“Estudamos a realidade a partir de um compromisso político”

 “Estudamos a realidade a partir de um compromisso político”

Em seu prestigiado programa “Diálogos para a Democracia”, transmitido aos domingos pela “UNAM TV” no México, em 21 de abril, o professor John M. Ackerman manteve um diálogo aprofundado com a Secretária Executiva da CLACSO, Karina Batthyány, com foco em “Neoliberalismo, pensamento crítico e mudança política na América Latina”.

No canal da Universidade Nacional do México, Karina Batthyány destacou o papel das ciências sociais e do CLACSO partindo da premissa de que "fazemos parte da realidade, estudamos essa realidade a partir de um compromisso político", esclarecendo que isso "não significa que nosso trabalho seja menos rigoroso, menos acadêmico ou menos científico do que o de escolas mais associadas a correntes empiristas e positivistas".

O Secretário Executivo da CLACSO diagnosticou então que “infelizmente temos um histórico significativo de neoliberalismo na América Latina, tanto a onda recente quanto a onda dos anos 90 que varreu todos os países”, e passou a analisar exemplos em nossa região que visam superar esse contexto. “O que encontramos no momento é uma situação um tanto ambivalente”, com a ascensão de governos de direita, mas destacando a nova esperança que surge no México com o processo atual e “a experiência sustentada e progressista do Uruguai nos últimos 15 anos”. Em ambos os países, a luta é contra políticas neoliberais “que, em termos concretos, colocam o indivíduo no centro e desconsideram o conceito coletivo e social; essa seria a grande diferença em relação às políticas progressistas, pelo menos como as conhecemos nas experiências do Cone Sul”.

Ele também destacou o papel histórico do México nas ciências sociais: "sempre foi uma referência, e não podemos esquecer também o papel do México como refúgio para intelectuais latino-americanos durante as ditaduras, principalmente no Cone Sul", e o processo atual "representa um farol, uma esperança".

Em relação ao Uruguai sob a Frente Ampla, Karina Batthyány focou no que definiu como “um processo de articulação de forças populares, movimentos sociais e um partido político”, destacando a “articulação muito interessante entre a esfera política, a esfera social — refiro-me aos movimentos sociais — e a esfera acadêmica, o papel da Universidade da República no governo da Frente Ampla”, com “a produção de conhecimento, a produção de insumos necessários para a tomada de decisões políticas e para a concepção e gestão de políticas públicas”. “Há, de fato, um esforço articulado entre esses três elementos, sem perda de competência ou autonomia”, concluiu.