Masculinidades entre o pessoal e o político

 Masculinidades entre o pessoal e o político


Seminário 2255

CadeiraCLACSO
Coordenação: Matías de Stéfano Barbero e Santiago Morcillo (CONICET, Argentina)

Equipe de ensino: Luciano Fabbri (Universidade Nacional de Rosário, Argentina), Daniel Eduardo Jones, Matías de Stéfano Barbero e Santiago Morcillo (CONICET, Argentina)

Início: 27/07/2022 | Inscrição: 02/05/2022 a 26/07/2022

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.



Os feminismos têm levado o mundo a refletir sobre gênero e as relações entre o pessoal e o político. No entanto, a perspectiva necessariamente relacional que essa reflexão e as práticas transformadoras a ela associadas exigem são frequentemente negligenciadas. Este seminário propõe redirecionar a atenção para o papel dos homens e das masculinidades. Para tanto, abordaremos tanto as obras seminais dos estudos de gênero, das quais se origina a hoje muito discutida noção de "masculinidade hegemônica", quanto o conjunto de críticas e questionamentos que elas suscitaram, globalmente e, sobretudo, na América Latina. Essa abordagem das noções teóricas e seus debates nos prepara para trabalhar os pontos fundamentais que, atravessando o pessoal e o político, conectam as masculinidades em suas relações e tensões com os campos das emoções, sexualidades, vulnerabilidades e poder, violência e saúde. Por fim, propomos analisar duas conexões-chave: por um lado, as relações entre homens e feminismos, seus pontos de ruptura e transformações históricas; Por outro lado, devemos examinar o envolvimento dos homens na reação masculinista (antifeminista), tanto em suas origens quanto em suas manifestações atuais. Essa exploração das principais questões que afetam as masculinidades nos permitirá desenvolver uma abordagem que considere os homens em toda a sua complexidade e recuperar ou fortalecer a natureza relacional da perspectiva de gênero.

Desde seu surgimento em meados do século XX, a categoria de gênero tem se mostrado uma das principais ferramentas conceituais para desnaturalizar e analisar criticamente a estrutura social, bem como para questionar as diversas formas pelas quais a desigualdade e a violência se distribuem assimetricamente em nossas sociedades. Contudo, como apontaram diversos autores, como Joan Scott, a abordagem das relações de gênero frequentemente assume uma forma reducionista que postula a equivalência entre “gênero” e “mulher”.

Embora o lugar dos homens e das masculinidades na sociedade e sua implicação na desigualdade e na violência sejam questionados desde os primórdios do movimento feminista global, foi somente com o surgimento dos estudos de masculinidade na década de 1970 que diferentes perspectivas teóricas sobre o tema começaram a se consolidar. Desde sua origem, a masculinidade — no singular — tem sido problematizada. Algumas abordagens partiram de uma visão que construía uma causalidade linear e individualizante em relação ao poder; contudo, o conceito se mostrou dinâmico para a análise da produção e distribuição das desigualdades na estrutura de gênero. Hoje, no contexto da chamada "quarta onda" do feminismo, que apresenta novos desafios e questionamentos para os homens, o conceito de masculinidades alcançou níveis suficientes de visibilidade e análise crítica para transcender as esferas acadêmica e ativista, permeando diferentes setores e influenciando a agenda política e social argentina.

Neste seminário, propomos apresentar os fundamentos teóricos e as possibilidades políticas do conceito de masculinidade como ferramenta crítica para analisar e transformar as relações de gênero, examinando também as principais críticas e desenvolvimentos a partir de uma perspectiva interseccional. A estrutura do programa envolve uma progressão de conteúdo, com cada aula construindo e expandindo a anterior. Após a discussão teórica do conceito de masculinidade, masculinidades e "masculinidade hegemônica", propomos a análise de unidades temáticas, articulando teoria e pesquisa empírica, em uma trajetória que atravessa o pessoal e o político. Por um lado, essas unidades temáticas permitem explorar dimensões fundamentais para a compreensão das relações entre masculinidades e emoções, sexualidade, saúde, violência e poder. Além disso, tanto a abordagem teórica quanto as unidades temáticas preparam e nos capacitam a levantar e discutir duas questões atuais que funcionam como forças opostas: feminismos e masculinismo. Em outras palavras, abordaremos tanto as relações (e tensões) entre homens e movimentos feministas, quanto as respostas e posições dos homens em relação às correntes masculinistas (ou antifeministas). Por fim, um elemento fundamental da nossa proposta é a participação ativa dos estudantes; portanto, ao longo do seminário, buscaremos fomentar a reflexão em espaços de debate e por meio de atividades específicas, estimulando, assim, uma compreensão mais profunda dos conceitos e suas implicações sociopolíticas através do diálogo e da troca de ideias entre os participantes.

Objetivo geral

  • Identificar as diferentes conceitualizações, suas possibilidades e limitações, bem como os debates no campo dos estudos de masculinidade.

