Novos desafios sociais e reestruturação da ação pública na América Latina. Colóquio Internacional

 Novos desafios sociais e reestruturação da ação pública na América Latina. Colóquio Internacional


Novos desafios sociais e reestruturação da ação pública na América Latina
Colóquio Internacional sobre Desigualdades Urbanas e Pós-Pandemia a partir de uma Perspectiva Interseccional

25 e 26 de setembro de 2023 | Cidade de Buenos Aires
Instituto de Pesquisa Gino Germani, Universidade de Buenos Aires
Uriburu 950, 6º andar

Apresentação

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a disseminação do vírus SARS-CoV-2 (COVID-19) uma pandemia global. Em 23 de março de 2020, o acordo pelo qual o Conselho Geral de Saúde reconheceu a COVID-19 como uma doença grave que exigia atenção prioritária foi publicado no Diário Oficial da Federação. A partir dessa data, as intervenções governamentais seriam cruciais para enfrentar a devastação econômica e social causada pela pandemia.

A grave pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 (COVID-19) teve múltiplos efeitos interligados nas sociedades latino-americanas: evidenciou as grandes desigualdades socioeconômicas e as iniquidades existentes no acesso e na qualidade de bens e serviços; forçou a reestruturação dos sistemas públicos de saúde para enfrentar e priorizar a emergência sanitária; gerou uma profunda crise econômica devido ao fechamento de um grande número de empresas e à queda na renda dos trabalhadores, e, consequentemente, ao aumento da pobreza; transformou a vida social, obrigando indivíduos e famílias a se confinar em suas casas, mesmo em condições de extrema superlotação; obrigou as mulheres a acrescentar às suas tradicionais tarefas de cuidado o cuidado com os doentes e o apoio às atividades de aprendizagem online de seus filhos; provocou uma convivência forçada que teve inúmeras consequências em termos psicológicos e fomentou situações de violência doméstica, entre muitas outras coisas.

Da mesma forma, a pandemia evidenciou os graves problemas estruturais de nossas sociedades latino-americanas e a limitada capacidade de nossos Estados para lidar com uma crise sanitária de magnitude sem precedentes e dimensões imprevisíveis. A CEPAL estimou que, nos estágios iniciais da emergência, os gastos públicos para o enfrentamento da pandemia nos países latino-americanos foram muito limitados e desiguais, com o Brasil destinando a maior porcentagem de seu PIB (4,02%), seguido pela Bolívia (2,83%) e Argentina (2,23%), enquanto o Equador (0,13%) e a Argentina (0,14%) destinaram os menores recursos.

As políticas sociais implementadas para enfrentar a emergência em todos os países focaram inicialmente na contenção. O isolamento e/ou o distanciamento social foram impostos com diferentes graus de rigor em todas as cidades latino-americanas. A adaptação dos sistemas de saúde para o atendimento de pacientes com COVID-19, seguida pela vacinação em massa e gratuita, foram as principais ações. Nesse contexto, os governos nacionais responderam de acordo com as necessidades e os recursos disponíveis, buscando garantir que a população continuasse a receber alguma renda (por exemplo, o programa Renda Familiar Emergencial na Argentina ou a ampliação do número de beneficiários de programas de proteção social e bolsas de estudo para alunos do ensino fundamental no México). Em bairros de baixa renda de diversas cidades latino-americanas, isso foi complementado pela distribuição gratuita de alimentos básicos e água potável, bem como por medidas para evitar despejos por falta de pagamento de aluguel, entre muitas outras ações governamentais, concentradas nos níveis federal ou central.

Da mesma forma, em um contexto em que os cidadãos exigiam respostas imediatas, muitos governos locais redirecionaram seus próprios recursos para atender às necessidades de suas populações. Como é típico em situações de risco social, a pandemia também mobilizou redes de apoio comunitário e familiar para mitigar os impactos decorrentes da emergência.

Os inúmeros projetos de pesquisa realizados nos últimos anos compilaram e analisaram tanto os efeitos da pandemia sobre o aumento da pobreza e da desigualdade na América Latina, quanto as múltiplas ações empreendidas por governos nacionais e locais e organizações sociais para mitigar os efeitos mais graves dessa pandemia global. Vários desses projetos foram publicados e/ou divulgados pela CLACSO, e muitos indicam que um dos corolários da pandemia deve ser a reestruturação de todas as políticas sociais, tanto em nível federal quanto local. Essas políticas vêm sendo concebidas e implementadas há mais de duas décadas em nossos países, com pouquíssimas variações, apesar de suas evidentes limitações. Analisar os sistemas, as estruturas, as ações, os recursos e os resultados que compõem a complexa rede de políticas sociais em nível central e local não é apenas um objetivo relevante, mas essencial no contexto atual, e este projeto se insere nesse contexto. Seminário Internacional “Novos desafios sociais e reestruturação da ação pública na América Latina”, que é organizado pelos Grupos de Trabalho da CLACSO “Pobreza e políticas sociais”, “Processos urbanos latino-americanos: (in)justiças e (in)desigualdades” e “Desigualdades, estrutura social e política”.

