Memórias coletivas e lutas políticas

 Memórias coletivas e lutas políticas


Seminário 2334

Coordenação: Isabel Piper Shafir (Universidade do Chile)

faculdadeIsabel Piper Shafir (Universidade do Chile), Pilar Calveiro (Universidade Nacional Autônoma do México), Ana Cacopardo (Universidade de Lanús, Argentina), Ana Guglielmucci (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Francisca Fernández (Movimento pela Água e Territórios, Chile), Jefferson Jaramillo (Universidade Javeriana, Colômbia), Juan Carlos Arboleda (Universidade do Chile), Juan Pablo Aranguren (Universidade do Andes, Colômbia), Loreto López (Universidade do Chile), Margarita Vannini (Universidade Centro-Americana, Nicarágua)



Home: 12 / 10 / 2023 | Registo: 19/07/2023 al 11/10/2023

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.

Este seminário busca refletir criticamente sobre as possíveis conexões entre os processos de memória coletiva e as lutas políticas na América Latina, no contexto do neoliberalismo contemporâneo, com o objetivo de compreender, decodificar e influenciar a nova realidade sociopolítica. Partimos da premissa de que a memória é um processo social que produz significado sobre o passado e tem o potencial de se constituir como uma forma de resistência.

O campo dos estudos da memória na América Latina tem se moldado principalmente em torno de reflexões sobre a violência política perpetrada no contexto de ditaduras militares, conflitos armados e/ou guerras civis no passado recente da nossa região. Seus avanços teóricos têm caminhado lado a lado com as ações políticas empreendidas por organizações sociais — principalmente aquelas ligadas às vítimas de violações de direitos humanos — para exigir justiça, verdade e reparação pelos crimes cometidos, bem como com o desenvolvimento de políticas públicas de memória implementadas em alguns países no âmbito de transições políticas ou acordos de paz. Neste seminário, analisaremos criticamente essas práticas, com foco em alguns casos emblemáticos da nossa região, como Nicarágua, Colômbia, Argentina e Chile.

Esta análise leva-nos a concluir que, apesar das contribuições significativas para a compreensão dos processos autoritários, das ditaduras e das transições políticas na região, bem como para o enfrentamento e processamento das suas consequências para a sociedade e os indivíduos, persiste o desafio de compreender, decifrar ou estabelecer ligações com as novas realidades sociopolíticas que se desenvolvem na região, onde novas e antigas formas de violência política e resistência se cruzam. Este é um desafio que abordaremos neste seminário, explorando as relações existentes e potenciais entre os processos de memória coletiva e as práticas de resistência no contexto do neoliberalismo contemporâneo. Demonstraremos como, nesses contextos, a memória se torna um recurso político para a ação no presente, constituindo uma prática que contribui para a transformação das condições atuais em que novas formas de violência se manifestam.

Veremos como algumas lutas atuais contra a exploração, a desapropriação, a concentração de riqueza e a violência pública e privada se baseiam em memórias que recuperam conhecimento de outras experiências. Embora os movimentos de resistência no contexto global tendam a ser locais, a memória permite sua articulação, apesar da distância temporal e/ou espacial. Analisaremos experiências de resistência no México e na região andina do Peru, Argentina e Chile.

Consideramos a memória como uma prática social e coletiva com significado político, não limitada à recuperação do passado, mas centrada principalmente na construção de significado a partir de experiências compartilhadas, que são encenadas e reformuladas em resposta às necessidades do presente. Partimos da premissa de que a memória se realiza no presente e está intrinsecamente ligada ao contexto social e político em que é produzida e à posição social a partir da qual suas versões se desdobram. Como parte de uma rede de relações de poder, as práticas de memória coletiva constituem um campo de conflito onde versões do passado lutam para se estabelecer, tornando-se resistentes quando conseguem desafiar as hegemonias do presente e vislumbrar outros futuros possíveis. Lembrar é construir significado sobre o passado em relação às necessidades do presente, a fim de compreender e agir diante de novas hegemonias e sua violência. É então que as memórias podem ser consideradas memórias resistentes, e ambas as práticas — memória e resistência — se reforçam mutuamente.

OBJETIVO GERAL

Refletir criticamente sobre as possíveis conexões entre os processos de memória coletiva e as lutas políticas na América Latina.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Que os alunos possam:

• Descrever e analisar as práticas de resistência em diferentes áreas da América Latina. 

• Descrever e analisar as políticas de memória relacionadas à violência passada em diferentes países da América Latina.

• Compreender o potencial da memória como forma de ação política no âmbito das práticas de resistência e das lutas políticas.

