Manifesto de Bogotá

Na quinta-feira, 11 de dezembro, ocorreu a apresentação pública do “Manifesto de Bogotá: Rumo a uma ciência aberta, democrática e socialmente relevante na América Latina e no Caribe.".

Este documento foi desenvolvido coletivamente pela FOLEC-CLACSO em conjunto com os Grupos de Trabalho “Ciência Aberta como Bem Comum” e “Ciência Social Móvel e Politizada”. Seu conteúdo deriva de um processo participativo iniciado durante a X Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais (Bogotá, junho de 2025), onde uma comunidade regional comprometida com a transformação dos sistemas de ciência e ensino superior começou a se formar. Após circular para coletar contribuições e feedback dessa comunidade, o manifesto é agora apresentado em sua versão final. Este texto também reafirma e expande a Declaração de Princípios da FOLEC (2022), projetando um novo consenso para avançar rumo a uma ciência aberta, democrática e socialmente relevante na América Latina e no Caribe.

Eles apresentaram:
Pablo VommaroDiretor Executivo da CLACSO
Judith NaidorfCoordenador da FOLEC CLACSO
Arianna Becerril GarciaCoordenador do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Ciência Aberta como Bem Comum (UAEM-Redalyc, México)
Saray Córdoba GonzálezCoordenador do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Ciência Aberta como Bem Comum (UCR, Costa Rica)
Guido Ricono, Coordenadora do Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ciências Sociais Móveis e Politizadas (UNComa, Argentina)
Ricardo Pérez Mora, Coordenadora do Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ciências Sociais Móveis e Politizadas (UdeG, México)

Eles comentaram:
Taira Edilma Stanley Icaza, Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Povos Indígenas e Disputas Epistêmico-Territoriais (Panamá)
Giovanna Lima, DORA (Brasil)
Dominique Babini, CLACSO (Argentina)
André Brasil Varandas PintoUniversidade de Leiden (Brasil-Países Baixos)
Nosisa DubeFundação Nacional de Pesquisa (África do Sul)

Organizado por: FOLEC – Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ciência Aberta como Bem Comum – Grupo de Trabalho CLACSO sobre Ciências Sociais Móveis e Politizadas


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O Manifesto foi inicialmente concebido no âmbito do X Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais (Bogotá, junho de 2025), onde uma comunidade regional comprometida com o avanço em direção a modelos de conhecimento e avaliação abertos, inclusivos e orientados coletivamente começou a se consolidar. Após essa circulação pública inicial, o documento recebeu contribuições e comentários de inúmeros atores acadêmicos, institucionais e territoriais, enriquecendo e expandindo seu conteúdo nos meses subsequentes.

Em sua versão final, o Manifesto de Bogotá reafirma e amplia as diretrizes estabelecidas pelo Declaração de Princípios da FOLEC (2022), especialmente no que diz respeito à avaliação socialmente relevante, à soberania epistêmica e tecnológica, à justiça cognitiva e à democratização do conhecimento. A apresentação deste documento representa mais um passo na consolidação do consenso regional para avançar rumo a políticas científicas mais abertas, responsáveis ​​e adaptadas ao contexto.

O Manifesto propõe uma arquitetura transformadora sustentada por três pilares inter-relacionados. O primeiro é o Ciência aberta como um bem comum, que concebe todo o processo científico — dados, publicações, infraestrutura, avaliação e participação social — como um bem público acessível, inclusivo e não comercial. O segundo é a construção de um novo modelo de avaliação científica com relevância socialque vai além das métricas comerciais e prioriza critérios qualitativos, contextualizados e participativos. O terceiro é o soberania epistêmica e tecnológicaO objetivo é recuperar o controle público e democrático sobre a infraestrutura, as plataformas, as linguagens e as ferramentas que possibilitam a produção e a circulação do conhecimento. Juntos, esses pilares orientam um horizonte de transformação estrutural para reconfigurar o ecossistema científico da região em bases mais justas, colaborativas e democráticas.

Esses três pilares são desdobrados em 11 pontos organizados em quatro princípios orientadores. O primeiro princípio, em direção a uma ciência ética, democrática e comprometida.Reúne diretrizes sobre justiça social na produção de conhecimento, diversidade linguística e cultural, reconhecimento do trabalho coletivo e garantia do direito humano de participar do progresso científico. O segundo princípio, democratização do conhecimento e soberania digitalInclui compromissos com o acesso aberto não comercial, o desenvolvimento de infraestruturas públicas interoperáveis ​​e a construção de sistemas de informação académicos inclusivos e representativos. O terceiro princípio, transformação de modelos de avaliaçãoO foco está na promoção de sistemas de avaliação abertos e contextualizados e na superação da dependência de métricas comerciais por meio de indicadores qualitativos e regionais, incorporando também critérios de equidade de gênero e apoio a novas trajetórias de carreira. O quarto princípio, Educação científica aberta e cultura como um bem comumIsso ressalta a importância de desenvolver capacidades críticas e pedagógicas para incorporar práticas de ciência aberta, avaliação responsável e justiça epistêmica em instituições, comunidades acadêmicas e políticas públicas.