Os esforços conjuntos dos BRICS no combate ao novo coronavírus

 Os esforços conjuntos dos BRICS no combate ao novo coronavírus

Wang Lei1

Os países do BRICS mantêm um diálogo contínuo sobre questões de política internacional que lhes dizem respeito, sendo o novo coronavírus o maior desafio que o bloco enfrentou até agora em 2020. Numa era caracterizada pela globalização, ninguém pode permanecer isolado e priorizar-se em detrimento dos outros diante de uma epidemia global.

Considerando os casos confirmados do novo coronavírus entre os países membros e o perigo iminente de sua propagação, a única opção restante é intensificar a cooperação e a confiança mútua, unindo forças para vencer a luta contra a epidemia.

A importância do consenso

Os países do BRICS possuem a maior população do mundo, o que torna o esforço conjunto no combate às doenças infecciosas de vital importância. Um amplo consenso foi alcançado por meio da cooperação, sendo a primeira reunião dos ministros da saúde do bloco, em Pequim, em julho de 2011, um excelente exemplo desse trabalho colaborativo.

Por outro lado, em uma cúpula realizada em Nova Delhi em 2012, os líderes do BRICS expressaram a necessidade de implementar um sistema de saúde mais justo, eficiente e sustentável em resposta ao aumento dos custos e à disseminação de doenças infecciosas e não infecciosas que afetam os cinco países membros: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Portanto, três anos depois, na Cúpula de 2015 realizada na cidade russa de Ufa, essas questões foram discutidas novamente, com os líderes expressando a necessidade de fortalecer a coordenação com a ONU e a OMS para enfrentar com sucesso as doenças infecciosas.

Quando a África do Sul assumiu a presidência do BRICS em 2018, os esforços se concentraram na pesquisa e desenvolvimento de vacinas, o que levou à criação de um centro dedicado. A terceira reunião de alto nível da ONU sobre a prevenção e o controle de doenças não transmissíveis também foi um foco importante. Outra reunião de líderes do BRICS está agendada para julho deste ano, onde se espera um consenso ainda maior sobre a gestão da saúde pública e o combate às doenças transmissíveis.

Ajuda mútua

Desde o surto do novo coronavírus na cidade de Wuhan, província de Hubei, que se espalhou rapidamente por todo o país e depois para o resto do mundo, os líderes e governos dos BRICS expressaram seu apoio de diversas maneiras. Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro; da Rússia, Vladimir Putin; da Índia, Narendra Modi; e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, manifestaram sua solidariedade ao governo e ao povo chinês por meio de cartas pessoais e vídeos televisionados. Da mesma forma, o Congresso Nacional Africano (ANC) elogiou a atuação responsável e eficaz da China no combate ao vírus e também enviou suprimentos médicos, como máscaras e luvas de proteção, além de ajuda humanitária.

Por sua vez, o governo chinês auxiliou os países do BRICS na evacuação de seus cidadãos de Wuhan, enquanto esses países continuaram a fornecer instalações para cidadãos chineses que viajam, estudam, trabalham ou vivem em seus territórios.

Entre 11 e 13 de fevereiro, quando a China estava no auge da sua luta contra o coronavírus e a Rússia começava a registrar seus primeiros casos, o bloco assinou uma declaração comprometendo todos os membros a cooperarem estreitamente para acabar com a epidemia o mais rápido possível. Isso demonstra o claro espírito de solidariedade entre os cinco países, que continuam trabalhando juntos diariamente para garantir o bem-estar de seus povos e da comunidade BRICS, visando um futuro compartilhado.

Unindo forças para superar as dificuldades.

À medida que a prevenção e o controle do novo coronavírus entram em uma fase crítica em todo o mundo, com a OMS elevando o nível de risco de "alto" para "muito alto", o impacto tem sido sentido em diferentes esferas, da economia ao comércio, especialmente nas economias emergentes.

Além disso, o risco de a epidemia se espalhar para áreas com sistemas de saúde pública mais precários aumentou consideravelmente, à medida que novos casos de infecção ou suspeita de infecção foram detectados.

Os países do BRICS têm uma população de 3200 bilhões — 42% da população mundial —, o que torna cruciais todos os esforços dedicados à prevenção e ao controle. É por isso que o bloco tem mantido uma frente unida contra alguns meios de comunicação que tentam exacerbar o medo e, pior, associar o novo coronavírus a uma raça ou grupo específico de pessoas. 

À medida que o novo coronavírus se espalha por mais da metade dos países do mundo, o BRICS deve ampliar ainda mais seus esforços para combater conjuntamente o vírus e, assim, salvaguardar o princípio do multilateralismo que o define. Isso não apenas reflete seu espírito de abertura, inclusão, cooperação e benefício mútuo, mas também impulsiona a construção de um mundo caracterizado por paz duradoura, segurança universal e prosperidade para todos.


1- Wang Lei é professor adjunto no Instituto de Governança e diretor do Centro de Estudos de Cooperação dos BRICS na Universidade Normal de Pequim. Artigo publicado na revista “China Today”..

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