Mulheres na nova direita. Ferramentas para pensar a política a partir de um lugar de desconforto.
COORDENAÇÃO
Melina Vázquez e Carolina Spataro (UBA, Argentina)
CORPO DOCENTE
Melina Vázquez (UBA, Argentina) | Carolina Spataro (UBA, Argentina) | Cláudia Jareño (UAM, Espanha)
Home: 12 / 08 / 2026 | Registo: 10/06/2026 al 11/08/2026
Modalidade: Virtual com aulas ao vivo e materiais exclusivos
Carga horária: 50 horas
Duração: Mensagem 1
A expansão da nova direita na América Latina tem sido explicada principalmente por suas agendas de liberalização econômica, sua crítica ao Estado, seus componentes ideológicos — como o antifeminismo ou a rejeição da chamada "ideologia de gênero" — ou seu lugar dentro de um fenômeno global mais amplo. Poucos estudos questionaram quem são seus adeptos, como e por que defendem essas ideias, ou mesmo por que atuam dentro desse movimento. O foco tem sido principalmente em jovens em empregos precários ou homens irritados com os avanços do feminismo. No entanto, a nova direita também inclui figuras femininas — como María Corina Machado (Venezuela), Keiko Fujimori (Peru), Laura Fernández Delgado (Costa Rica) e Victoria Villaruel (Argentina) — bem como ativistas.
Quem são essas mulheres? Existiram outras antes delas? Como chegaram até aqui? Quais são suas reivindicações? Como esse ativismo se relaciona com a expansão das agendas feministas na última década e com as mobilizações em larga escala em favor do aborto legal ou contra os feminicídios?
Este curso oferece ferramentas para analisar esse fenômeno sem recorrer a explicações simplistas e óbvias. Para tanto, vamos nos aprofundar no presente, mas também explorar uma perspectiva histórica mais ampla que incentiva um olhar renovado sobre os eventos atuais. Não é necessário conhecimento prévio, apenas a disposição para mergulhar em um mundo inexplorado e a abertura para fazer perguntas incômodas.
REUNIÕES AO VIVO
Reunião 1. Eles fazem campanha contra os seus próprios interesses?
Nos últimos anos, o número de mulheres que votam, participam ativamente e se identificam com a nova direita tem crescido. Como podemos explicar essa feminização da direita contemporânea? Elas estão agindo contra seus próprios interesses? Falta-lhes informação? Como podemos abordar essas questões sem subestimar as perspectivas dessas mulheres? A primeira aula busca explorar quem elas são, por que estão lá e sob quais condições — históricas, políticas e pessoais — seu ativismo se torna possível.Reunião 2. São todos conservadores?
Ao discutir mulheres na direita, a imagem que geralmente emerge é a mesma: conservadoras, religiosas, defensoras da família tradicional. Este encontro visa complexificar essa representação. Através das trajetórias de figuras públicas que ocupam ou disputaram posições de poder na direita da região, observamos que as diferenças entre elas são significativas: geracionais, de classe, profissionais e políticas. Há mulheres casadas e divorciadas, com e sem filhos, ativistas de longa data e recém-chegadas à política. Suas agendas também variam: liberdade econômica, segurança, identidade nacional, direitos individuais. Uma análise mais atenta revela um panorama mais heterogêneo — e mais surpreendente — do que costumamos imaginar.
Encontro 3. É possível ser feminista e de direita?
Existem mulheres atuantes na nova direita que também se identificam como feministas. Quem são elas? O que entendem por feminismo? Como articulam essa identidade com as questões debatidas em seus respectivos países? Quais categorias utilizam para se definir? A academia, por sua vez, desenvolveu uma série de conceitos para estudar esse fenômeno: "antifeminismo", "feminismo neoliberal", "pós-feminismo", "femonacionalismo" e "feminismo identitário". O que cada um deles esclarece? O que deixam de fora? Utilizando essas ferramentas, discutimos o potencial e as limitações para analisar a participação política das mulheres na nova direita.
Encontro 4. O que restou do feminismo após a maré? Com a participação de Marta Lamas
Para encerrar o curso, Marta Lamas, uma das vozes mais importantes do feminismo latino-americano, participa ao vivo de um diálogo sobre as discussões realizadas nas sessões anteriores. Analisamos a massificação do feminismo e suas implicações: quais transformações ela produziu, quais tensões gerou e como coexiste com a ascensão da nova direita na região.
PÍLULAS. Material gravado
Pílula 1. O que tornou possível o sufrágio feminino na América Latina? Três casos, múltiplas disputas.
O sufrágio feminino na América Latina tem uma história complexa, moldada por uma questão que norteou grande parte do debate da época: se o sufrágio feminino for aprovado, qual partido se beneficiará? Na Argentina, décadas de luta de ativistas socialistas, radicais e feministas precederam a lei aprovada pelo governo peronista em 1947. No Chile, foi o Partido Conservador — apoiado por redes de mulheres católicas — que apresentou o primeiro projeto de lei em 1917, e o sufrágio foi finalmente concedido em 1949. No Paraguai, o último país da região a reconhecê-lo, décadas de organização feminista e pressão internacional criaram as condições para que a ditadura de Stroessner aprovasse a lei em 1961. Este artigo explora esses três casos para analisar a relação entre mulheres e política a partir de perspectivas mais profundas e inesperadas.
Pílula 2. França: militância feminista, nacionalista e anti-imigração no presente
A França abriga um dos casos mais relevantes para o estudo da interseção entre feminismo e a nova direita: o coletivo Némésis, fundado em 2019, que articula a defesa dos direitos das mulheres com um discurso anti-imigração fundamentado na “defesa da identidade europeia”. Para o Némésis, a ameaça às mulheres não vem do patriarcado, mas do multiculturalismo. Este artigo analisa como essa interseção entre feminismo e identidade nacional opera na França e propõe uma discussão sobre a componente internacional que frequentemente é utilizada para descrever a nova direita.
- Melina Vázquez (UBA, Argentina)
- Carolina Spataro (UBA, Argentina)
- Cláudia Jareño (UAM, Espanha)
O curso é ministrado online. Consiste em quatro sessões síncronas (ao vivo) mais dois módulos pré-gravados disponíveis para visualização gratuita. As sessões ao vivo são realizadas às quintas-feiras, das 18h30 às 20h30 (horário da Argentina), via Zoom. Os participantes têm acesso a materiais exclusivos na sala de aula virtual. A avaliação final é um questionário individual.
| Inscrições antecipadas (até 14/07) | Inscrição geral (15)/07 a 05/08) | Inscrição sem desconto (06/08 a 11/08) | |
| Centro de Membros Plenos ou Associados | 100 USD | USD 150 | 200 USD |
| Sem link | 150 USD | USD 225 | 300 USD |
Consultas: [email protected]