Muito mais do que um painel: resistência social em tempos de coronavírus

 Muito mais do que um painel: resistência social em tempos de coronavírus

Breno Bringel

Com a chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil, uma onda de sentimentos diversos tomou conta da população. Angústia pela saturação de informações, ansiedade no confinamento, frustração diante da impotência e perplexidade diante da confusão. A negligência e as desastrosas aparições públicas de um presidente irresponsável, por sua vez, deixaram o país inteiro com a sensação de desproteção e, inclusive, diante da irresponsabilidade política de dois líderes mundiais que querem contradizer abertamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde e de dois cientistas.

O vírus (e, em muitos casos, principalmente suas consequências) é uma posição muito difundida, mas ainda pior é o negacionismo que continua a minimizar a importância da pandemia. Com argumentos como “a letalidade não é tão alta”, “a gripe mata mais” ou “não teremos mais epidemias e pandemias piores”, Bolsonaro e sua turma buscarão, mais uma vez (assim como o fato de haver um holocausto e uma mudança climática), gerar controvérsias baseadas em fatos empiricamente e historicamente verificados sobre aqueles que existem em amplo consenso. Seja por egoísmo, convicções religiosas, estratégia política ou distúrbios psíquicos de algum tipo, desta vez estamos colocando em risco a vida de enormes contingentes da população, especialmente os mais vulneráveis.

Apesar desta situação dramática causada por uma posição leve e incomum durante a pandemia, as medidas de isolamento social e as duras políticas de restrição de mobilidade, necessárias para tentar conter a propagação do contágio, revelam aspectos que precisam ser problematizados. É preciso não se ater aos motivos expostos por extrema-discretude e simplesmente porque podem colocar nossas liberdades democráticas em risco, fortalecendo um autoritarismo que não se disseminou recentemente.

O conceito de "mundo fora", ou Estado interveniente, é atualmente reivindicado pelos neoliberais, mas com a presença militar nas ruas e a implementação de uma lógica de guerra não apenas contra vírus, mas também contra alguns setores da sociedade. As medidas de concentração de poder que vemos sendo tomadas para combater a Covid-19 podem também ser necessárias para viabilizar a saúde pública e a "proteção" da população; portanto, existe uma tênue fronteira entre isso e as tendências autoritárias. Além disso, é preciso ressaltar que o confinamento em massa surge praticamente como a única alternativa hoje, o que, em grande medida, representou uma política de privatização nas últimas décadas. O neoliberalismo é tão prejudicial que, em situações como esta, não temos capacidade de contar (nos países europeus que antes se orgulhavam) com uma resposta pública à altura.

A quarentena é necessária, mas as políticas de emergência que começam a se espalhar são insustentáveis. Elas, de fato, não surgem como o coronavírus e, em alguns casos, podem não desaparecer quando a pandemia passar. A militarização de dois territórios e da vida já se disseminou amplamente nos últimos anos, assim como a consequente criação de novos inimigos – internos e externos –, da qual ela deriva. Estamos diante da biopolítica em sua forma mais pura, com um grão de petróleo não publicado pela população. Antes, vigiavam e puniam. Agora, vigiam, punem e todos aplaudimos, trancados em nossas casas. Não nos iludamos: vigilância permanente – nos métodos mais clássicos, com rastreamento digital e drones –, ou controle e gestão de dois territórios e da vida? big dataNovos dispositivos de reconhecimento facial e outras formas sofisticadas de controle social estão sendo desenvolvidos não apenas para combater um vírus.

É necessário neutralizar os negacionistas e oportunistas da política de plantação, mas também reconstituir uma dimensão trágica no confinamento: ele é socialmente necessário, mas politicamente perigoso. Isso porque não podemos isolar a excepcionalidade das medidas típicas deste momento político da conjuntura conturbada que vivemos no Brasil, na América Latina e no mundo. Pensemos, por exemplo, nas consequências do possível fechamento total das fronteiras e da ausência de estado de sítio em países como o Chile, assolado por insurgências, a Bolívia, com suas consequências de um golpe de Estado, ou a Venezuela, já afetada por problemas internos de abastecimento. Estamos apenas no início de uma emergência sanitária, que também deve ser vista como uma emergência política e social, principalmente em sociedades tão diversas quanto a latino-americana.