  • Memória coletiva: reflexões conceituais
  • Da memória como tecnologia reconstrutiva às memórias como cenários transformadores na Colômbia.
  • Políticas de memória: uma análise comparativa da Argentina e do Chile
  • Memória e crise sociopolítica na Nicarágua: a revolta cidadã de abril de 2018.
  • Políticas de memória na Colômbia
  • Os silêncios e o não dito
  • O testemunho como prática de memória e resistência
  • Práticas de resistência: reflexões conceituais
  • Resistência indígena no México
  • Resistência indígena no interior dos Andes: Argentina, Peru e Chile
  • ARANGUREN-ROMERO, JP. O pesquisador diante do indizível e do inefável (uma ética da escuta). Nómadas 29: 20-33.
  • BLAIR, E. (2011). Memória e poder: memórias (des)estatais e poder (des)centralizado do Estado. Universitas Humanística, 72, 63-87
  • BRICEÑO-DONN, M., UMPRIMMY, C, (2009). A título de introdução, iniciativas de memória não oficiais. In Lembrar em conflito: iniciativas de memória não oficiais na Colômbia. Ed. ICTJ- União Europeia, 107-119.
  • CALVEIRO, P. (2016). Política de medo e resistência local, Athenea digital, vol. 15. Nº 4, http://atheneadigital.net/article/view/v15-n4-calveiro
  • CALVEIRO, Pilar (2014). Significados políticos do testemunho em tempos de medo. Artigo.
  • CENTRO NACIONAL DA MEMÓRIA HISTÓRICA (2013). Basta! Colômbia: Memórias de guerra e dignidade. Bogotá: Imprensa Nacional.
  • FERNÁNDEZ, F. e FERNÁNDEZ, R. (2014). O tinku como expressão política: Contribuições para uma cidadania ativista em Santiago do Chile. Psicoperspectivas 14(2), 62-71.
  • FOUCAULT, Michel. (1993). Aula de 7 de janeiro de 1976. Em Microfísica da Potência. Ed. La Piqueta.
  • GROPPO, B. (2002). A política da memória. Sociohistórico, (11-12), 187–198.
  • HERRERA, M., Cristancho, J. (2013). Nas pedreiras de Clio e Mnemosyne: notas historiográficas sobre o Grupo de Memória Histórica. História Crítica, 50: 183-210.
  • Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Situação dos direitos humanos na Nicarágua (agosto de 2018 a julho de 2019). Conselho de Direitos Humanos. 42ª sessão. 9 a 27 de setembro de 2019.
  • ISLA, A. (2003). Os usos políticos da memória e da identidade. Estudios Atacameños, 26, 35-44
  • JELIN, Elizabeth (2014). As múltiplas temporalidades do testemunho: o passado vivido e seus legados presentes, em Dossiê Temático Testemunho: debates e desafios da América Latina, Revista Clepsidra, nº 1, pp. 140-163
  • JUAREZ, J; ARCIGA, S.; MENDOZA, J. (2012). Noção e elementos da memória coletiva. In: J. Juarez; S. Arciga; J. Mendoza (coords.). Memória coletiva: processos psicossociais. México: Ed. Porrua – UAM, 13-45.
  • MARTÍNEZ, M., SILVA, O, (2013). Instituições de memória sobre o conflito armado colombiano e seu papel na produção de iniciativas e constituição discursiva do sujeito. In Violência, memória e sociedade: debates e agendas na Colômbia contemporânea. USTA Editions, 441-457.
  • MOUFFE, Chantal. (1985). Hegemonia, política e ideologia. In Martín del Campo, L. (Coord.) Hegemonia e alternativas políticas na América Latina: Seminário de Morelia. Ed. Siglo XXI. 125-145.
  •  PIPER, I.; Fernández, R.; Iñiguez, L. (2013). Psicologia social da memória: espaços e políticas da lembrança, Revista PSYKHE, Vol. 22, 2, 19-31.
  • POLLAK, M. (2006). Memória, Esquecimento, Silêncio. A produção social da identidade em face de situações extremas. La Plata: Ediciones Al Margen [O Testemunho (53 – 112)].
  • RAFFIN, Marcelo. (2008). O pensamento de Gilles Deleuze e Michel Foucault em questão. As ideias de poder, sujeito e verdade, Lições e ensaios, 85, 17-44.
  • RANCIERE, Jacques (2010). A Imagem Intolerável. In O Espectador Emancipado. Buenos Aires: Manantial, 85-104.
  • RIAÑO, P. & Uribe, M. (2016). Construindo a memória em meio à guerra: o Grupo de Memória Histórica da Colômbia. Revista Internacional de Justiça Transicional.
  • RUDERER, S. (2010). A política do passado no Chile 1990-2006: um modelo chileno? Universum (Talca), 25(2), 161–177.
  • Salazar, CU (2012). Memória na Lei das Vítimas na Colômbia: Direito e dever. Anuário de Direitos Humanos, 8, 135-143.
  • SCHUSTER, S. (2017). Memória sem história: uma reflexão crítica sobre a recente “onda memorial” na Colômbia. Metapolitics, 21(96): 44-52.
  • SCOTT, James. (2003). Os Dominados e a Arte da Resistência. Era Publishing. Capítulo I: Por Trás da História Oficial, pp. 23-40; Capítulo II, pp. 41-70; Capítulo VIII: Uma Saturnália do Poder: A Primeira Declaração Pública da Fala Oculta, pp. 239-267
  • SIERRA, M. (1997). Essencialismo e autonomia: paradoxos das demandas indígenas, Alteridades, 7(14), 131-143.
  • VANNINI, Margarita: Espaços Públicos: Manágua 1979-2016. Resignificações, Reescritas, Apagamentos. Dissertação não publicada. Mestrado em Estudos Culturais. Manágua, IHNCAUCA. Capítulo 1: Memórias em conflito: “37 vezes 19”, pp. 8-20; Capítulo 2: Políticas públicas de memória na Nicarágua, 1979-2019, pp. 21-44.
  • VÁZQUEZ, F. (2001). Memória como ação social: relações, significados e imaginário. Barcelona, ​​​​Ed. Piados. Capítulo 2. 69-131.
  • WINN, P. (2014) As batalhas pela memória histórica no Cone Sul: conclusões comparativas. In Winn e Stern (orgs.) Não há amanhã sem ontem. Ed. LOM. 327-358

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.

O curso é composto por 10 aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.

O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos.

Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.

 



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