Marcha Federal em defesa da soberania do conhecimento na Argentina
Cientistas, pesquisadores, bolsistas, técnicos e estudantes universitários da Argentina se mobilizaram na quarta-feira, 12 de agosto, em um Março Federal que tomaram as praças, centros de pesquisa e universidades de todo o país, com o Obelisco em Buenos Aires como ponto central, em defesa da soberania do conhecimento e do sistema tecnológico nacional, que está sofrendo um dos piores ataques de sua história. Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais Ele esteve presente no evento no centro da capital argentina, juntamente com seu Diretor Executivo, entre outros. Pablo Vommaro.
Convocada pela Mesa Redonda Federal para a Ciência e a Tecnologia, a comunidade científica e universitária, acompanhada por organizações sociais, manifestou-se contra o desmantelamento do sistema científico, os cortes brutais no setor, a perda de empregos e a paralisação de projetos fundamentais, na sequência da proposta de “Visto a camisa para defender a ciência argentina.” Em defesa do "Messi" da ciência.

Representantes do setor leram um documento conjunto que destaca os números alarmantes que evidenciam a crise enfrentada pelo sistema científico nacional: desde dezembro de 2023, quando o governo neoliberal de Javier Milei assumiu o poder, a Argentina perdeu mais de 6.400 trabalhadores da área de ciência e tecnologia. Nesse período, o investimento nacional em ciência e tecnologia foi reduzido em mais de 50%, violando a lei e caindo de 0.302% do PIB para 0.14%, o menor nível já registrado desde o início da série orçamentária, em 1972. Outra estatística alarmante é a perda do poder de compra dos salários e das chamadas bolsas, que, segundo o documento, varia entre 30% e 50%. Os orçamentos das agências de ciência e tecnologia despencaram, com o caso emblemático da Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica (ANPCyT), que antes era o centro do financiamento de projetos e cujo orçamento agora é 88.6% menor. Da mesma forma, o Governo dissolveu ou reestruturou instituições emblemáticas como o Instituto Nacional do Câncer, o Instituto Nacional de Sementes (INASE) ou o Instituto Nacional da Água (INA).
“Isto não é apenas mais um ajuste. Nunca antes houve tamanha crueldade violenta e absurda como a deste governo”, enfatiza o comunicado.
A mobilização de quinta-feira, dia 12, foi acompanhada por uma greve nacional nas universidades públicas. Docentes e funcionários exigem a implementação da Lei de Financiamento Universitário, um aumento salarial para suprir uma diferença que estimam ser superior a 28%, e maior financiamento para bolsas de estudo e hospitais universitários.
Para o CLACSO e os centros de pesquisa que o compõem, o conhecimento científico, social e tecnológico não é uma mercadoria ou uma despesa orçamentária dispensável, mas um bem público global e uma condição indispensável para a soberania nacional e regional.
Mobilizar-se em defesa do sistema científico argentino (liderado pelo CONICET, universidades nacionais e agências estaduais de P&D) implica defender a capacidade do país de gerar suas próprias respostas aos seus problemas produtivos, de saúde, ambientais e sociais.
A marcha de 12 de agosto coloca novamente em pauta os efeitos imediatos dos cortes orçamentários, a paralisação de projetos de pesquisa, a perda massiva de empregos e o fim das bolsas de pós-doutorado.
Na perspectiva crítica do pensamento social latino-americano, esses processos levam à expulsão de profissionais e pesquisadores altamente qualificados, formados pelo Estado, à deterioração do poder aquisitivo de técnicos, bolsistas e pesquisadores, e à interrupção da trajetória de jovens bolsistas, o que impossibilita a formação de pessoal que sustentará a ciência do futuro.
As mobilizações populares e intersetoriais cumprem, assim, uma função pedagógica vital: conectar o trabalho das salas de aula e dos laboratórios com a sociedade cotidiana e buscar combater as narrativas de deslegitimação do trabalho do pessoal científico, demonstrando à comunidade que defender a ciência pública é defender o desenvolvimento, a qualidade da educação e as oportunidades de toda a sociedade.
Proteger a autonomia universitária, o financiamento da pesquisa e a liberdade acadêmica de programas de reeducação severos é crucial para o modelo de desenvolvimento inclusivo promovido pelas ciências sociais na região.
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@clacso Movilización en defensa de la ciencia, la tecnología y la educación Miércoles 12 de agosto de 2026 Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina
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