Estudos de masculinidade: entre a 4ª onda e a reação antifeminista

 Estudos de masculinidade: entre a 4ª onda e a reação antifeminista


Seminário 2601

CadeiraCLACSO
Coordenação: Matías de Stéfano Barbero e Santiago Morcillo (CONICET, Argentina)

Equipe de ensino: Luciano Fabbri (Universidade Nacional de Rosário, Argentina), Daniel Eduardo Jones, Matías de Stéfano Barbero e Santiago Morcillo (CONICET, Argentina)

Início: 28/05/2026 | Inscrição: 14/04/2026 a 27/05/2026

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


Nas primeiras décadas do novo século, movimentos como Ni Una Menos e #MeToo levaram o mundo a refletir sobre questões de gênero e desafiaram o papel dos homens em relações sociais marcadas pela desigualdade e violência. Alguns anos depois, surgiram diversas reações, tanto masculinistas quanto antifeministas, que, de diferentes maneiras, convergiram com uma onda neoconservadora global. Esse contexto oferece uma oportunidade para reivindicar a perspectiva necessariamente relacional que os estudos de gênero e masculinidade exigem para as práticas de transformação social. Neste seminário, “Estudos de Masculinidade: Entre a 4ª Onda e a Reação Antifeminista”, que coordeno com Santiago Morcillo e que contará também com a participação de especialistas como Lucho Fabbri e Daniel Jones, convidamos você a se concentrar no papel dos homens e das masculinidades, abordando tanto as obras seminais do movimento quanto as análises sobre a perspectiva relacional dos homens e das masculinidades. estudos masculinosFoi aqui que surgiu a noção popular de “masculinidade hegemônica”, juntamente com o conjunto de críticas e questionamentos que ela suscitou, tanto globalmente quanto, especialmente, na América Latina. Após essa exploração de conceitos teóricos e seus debates, examinaremos os pontos fundamentais que, atravessando o pessoal e o político, conectam as masculinidades em suas relações e tensões com os campos das emoções, sexualidades, violência, saúde, poder e vulnerabilidade. Por fim, analisaremos o papel das masculinidades em duas de suas principais áreas de conexão: primeiro, a relação entre homens e feminismos, seus pontos de ruptura e transformações históricas; e segundo, o envolvimento dos homens na reação masculinista ou antifeminista, tal como se manifesta hoje. Essa exploração das principais questões que afetam as masculinidades nos permitirá construir uma abordagem que considere os homens em toda a sua complexidade e recuperar ou fortalecer a natureza relacional da perspectiva de gênero.

Desde seu surgimento em meados do século XX, a categoria de gênero tem se mostrado uma das principais ferramentas conceituais para desnaturalizar e analisar criticamente a estrutura social, bem como para questionar as diversas formas pelas quais a desigualdade e a violência se distribuem assimetricamente em nossas sociedades. Contudo, como apontaram diversos autores, como Joan Scott, a abordagem das relações de gênero frequentemente assume uma forma reducionista que postula a equivalência entre “gênero” e “mulher”.

Embora o lugar dos homens e das masculinidades na sociedade e sua implicação na desigualdade e na violência sejam questionados desde os primórdios do movimento feminista global, foi somente com o surgimento dos estudos de masculinidade na década de 1970 que diferentes perspectivas teóricas sobre o tema começaram a se consolidar. Desde sua origem, a masculinidade — no singular — tem sido problematizada. Algumas abordagens partiram de uma visão que construía uma causalidade linear e individualizante em relação ao poder; contudo, o conceito se mostrou dinâmico para a análise da produção e distribuição das desigualdades na estrutura de gênero. Hoje, no contexto da chamada "quarta onda" do feminismo, que apresenta novos desafios e questionamentos para os homens, o conceito de masculinidades alcançou níveis suficientes de visibilidade e análise crítica para transcender as esferas acadêmica e ativista, permeando diferentes setores e influenciando a agenda política e social argentina.

