Movimentos sociais, política de direita e processos de mudança social na América Latina no século XXI
Seminário 2506
Cadeira: CLASSO
Coordenação: Lorena Soler (CONICET/Universidade de Buenos Aires, Argentina)
Equipe de ensino: Maria Florencia Prego (Universidade de Buenos Aires, Argentina); Mónica Susana Nikolajczuk; Enzo AndrésBaixar; Ana Belén Mercado y Lorena Soler (CONICET/Universidade de Buenos Aires, Argentina)
Home: 26/03/2025 | Inscrição: 10/12/2024 al 25/03/2025
Carga horária: 10 semanas – 90 horas.
O seminário visa explicar o ciclo de ação coletiva liderado por movimentos sociais e a influência de grupos de direita sobre ele durante os processos de mudança social na América Latina no século XXI. Propomos uma análise fundamentada na sociologia histórica contemporânea e uma abordagem comparativa, ambas as perspectivas baseadas no pensamento crítico latino-americano.
O seminário explorará cinco temas principais. O primeiro revisita os debates em torno dos movimentos sociais para abordá-los conceitualmente. O segundo situa-se no contexto da crise do paradigma neoliberal, quando os movimentos sociais emergiram como atores-chave na mudança social e iniciaram um novo processo de democratização política. O terceiro se desenvolve tendo como pano de fundo a ascensão de governos populistas-progressistas. Durante esse período, a relação entre esses governos e os movimentos sociais passou de tensões criativas para tensões paralisantes, caracterizadas por posições mais polarizadas e menos dialógicas. O quarto examinará a ligação entre os movimentos sociais e a direita e seu impacto na formação de um novo ciclo de ação coletiva. Por fim, exploraremos as novas demandas, canais de comunicação e repertórios de ação dos movimentos sociais durante a reconfiguração da esfera pública provocada pela pandemia e pela ascensão da extrema-direita.
O estudo dos movimentos sociais tornou-se um canal privilegiado para abordar a conjuntura latino-americana contemporânea a partir de uma perspectiva crítica e do ponto de vista dos atores envolvidos. Assim, por meio de um grupo de pesquisa consolidado, fomentamos essa linha de investigação em diversos fóruns, culminando em uma menção honrosa da CLACSO para a equipe de pesquisa intitulada “Estado, Democracia e Movimentos Sociais na América Latina e no Caribe: Persistências e Emergências no Século XXI”. O resultado final desse trabalho foi o capítulo intitulado “Movimentos Sociais e a Direita no Paraguai (2015-2016), Brasil (2018-2020) e Colômbia (2018-2020)” (CLACSO, 2023), contribuição essencial para o desenvolvimento deste seminário. Esta iniciativa é fruto de uma longa trajetória de participação, e no caso da Dra. Soler, de coordenação, nos Grupos de Trabalho da CLACSO sediados no IEALC desde 2013. Além disso, a equipe docente ministra há uma década o curso "Processos de Mudança Social na América Latina no Século XXI" no programa de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires. Atualmente, o foco de sua formação é a relação entre a política de direita e os movimentos sociais. Por meio dessas iniciativas, conseguimos reconstruir o papel de liderança dos movimentos sociais em diversas conjunturas críticas: a crise do paradigma neoliberal, o ciclo populista-progressista, a ascensão da direita latino-americana e a pandemia de COVID-19.
Na década de 1990, o neoliberalismo desencadeou uma série de crises que resultaram em uma democratização substancial da esfera política. Os movimentos sociais redefiniram os significados de democracia e cidadania (Escobar, Alvarez e Dagnino, 2001), reabilitando o conceito em um sentido “forte” (Svampa, 2017). Simultaneamente, emergiram dois novos campos políticos e ideológicos.
Por um lado, emergiram novas experiências populistas-progressistas, com sua base fortalecida por movimentos sociais (Soler, 2020). Posteriormente, divergências sobre questões-chave como desenvolvimento, o alcance da democracia, o papel do Estado e os níveis de autonomia minaram essa relação, levando, em muitos casos, à oposição direta (Le Quang, 2016). Por outro lado, após a crise de hegemonia iniciada em 2008, a atual direita latino-americana se fortaleceu. Essa direita emprega novas estratégias de ação e intervenção na esfera política (Luna e Rovira Kaltwasser, 2014; Soler, 2021). Contudo, apesar de suas características inovadoras, as políticas de controle econômico e social são essencialmente uma repetição do neoliberalismo, gerando um novo ciclo de ação coletiva (Rebón e Ruiz Encina, 2020). Na conjuntura atual, vivenciamos o que Mudde (2019) denomina “quarta onda” da direita, associada à emergência de novas lideranças radicalizadas.