Aprendizado político e resistência social em tempos de coronavírus

Este retrato sombrio da política em tempos de confinamento, felizmente, é uma imagem parcial. Por tudo o que é necessário e cada vez mais urgente #ForaBolsonaro, à medida que se constroem resistências sociais, embora nem sempre visíveis. Há, de fato, uma série de aprendizes políticos que, neste momento, contribuem para dar visibilidade a essas resistências e que constituem pilares fundamentais para a construção de um horizonte alternativo.

Em primeiro lugar, a importância de combater o antropocentrismo. O próprio surgimento do coronavírus é resultado dos desequilíbrios em nosso ecossistema, da desaceleração da economia e de apenas algumas semanas de restrições a carros e aviões, o que garantirá que a maioria das capitais mundiais veja seus níveis de poluição estratosféricos caírem para perto da meta. Isso nos mostra que, se lutarmos contra as mudanças climáticas, por alternativas ao desenvolvimento econômico predatório e por justiça ambiental, o planeta não terá vida sustentável em um futuro próximo.

Outra lição social aprendida com a política em tempos de coronavírus é a centralidade do cuidado na manutenção da vida e sua divisão absolutamente desigual em termos de gênero. Como as feministas insistem há muito tempo, o confinamento da maior parte da população mundial em suas casas, com crianças sem aulas e famílias inteiras, torna essa realidade escandalosa ainda mais explícita. Para que as tarefas de cuidado não continuem a recair exclusivamente sobre os corpos das mulheres, a quarentena deve ser vista como uma oportunidade única para os homens se envolverem ativamente em uma mudança radical de cenário, transformando a organização do trabalho em casa e fora dela. Hoje, a mensagem é clara: não vale a pena começar agora e dizer que depois, após o fim da quarentena, “não é a hora”. Deve ser um caminho sem voltas. Só assim seremos capazes de construir, na prática, sociedades mais igualitárias e alternativas antipatriarcais.

Uma terceira tarefa do aprendiz é a defesa e a reconstrução dos serviços públicos. O combate ao coronavírus torna visível a importância da saúde pública, gratuita e universal, bem como a centralidade do financiamento público para a pesquisa, enquanto elementos essenciais de nossas sociedades e formas de proteção das pessoas. O momento aqui também é crítico: defendemos e reconstruímos a saúde pública (e os serviços públicos em geral) num momento em que sua importância se perde, ou não haverá retrocesso. Trata-se da importância da generalização nas reações do mercado e dos operadores políticos da mercantilização.

Mas, além da defesa pública, a crise atual também alerta para a importância da coletividade e da vida comunitária. Paradoxalmente, em tempos de profunda individualização da sociedade e em um momento em que o isolamento assume um caráter eminentemente individual, diversas iniciativas sociais passam a valorizar e defender a vida em comum. Sentimo-nos mais sozinhos e mais vulneráveis ​​aos diversos riscos inerentes à situação, mas também multiplicamos a empatia, a solidariedade e as redes de apoio mútuo. Jovens dispostos a comprar alimentos ou medicamentos para a população em situação de risco que não pode sair de casa; famílias dispostas a cuidar dos filhos de outras famílias que precisam continuar trabalhando; iniciativas que promovem trocas, direta e indiretamente, quando as portas de muitos comércios se fecham e as necessidades econômicas começam a se abrir; grupos que oferecem apoio psicológico, jurídico e profissional para aqueles que sofrem de forma mais direta com as consequências da crise. O fortalecimento dos laços sociais e comunitários, portanto, aumenta o potencial de resistência em tempos de coronavírus.