Neste seminário, propomos apresentar os fundamentos teóricos e as possibilidades políticas do conceito de masculinidade como ferramenta crítica para analisar e transformar as relações de gênero, examinando também as principais críticas e desenvolvimentos a partir de uma perspectiva interseccional. A estrutura do programa envolve uma progressão de conteúdo, com cada aula construindo e expandindo a anterior. Após a discussão teórica do conceito de masculinidade, masculinidades e "masculinidade hegemônica", propomos a análise de unidades temáticas, articulando teoria e pesquisa empírica, em uma trajetória que atravessa o pessoal e o político. Por um lado, essas unidades temáticas permitem explorar dimensões fundamentais para a compreensão das relações entre masculinidades e emoções, sexualidade, saúde, violência e poder. Além disso, tanto a abordagem teórica quanto as unidades temáticas preparam e nos capacitam a levantar e discutir duas questões atuais que funcionam como forças opostas: feminismos e masculinismo. Em outras palavras, abordaremos tanto as relações (e tensões) entre homens e movimentos feministas, quanto as respostas e posicionamentos dos homens em relação às correntes masculinistas ou antifeministas. Por fim, um elemento fundamental da nossa proposta é a participação ativa dos estudantes; portanto, ao longo do seminário, buscaremos fomentar a reflexão em espaços de debate e por meio de atividades específicas, estimulando assim uma compreensão mais profunda dos conceitos e suas implicações sociopolíticas através do diálogo e da troca de ideias entre os participantes.

Objetivo geral

  • Identificar as diferentes conceitualizações, suas possibilidades e limitações, bem como os debates no campo dos estudos de masculinidade.