Os objetivos específicos

  • Conhecer e utilizar as ferramentas teóricas que permitem a análise e as ações de intervenção neste campo, considerando gênero e masculinidade como conceitos relacionais. 
  • Contextualizar criticamente as origens anglo-saxônicas dos estudos de masculinidade e reconhecer as especificidades e tensões que o trabalho etnográfico do sul global trouxe para o campo de estudo. 
  • Analisar a concepção de masculinidade hegemônica em suas ligações com as emoções e a saúde, e nas relações entre homossocialidade, homofobia e sexualidade.
  • Analisar como a violência é apresentada e articulada na produção da masculinidade e na regulação das relações hierárquicas nos níveis inter e intragênero.
  • Analisar criticamente as tensões, resistências e desafios emergentes que o avanço feminista em nossa região apresenta para homens cisgêneros e heterossexuais.
  • Debates atuais nos estudos de masculinidade
  • Masculinidades no Sul
  • O papel das emoções na construção da masculinidade
  • Desejo e sexualidade, entre homossocialidade e homofobia
  •  A relação entre risco e desempenho
  • Masculinidades e violência 
  • Masculinidade, violência e gênero em homens que perpetraram violência contra mulheres em seus relacionamentos.
  • Obstáculos e resistência de homens cis aos processos de despatriarcalização das organizações
  • A reação antifeminista: a defesa dos “direitos dos homens e dos pais” e de outros “homens raivosos”.
  • Introdução aos estudos de masculinidade
  • Connell, R. (2015) Das perspectivas do Norte às do Sul nos estudos de masculinidade. In Gender Seriously. UNAM, México.
  • Connell, RW (2003) “A organização social da masculinidade”, em RW Connell (2003) Masculinidades, pp. 103-132. Cidade do México: PUEG-UNAM.
  • Connell, RW e Messerschmidt, JW (2022) “Masculinidade hegemônica: repensando o conceito”, RELIES, no prelo. 
  • De Keijzer, Benno (1998) “Masculinidade como fator de risco”. 
  • De Stéfano Barbero, Matías (2017) “Tornando-se homem na sala de aula: a intersecção entre masculinidade, homofobia e bullying escolar”, Cadernos Pagu nº 50. ISSN 1809-4449.
  • De Stéfano Barbero, Matías. (2021) “Quando a violência explodiu, foi porque eu não era valorizado”: ​​reconhecimento, dependências, (des)equilíbrios e rupturas”. In Masculinidades (im)possíveis. Violência e gênero, entre poder e vulnerabilidade, pp. 343-398. Buenos Aires: Galerna.
  • Fabbri, L. (2019) A coprodução de narrativas com mulheres feministas como um método-processo para o distanciamento androcêntrico (Capítulos 5 e 6). Tese de doutorado, FSOC-UBA. 
  • Flood, Michael [2004] (2021). “Reação: Os Movimentos dos Homens Irados”. Tradução de Martín Vainstein. Em Luciano Fabbri (organizador), Masculinidade Incômoda (pp. 213-245). Rosário: UNR Editora e Homo Sapiens. 
  • Fuller, Norma (2012) “Repensando o machismo latino-americano”. Masculinidades e Mudança Social, 1(2), 114-133. doi:10.4471/MCS.2012.08
  • Gutmann, M. (2011) O fetiche da sexualidade masculina: oito erros comuns. Hernández, O., García, A., e Contreras, K. (coord.) Masculinidades no México Contemporâneo, 29-46. México: Universidade Autônoma de Tamaulipas/UAMCEH/Plaza y Valdés.
  • Kaufman, Michael (1989) “A construção da masculinidade e a tríade da violência masculina”. Em Homens. Prazer, poder e mudança, pp. 19-64. Santo Domingo: CIPAF.
  • Kaufman, Michael (1995) “Homens, feminismo e as experiências contraditórias de poder entre os homens”. In L. Arango, M. León e M. Viveros (orgs.) Gênero e identidade. Ensaios sobre o feminino e o masculino, pp. 123-146. Bogotá: Tercer Mundo. 
  • Kimmel, M. (1997) “Homofobia, medo, vergonha e silêncio na identidade masculina”, em T. Valdés e J. Olavarría (orgs.) Masculinidade/ões: poder e crise, pp. 49-62. ISIS-FLACSO: Edições Femininas.
  • Morcillo, Santiago; Martynoswkyj, Estefanía e De Stéfano Barbero, Matías (2021b) “'O importante não é colocar, mas tirar saudável e na hora certa'. Masculinidade e saúde entre homens que pagam por sexo na Argentina”. Working Papers, 25
  • Petrocelli, Samir (2021). “A androsfera.” Em Luciano Fabbri (compilador), op. cit. (pp. 195-212).
  • Seidler, Victor (1995) “Homens heterossexuais e sua vida emocional”. Debate Feminista, abril, pp. 78-111.
  • Viveros Vigoya, Mara (2009) “Teorias e estudos feministas sobre homens e masculinidades. Dilemas e desafios recentes”. In JC Ramírez e G. Uribe (orgs.) Masculinidades. O jogo dos homens em que as mulheres participam, pp. 15-24. Madrid: Plaza y Valdés.

 



Desconto para pagamento único até 15/07

Em um único pagamento após 15/07

CM Plenos

75 USD

150 USD

CM Associates

95 USD

190 USD

Sem link

95 USD

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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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