Da mesma forma, outro aprendizado que emerge com a pandemia está relacionado à alimentação. Fazer compras acontece por dois motivos: muitos de nós saímos de casa, em alguns casos com medo da possibilidade (real ou imaginária) de escassez de produtos básicos. Os canais de comunicação reproduzem imagens de filas enormes em supermercados devido a um alarme social causado pelas compras compulsivas. Pouco se diz que isso está realmente acontecendo e que alimenta diretamente a população. Há décadas, os movimentos rurais, as redes alimentares e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura vêm alertando para um modelo alimentar insustentável, altamente concentrado em grandes áreas de distribuição, reivindicando a soberania alimentar como alternativa à segurança. Em momentos críticos como o atual, mais do que nunca, começamos a pensar sobre o que e como os alimentos são produzidos, consumidos e distribuídos. O dilema é claro: ou apostamos todas as nossas fichas em uma mudança de hábitos, mas também no sistema alimentar como um todo (com cadeias locais e produtos sustentáveis ​​e ecológicos, acima das exigências dos supermercados, das grandes empresas e do mercado) ou estaremos fadados a agravar uma catástrofe alimentar.

Diante da emergência causada pela crise sanitária, a resistência social não se restringe aos painéis nas janelas e varandas. Eles são fundamentais, mas só com eles Bolsonaro não cairá, nem mudaremos as bases fundamentais dos nossos problemas mais urgentes. Portanto, essas diversas iniciativas sinalizam emergências sociais para uma transição necessária. Ao fortalecer os coletivos, as redes e os dois movimentos que eles sustentam (principalmente ambiental, feminista, juvenil, comunitário e camponês-indígena), nosso horizonte futuro se tornará ainda mais limitado.


Pesquisadora do CLACSO. Extensão crítica GT: teorias e práticas na América Latina e no Caribe. Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Membro do comitê diretivo da Associação Latino-Americana de Sociologia e presidente do Comitê de Movimentos Sociais da Associação Internacional de Sociologia. Artigo publicado em Folha de S. Paulo, 31 / 03 / 2020.


Muito mais do que um protesto com panelas batendo:
resistência social em tempos de coronavírus

Breno Bringel

Assim que a pandemia do coronavírus chegou à América Latina, uma onda de sentimentos diversos varreu a população. A população se sentiu sobrecarregada pela quantidade de acontecimentos, ansiosa com o confinamento, frustrada pela impotência e perplexa com o desconhecido. Em alguns casos, como na Argentina, a resposta do governo foi rápida e relativamente bem coordenada. Em outros, como no México, houve considerável negligência inicial. E enquanto Sebastián Piñera no Chile, Lenin Moreno no Equador e Iván Duque na Colômbia certamente se esforçaram para conquistar o título de presidente mais insensato diante da emergência sanitária, obviamente ninguém conseguiu superar Jair Bolsonaro. Suas posturas irresponsáveis ​​e aparições públicas desastrosas deixaram os brasileiros com um profundo sentimento de vulnerabilidade e até mesmo raiva em relação a um dos poucos líderes mundiais que ousou contradizer abertamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde, deslegitimando também os cientistas.

O medo do vírus (e, em muitos casos, principalmente de suas consequências) é um sentimento generalizado, mas ainda pior é o negacionismo daqueles que continuam a minimizar a importância da pandemia. Com argumentos como "a taxa de letalidade não é tão alta", "a gripe mata mais pessoas" ou "já tivemos epidemias e pandemias piores na história", Bolsonaro e seu círculo buscam, mais uma vez (assim como fizeram antes com o Holocausto ou as mudanças climáticas), gerar controvérsia em torno de fatos empiricamente e historicamente verificáveis ​​sobre os quais existe amplo consenso. Seja por egoísmo, convicções religiosas, estratégia política ou algum tipo de distúrbio psicológico, eles estão colocando em risco a vida de enormes segmentos da população, especialmente os mais vulneráveis.

Apesar desta situação dramática causada por uma resposta desumana à pandemia, as medidas de distanciamento físico e as restrições rigorosas à mobilidade, embora necessárias para conter a propagação do vírus, têm consequências que exigem uma discussão mais aprofundada. Essa discussão não deve se basear nos argumentos apresentados pela extrema-direita, mas sim no fato de que essas medidas podem comprometer nossas liberdades e nossa democracia, fortalecendo o já disseminado autoritarismo social e político.