Neste período histórico, caracterizado pela ascensão e consolidação das forças de direita, bem como pela eclosão da pandemia de COVID-19, os movimentos sociais reconfiguraram suas reivindicações, formatos de protesto e canais de visibilidade. De fato, tornaram-se os principais agentes de luta, garantindo uma base de direitos e um consenso fundamental em torno da democracia.
Em suma, os movimentos sociais têm sido atores-chave no processo de mudança social que se iniciou após a crise do paradigma neoliberal. Portanto, defendemos a necessidade de consolidar suas análises por meio de espaços coletivos de pesquisa, ensino e debate político, onde pesquisadores, estudantes, formuladores de políticas governamentais e outras partes interessadas possam se reunir para unificar perspectivas de diferentes países, disciplinas e áreas.
Objetivo geral
O seminário visa explicar o ciclo de ação coletiva liderado por movimentos sociais e a influência de forças de direita sobre ele durante os processos de mudança social na América Latina do século XXI. Para tanto, baseia-se na tradição crítica latino-americana, utilizando a sociologia histórica contemporânea como arcabouço analítico. Essa abordagem possibilita um estudo fundamentado na interseção de contextos estruturais e experiências de grupo, e propõe uma concepção de tempo tanto como categoria histórica quanto como horizonte metodológico. Além disso, reafirma o compromisso intelectual com a análise da região como um todo, problematizando a unidade e a diversidade latino-americanas. Dessa forma, espera contribuir para uma reflexão sócio-histórica e processual que identifique continuidades e rupturas no fenômeno em estudo.
A partir dessa perspectiva comparativa e socio-histórica, analisamos as dimensões materiais e identitárias da ação coletiva empreendida pelos movimentos sociais latino-americanos em diferentes contextos, com foco em sua conexão com as forças de direita emergentes no século XXI. Nesse sentido, examinaremos o papel dos movimentos sociais após a crise do paradigma neoliberal, durante o período de governos populistas progressistas, na ascensão da atual direita latino-americana, após o início da pandemia de Covid-19 e, finalmente, na atual emergência e consolidação da direita radical na região.
Os objetivos específicos
- Contribuir para a formação dos alunos na aquisição de conhecimentos sobre movimentos sociais em situações críticas na região, bem como na formulação de questões sobre o presente em geral e o fenômeno em estudo em particular.
- Fornecer ferramentas conceituais para analisar os movimentos sociais latino-americanos em contextos de mudança social durante o século XXI.
- Capacitar os alunos na concepção e implementação de técnicas e instrumentos para o desenvolvimento de dados empíricos para fins acadêmicos, na elaboração de políticas públicas e/ou projetos para a sociedade civil.
- Orientar os alunos na produção de trabalhos de qualidade (trabalhos finais) sobre o tema de estudo, de forma a contribuir para o conhecimento coletivo, estimular linhas de pesquisa a partir da perspectiva proposta no seminário e intervir nos debates políticos da atualidade.
- Com base na análise da relação entre movimentos sociais, sistema político e governo, busca-se fortalecer os espaços de troca e debate que contribuam para a construção do pensamento crítico e para os processos de transformação, a fim de discutir o impacto concreto do fenômeno estudado na sociedade.
- Movimentos sociais como objeto de estudo e sua abordagem a partir das ciências sociais latino-americanas.
- Movimentos sociais que enfrentam a crise do paradigma neoliberal na América Latina
- Movimentos sociais durante o ciclo populista-progressista
- Movimentos sociais: trajetórias, composição social, reivindicações e mecanismos de ação após a ascensão da direita
- Ascensão da direita latino-americana no século XXI
- Movimentos sociais e a direita na América Latina
- Movimentos sociais, pandemia e direita. Projetos alternativos, reconfiguração de canais e repertórios de ação.
- A extrema-direita na América Latina
- Ansaldi, (2022). Um direito democrático é mais raro do que uma pessoa japonesa com dreadlocks, embora o problema seja diferente. Revista Estudios Digital, (49).
