidas entre ciência e sociedade. Cadernos de Saúde Pública, 36(6). https://doi.org/10.1590/0102-311x00115020
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Perguntas frequentes
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- Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
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