Marcha Silenciosa no Uruguai
Contra a impunidade, ontem e hoje.
A 24ª Marcha do Silêncio, organizada por Mães e Familiares de Uruguaios Detidos e Desaparecidos, acontece nesta segunda-feira, 20 de maio, sob o lema: "Digam-nos onde eles estão. Contra a impunidade de ontem e de hoje." Este ano participarei de longe, mas estarei presente, como tenho estado todos os anos. Hoje, mais do que nunca.
“As Marchas do Silêncio expressam a vontade de milhares de cidadãos em todo o nosso país, que não querem que essa história se repita. Nunca mais ditadura ou terrorismo de Estado!”, afirma o apelo à ação.
O encontro é “uma demonstração calorosa de solidariedade com aqueles que sofreram e ainda sofrem as consequências da barbárie do terrorismo de Estado; e particularmente com a luta das mães que procuraram e continuam a procurar seus filhos”, acrescenta.
Ignacio Errandonea, membro do grupo Mães e Familiares dos Detidos e Desaparecidos, falou sobre o combate à impunidade, enfatizando que “não é possível que as Forças Armadas continuem a ser comandadas por pessoas que pensam como pensavam durante a ditadura. Nós, do grupo Mães e Familiares, acreditamos que isso fere a sensibilidade de qualquer ser humano. Enquanto continuarem a esconder nossos familiares, os arquivos e a verdade, serão cúmplices dos desaparecimentos forçados. Meu irmão ainda está desaparecido, e cabe às Forças Armadas revelar a verdade”, concluiu.
A Marcha do Silêncio acontece ininterruptamente todo dia 20 de maio desde 1996 em Montevidéu, em outras cidades do Uruguai e até mesmo no exterior. Este ano, Buenos Aires, Paris, Madri e Santiago do Chile se juntam à marcha.
Em Montevidéu, a manifestação começa no cruzamento da Avenida Juan D. Jackson com a Avenida Rivera, onde se encontra o Monumento aos Desaparecidos e Detidos da América Latina (inaugurado em 2009), e termina na Plaza Libertad. A data escolhida homenageia as vítimas dos assassinatos da senadora Zelma Michelini, da Frente Ampla, do deputado Héctor Gutiérrez Ruiz, do Partido Nacional, e de Rosario Barredo e William Whitelaw, na Argentina.