Nesse contexto, as principais questões que iniciam esse diálogo entre acadêmicos latino-americanos são:

• Quais são os desafios apresentados pelo cenário pós-pandemia em termos de pobreza e desigualdade?

• Que tipos de políticas sociais podem responder aos desafios colocados pelo contexto pós-pandemia?

• Quais são os desafios que os diferentes setores representam para as políticas sociais?

Objetivos

• Identificar os desafios colocados pelo cenário pós-pandemia em termos de pobreza, desigualdades e políticas sociais.

• Caracterizar os métodos de intervenção das políticas sociais na região, as características que adotam de acordo com o setor e os grupos sociais, e as suas formas de implementação.

• Abrir um espaço para o Diálogo Social entre os três Grupos de Trabalho da CLACSO mencionados acima, que incluem pesquisadores da Argentina, Colômbia, Equador, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

Dinâmica do encontro

O seminário se desenrola em três sessões de trabalho. Um painel principal, que serve como sessão de abertura, se concentra na identificação dos desafios colocados pelo cenário pós-pandemia em termos de pobreza, desigualdade e políticas sociais.

Um painel sobre desigualdade e políticas sociais que nos permite reconhecer as interações entre as políticas sociais e outras dimensões da vida social, como gênero, vida urbana, etc.

Um painel final sobre pobreza e políticas sociais irá explorar que tipos de iniciativas estão sendo implementadas atualmente para combater a pobreza no cenário da pandemia, quais grupos são os beneficiários dessas ações e como elas são implementadas.

Em todos os casos, os painéis são organizados em torno da apresentação de trabalhos por três ou quatro palestrantes e das contribuições dos comentaristas. Os moderadores serão responsáveis ​​por gerenciar o tempo e o fluxo do diálogo em cada painel.

• As atividades são abertas à comunidade acadêmica e ao público em geral.

• Não será cobrada nenhuma taxa de entrada e/ou inscrição para a apresentação das obras.


PROGRAMA DO CURSO

Dia 1: 25 de setembro, das 16h às 19h

Sessão Inaugural

  • Martin Unzué. Diretor IIGG-UBA
  • Karina Batthyány, Diretora Executiva, CLACSO
  • Pablo Vommaro. Diretor de Pesquisa, CLACSO
  • María Carla Rodríguez (IIGG-UBA | CONICET)
  • María Mercedes Di Virgilio (IIGG-UBA | CONICET)

Painel Inaugural

  • Rolando Cordera e Alicia Ziccardi (PUED-IIS-UNAM)
  • Agustín Salvia (UCA|IIGG|CONICET)
  • Pablo Yanes (CEPAL)

Comente: María Mercedes Di Virgilio (IIGG-UBA)
ModeradorMelina Tobias (IIGG-UBA)

Dia 2: 26 de setembro

Tabela 1: Desigualdade e políticas sociais, das 10h às 13h.

  • Manuel Dammert (PUCP)
  • Vicente Moctezuma (ISS-UNAM)
  • Mercedes Najman (CONICET | IIGG-UBA)
  • Karina Videgain (PUED-UNAM)

ComenteRamiro Segura (IDAES | UNL | CONICET) e Carlos Fidel (UNQ)
ModeradorValeria Laura Snitcofsky (UBA | CONICET)

Tabela 2: Pobreza e políticas sociais, das 14h às 18h

  • Victor Borrás e Tabaré Fernández Aguerre (Universidade da República)
  • Flavio Gaitán (UNILA)
  • Luís Ortiz (ICSO)
  • Rosa María Voghon Hernández (Pesquisadora Independente)
  • Iliana Yaschine (PUED-UNAM)

Comente: Carmen Midaglia (Univ. da República) e María Carla Rodriguez (IIGG-UBA | CONICET)
Modera: Jesica Pla (CONICET | IIGG-UBA)



ORGANIZAR

Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Pobreza e Políticas Sociais
Grupo de Trabalho CLACSO sobre Processos Urbanos na América Latina: (in)justiças e (in)desigualdades
Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Desigualdades, Estrutura Social e Política


APOIAR

Departamento de Economia e Administração
Universidade Nacional de Quilmes
Argentina

Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai

FLACSO
Equador

IDEIAS
Universidade Nacional de San Martin
Argentina

Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina

Instituto de Pesquisa Social
Universidade Nacional Autônoma do México
México

Programa Universitário de Estudos de Desenvolvimento
Universidade Nacional Autônoma do México
México

CLASSO