Os objetivos específicos

  • Conhecer e utilizar as ferramentas teóricas que permitem a análise e as ações de intervenção neste campo, considerando gênero e masculinidade como conceitos relacionais.
  • Contextualizar criticamente as origens anglo-saxônicas dos estudos de masculinidade e reconhecer as especificidades e tensões que o trabalho etnográfico do sul global trouxe para o campo de estudo.
  • Analisar a concepção de masculinidade hegemônica em suas ligações com as emoções e a saúde, e nas relações entre homossocialidade, homofobia e sexualidade.
  • Analisar como a violência é apresentada e articulada na produção da masculinidade e na regulação das relações hierárquicas nos níveis inter e intragênero.
  • Analisar criticamente as tensões, resistências e desafios emergentes que o avanço feminista em nossa região apresenta para homens cisgêneros e heterossexuais.
  • Introdução aos estudos de masculinidade
  • Debates atuais nos estudos de masculinidade
  • Masculinidades no Sul
  • O papel das emoções na construção da masculinidade
  • Desejo e sexualidade, entre homossocialidade e homofobia
  • Masculinidades e saúde
  • Masculinidade, violência e gênero em homens que perpetraram violência contra mulheres em seus relacionamentos.
  • Obstáculos e resistência de homens cis aos processos de despatriarcalização das organizações
  • Reações antifeministas: da reação negativa e misoginia online à vanguarda neoconservadora.
  • Ana Clara Camarotti, D. Jones e Paloma Dulbecco (2020). “O impacto dos tratamentos nos modelos de masculinidade de homens com uso problemático de drogas na região metropolitana de Buenos Aires”. Em Revista Espanhola de Toxicodependência, vol. 45, nº 2, pp. 47-63, 2020. ISSN 0213-7615.
  • Ana Laura Azparren e Daniel Jones (2025). “Ex-presidiários visitando presos. A figura do companheiro de prisão paritário do Hogar de Cristo como estratégia de cuidado comunitário e experiência pós-penitenciária (Cidade Autônoma de Buenos Aires, 2024)”. Em Revista Crime e Sociedade, N° 60, 2025. ISSN: 0328-0101.
  • Connell, R. (2015) Das perspectivas do Norte às do Sul nos estudos de masculinidade. O gênero seriamenteUNAM, México.
  • Connell, RW (2003) “A organização social da masculinidade”, em RW Connell (2003) Masculinidades, pp. 103-132. Cidade do México: PUEG-UNAM.
  • Connell, RW, Messerschmidt, J. (2021). Masculinidade hegemônica. Repensando o conceito. [tradução e comentários de Stéfano Barbero, M., e Morcillo, S.] RELIES: Revista do Laboratório Ibero-Americano para o Estudo Socio-histórico das Sexualidades, (6), 32-62.
  • De Stéfano Barbero, Matías (2017) “Tornando-se homem na sala de aula: a intersecção entre masculinidade, homofobia e bullying escolar”, Cadernos Pagu N° 50. ISSN 1809-4449.
  • De Stéfano Barbero, Matías. (2021) “Quando a violência explodiu, foi porque eu não era valorizado”: ​​reconhecimento, dependências, (des)equilíbrios e rupturas.” Em Masculinidades (im)possíveis: violência e gênero, entre poder e vulnerabilidade, pp. Buenos Aires: Galerna.
  • Fabbri, L. (2019) A coprodução de narrativas com mulheres feministas como método-processo para o distanciamento androcêntrico (Capítulos 5 e 6). Tese de doutorado, FSOC-UBA.
  • Fuller, Norma (2012) “Repensando o machismo latino-americano”. Masculinidades e Mudança Social, 1(2), 114-133. doi:10.4471/MCS.2012.08
  • Gutmann, M. (2011) O fetiche da sexualidade masculina: oito erros comuns. Hernández, O., García, , e Contreras, K. (coord.) Masculinidades no México contemporâneo, 29-46. México: Universidade Autônoma de Tamaulipas/UAMCEH/Plaza y Valdés.
  • Kaufman, Michael (1989) “A construção da masculinidade e a tríade da violência masculina”. Em Prazer, poder e mudança., pp. Santo Domingo: CIPAF.
  • Kaufman, Michael (1995) “Homens, feminismo e as experiências contraditórias de poder entre os homens”. Em L. Arango, M. León e M. Viveros (orgs.) Gênero e identidade. Ensaios sobre o feminino e o masculino., pp. Bogotá: Terceiro Mundo.
  • Kimmel, M. (1997) “Homofobia, medo, vergonha e silêncio na identidade masculina”, em T. Valdés e J. Olavarría (orgs.) Masculinidade/s: poder e crisepp. 49-62. ISIS-FLACSO: Edições Femininas.
  • Morcillo, S., Martynowskyj, E., e de Stéfano Barbero, M. (2024). "Não é um bom momento para ser homem": influenciadores antifeministas na disputa hegemônica sobre masculinidades na Argentina. Plaza Pública, 17(32), 108–132.
  • Morcillo, Santiago; Martynoswkyj, Estefania; de Stefano Barbero, Matias (2024) “Não sou contra o feminismo, mas...” Reações de oposição ao feminismo em discursos online na Argentina, Revista Mora; vol. 30
  • Seidler, Victor (1995) “Homens heterossexuais e sua vida emocional”. Debate feministaAbril, pp. 78-111.
  • Viveros Vigoya, Mara (2009) “Teorias e estudos feministas sobre homens e masculinidades. Dilemas e desafios recentes”. Em JC Ramírez e G. Uribe (orgs.) MasculinidadesO jogo dos homens em que participam as mulheres, pp. 15-24. Madrid: Plaza y Valdés.
 

Inscrições antecipadas (até 05/05)

Inscrições gerais (6 a 21 de maio)

Inscrição sem desconto
(22 a 27 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados 

 

100 USD

 

USD 150

 

200 USD

Sem link

150 USD

USD 225

300 USD

 
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso com desconto, sem custo algum. Sala de aula CLACSOAcesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.

Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.

O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.
O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre os instrutores e os alunos para garantir a participação de todos. A presença nas sessões síncronas não é obrigatória.
Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.

 

Inscrições antecipadas (até 05/05)

Inscrições gerais (6 a 21 de maio)

Inscrição sem desconto
(22 a 27 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados 

 

100 USD

 

USD 150

 

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Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito ou transferência bancária.



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