O Estado intervencionista está sendo defendido até mesmo por neoliberais, mas com ele vêm os militares nas ruas, estados de emergência em que tudo é suspenso e o estabelecimento de uma lógica bélica não apenas contra o vírus, mas também contra certos setores da sociedade. As medidas de concentração de poder adotadas para combater a Covid-19 podem até ser necessárias para viabilizar a saúde pública e a “proteção” da população. No entanto, há uma linha muito tênue entre isso e as tendências autoritárias. É importante lembrar também que, se o confinamento em massa aparece hoje como praticamente a única alternativa, isso se deve em grande parte às políticas de privatização das últimas décadas. O neoliberalismo devastou tanto a saúde pública que, em situações como esta, não temos capacidade para contar (mesmo em países europeus que antes se orgulhavam disso) com uma resposta pública adequada.

A quarentena é necessária, mas algumas das políticas excepcionais que começamos a observar em diversos países são insustentáveis. Sabemos também que elas não surgiram com o coronavírus e, em alguns casos, podem não desaparecer após o fim da pandemia. Elas já estavam presentes, militarizando territórios e vidas, e contribuindo para a criação de novos inimigos, tanto internos quanto externos. Estamos vivenciando a biopolítica em sua forma mais pura, com aceitação histórica por parte da população. Antes, observavam e puniam. Agora, observam, punem e todos nós aplaudimos, confinados em nossas casas. Mas não nos iludamos: a vigilância constante — das formas mais clássicas ao rastreamento digital e drones — o controle e a gestão da sociedade dados grandesNovos dispositivos de reconhecimento facial e outras formas sofisticadas de controle social não estão sendo aprimorados apenas para combater um vírus.

É necessário neutralizar os negacionistas e os oportunistas, mas também devemos reconhecer que existe uma dimensão trágica no confinamento: ele é socialmente necessário, mas politicamente perigoso. Isso porque não podemos separar o caráter excepcional das medidas típicas deste momento da turbulenta situação política que vivenciamos em nossa região e no mundo. Consideremos, por exemplo, as consequências de um possível fechamento total das fronteiras e os usos e abusos do estado de sítio para outros fins. Isso não é pouca coisa no atual cenário de confrontos políticos, desde o Chile insurgente e rebelde até uma Bolívia devastada ou uma Venezuela já tão assolada por agitação e instabilidade. Além disso, estamos apenas no início de uma emergência sanitária que, em sociedades tão desiguais como a nossa, deve ser vista também como uma emergência política e social.

Aprendizado político e resistência social
em tempos de coronavírus

Este retrato sombrio da política em tempos de confinamento contrasta, contudo, com um panorama de lições políticas que a situação atual está ajudando a revelar. A primeira delas é a importância de combater o antropocentrismo. Se o próprio surgimento do coronavírus é resultado de nossos desequilíbrios ecossistêmicos, a desaceleração econômica e pouco mais de uma semana de restrições a carros e voos levaram a que a maioria das capitais do mundo registrasse uma queda de 50% em seus níveis de poluição, enquanto testemunhamos imagens sem precedentes de animais vagando por ruas vazias. Isso nos lembra que, sem combater as mudanças climáticas, buscar alternativas ao desenvolvimento e lutar por justiça ambiental, não haverá planeta nem vida para se sustentar em um futuro próximo.

Outra lição social aprendida com a política durante a pandemia do coronavírus é a centralidade do trabalho de cuidado na manutenção da vida e sua distribuição extremamente desigual. As feministas há muito enfatizam isso, e agora o confinamento de metade do mundo em suas casas, com crianças fora da escola e famílias inteiras sob o mesmo teto, torna isso ainda mais explícito. Quase escandaloso. Para evitar que as responsabilidades de cuidado continuem a recair quase exclusivamente sobre as mulheres, a quarentena deve ser vista como um ponto de virada, uma oportunidade para os homens se engajarem ativamente em uma mudança radical, transformando a organização do trabalho tanto em casa quanto fora dela. A mensagem para os homens é clara: não basta começar agora e depois, quando a quarentena terminar, dizer "Não tenho tempo". Devemos embarcar em um caminho sem volta. Só assim poderemos construir, na prática, sociedades mais igualitárias e alternativas antipatriarcais.