- Barragán Manjón, et al. (2020). América Latina 2019: Retorno à instabilidade. Iberoamericana, 20, (73).
- Bringel, B. e Falero, A. (2016). Movimentos sociais, governos progressistas e o Estado na América Latina: transições, conflitos e CRH Notebook, (29).
- Bringel, L. B., & Torres, E. (2020). Movimentos sociais e realidade latino-americana: uma leitura histórico-teórica. Em direção a uma renovação da teoria social latino-americana. CLACSO.
- Della Porta, (2020). Movimentos sociais em tempos de Covid-19: outro mundo é necessário. Alerta Global, (175).
- Garretón, (2001). Mudanças sociais, atores e ação coletiva na América Latina. Série de Políticas Sociais, (17). CEPAL.
- Ibarra, , Bringel, B., & Pleyers, G. (2020). Movimentos sociais, mudança cultural e impactos da pandemia. Alerta Global. CLACSO.
- Modonesi, M. e Rebón, J. (Comp.) (2011). Uma década de lutas populares na América Latina (2000-2009). Prometeo-CLACSO-UBA.
- Nava, A., & Grigera, J. (2022). Pandemia e protesto social na América Latina: tendências, atores e demandas do conflito social e trabalhista no Brasil, Argentina, Chile e Colômbia. 2019-2020. Arquivos da história do movimento operário e da esquerda, (20).
- Poggi, , Hoeveler, R., (2024). Velhas ideologias, roupas novas. Perspectivas sobre o fascismo atual a partir da experiência das novas tendências europeias e latino-americanas. In Tzeiman, A. e Martuscelli, D. (Orgs.), A crise da democracia na América Latina. CLACSO.
- Prego, , e Nikolajczuk, M. (2023). A direita na América Latina no século XXI. A consolidação da desigualdade e o estabelecimento de um novo quadro institucional. Sudamérica: Revista de Ciencias Sociales, (17).
- Seoane, J., Taddei, E., e Algranati, C. (2006). As novas configurações dos movimentos populares na América Latina. Política e movimentos sociais em um mundo hegemônico. Lições da África, Ásia e América Latina. CLACSO.
- Soler, (2023). Democracias em crise. Esquerda e direita no século XXI na América Latina. Amezcua, M. (Coord.). As crises da democracia na América Latina. Universidade de Guadalajara/ Centro Maria Sibylla Merian de Estudos Latino-Americanos Avançados (CALAS) e CLACSO.
- Soler, , Mercado, AB, Nikolajczuk, M., e Scargiali, EA (2023). Movimentos sociais e a direita no Paraguai (2015-2016), Brasil (2018-2020) e Colômbia (2018-2020). In Estado, democracia e movimentos sociais. Persistências e emergências no século XXI (pp. 223-289). CLACSO.
- Soto Pereira, D. (2023). Movimentos conservadores e reacionários como exemplo da apropriação da mobilização social e suas estratégias pela direita na América Latina. In Orozco, R. et al. Direita antiga e nova na América Latina. Contrainsurgência, desapropriação e senso comum. CLACSO.
- Stefanoni, (2023). Os mil platôs da reação: mutações da extrema direita. Sanahuja, J. e Stefanoni, P. (orgs.). Extrema Direita e Democracia. Fundação Carolina.
- Svampa, (2017). Movimentos sociais, tradições políticas e dimensões da acção colectiva. Da mudança de época ao fim de um ciclo. Edasa.
- Svampa, M. (2020). O que a direita traz para a região: entre o político e o social: novos campos de disputa. Novos movimentos autoritários de direita. Conversas sobre o atual ciclo político na América Latina. Quito: Fundação Rosa Luxemburgo/Org. Abya Yala.
- Therborn, G. (2003). A crise e o futuro do capitalismo. Em E. Sader e Gentilli (Eds.), A estrutura do neoliberalismo: Mercado, crise e exclusão social. CLACSO.
- Zibechi, R. (2006). Movimentos sociais: novos cenários e desafios sem precedentes. OSAL, Observatório Social da América Latina, (21).
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Desconto para pagamento único até 19/03 |
Em um único pagamento após 19/03 |
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CM Plenos |
85 USD |
150 USD |
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CM Associates |
85 USD |
150 USD |
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Sem link |
105 USD |
190 USD |
Perguntas frequentes
Os requisitos básicos para participar de um seminário são:
- Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
- Acesso à Internet.
- Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
- Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.
O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos.
Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.
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