Uma terceira lição fundamental diz respeito à defesa e reconstrução do setor público. Após décadas de desmantelamento dos serviços públicos sob o neoliberalismo, o combate ao coronavírus evidenciou a importância de um sistema público de saúde gratuito e universal, bem como a centralidade do financiamento público para pesquisas socialmente relevantes. Este também é um momento crítico: ou defendemos e reconstruímos o sistema público de saúde (e os serviços públicos em geral), num momento em que sua importância é cristalina para toda a sociedade, ou não haverá volta. Trata-se de priorizar o bem-estar geral das pessoas em detrimento das reações do mercado e dos operadores políticos da mercantilização. E, em última análise, trata-se de colocar a vida acima da economia e do capitalismo, algo que ressoa de forma excepcional neste momento, embora não saibamos por quanto tempo.

Para além da defesa dos serviços públicos, a crise contemporânea também coloca em questão a importância da coletividade e da vida comunitária. Paradoxalmente, num momento em que o isolamento é sobretudo individual, diversas iniciativas sociais valorizam cada vez mais a vida em comunidade. Sentimo-nos mais sozinhos e mais vulneráveis, mas a empatia, a solidariedade e uma série de redes de apoio mútuo também se fortaleceram. Os jovens oferecem-se para fazer compras de supermercado ou medicamentos para pessoas em situação de risco que não podem sair de casa; famílias cuidam de crianças de outras famílias que têm de continuar a trabalhar; iniciativas promovem trocas e escambo durante períodos de encerramento de empresas e de necessidades económicas prementes; e grupos oferecem apoio psicológico e/ou profissional a quem já sofre as consequências mais diretas da crise. O fortalecimento dos laços sociais e comunitários, portanto, constitui outra fonte potencial de resiliência em tempos de coronavírus.

Da mesma forma, outra lição que emergiu da pandemia está relacionada à alimentação. Ir ao supermercado é um dos poucos motivos pelos quais podemos sair de casa, e muitos de nós tememos a possibilidade (real ou imaginária) de escassez de produtos básicos em muitos lugares. Os meios de comunicação transmitem imagens de filas em supermercados em meio ao alarme público e às compras por pânico. Mas o que está realmente em jogo é o direito à alimentação. Há décadas, movimentos camponeses e redes alimentares vêm chamando a atenção para um modelo alimentar insustentável concentrado em grandes redes varejistas, defendendo a segurança e a soberania alimentar como alternativa. Em tempos como estes, mais do que nunca, refletimos sobre o que e como os alimentos são produzidos, consumidos e distribuídos. A escolha é clara: ou apostamos tudo em uma mudança em nossos hábitos, mas também no sistema alimentar como um todo (com cadeias relocalizadas e produtos sustentáveis ​​e ecológicos, acima das demandas das grandes empresas e do mercado) ou estaremos fadados a um agravamento da catástrofe alimentar.

Diante da emergência causada pela crise sanitária, a resistência social não se limita a bater panelas e frigideiras nas varandas e janelas. Ela também se enraíza em diversas iniciativas sociais que antecipam as emergências sociais de uma transição necessária. Sem essas iniciativas e o fortalecimento das redes cidadãs e comunitárias, e dos movimentos que as sustentam (principalmente ambientalistas, feministas, juvenis, comunitários e camponeses-indígenas), nosso horizonte futuro será ainda mais restrito.


Pesquisadora do CLACSO. Grupo de Trabalho em Extensão Crítica: Teorias e Práticas na América Latina e no Caribe. Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Membro do Comitê Diretivo da Associação Latino-Americana de Sociologia e Presidente do Comitê de Movimentos Sociais da Associação Internacional de Sociologia. Artigo publicado em América Latina 21 e em Movimentos Abertos / Democracia Aberta, 1/4/2020.


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