"As desigualdades devem fazer parte do debate político e eleitoral no Uruguai."

 "As desigualdades devem fazer parte do debate político e eleitoral no Uruguai."

Transcrição da coluna de Karina Batthyány
Em InfoCLACSO – 17 de abril de 2024

Como parte das comemorações do 175º aniversário da nossa Universidade da República (Udelar), foi importante trazer o Comitê Diretivo do CLACSO ao Uruguai. A última vez que o Comitê se reuniu no país foi durante o retorno à democracia, em 1986, e o encontro impulsionou significativamente o desenvolvimento das ciências sociais e humanas no país.

Hoje, essas disciplinas estão bem estabelecidas no Uruguai, oferecendo um alto nível tanto de formação quanto de pesquisa. Além disso, consideramos muito importante compartilhar a experiência do Comitê Diretivo do CLACSO com a nossa Universidade da República, para que ela tivesse a oportunidade de interagir com colegas de nossas disciplinas em todo o país.

Além disso, tivemos o privilégio e a honra de contar com a presença do Reitor da Universidade da República (Udelar), Rodrigo Arim, na inauguração da sessão do Comitê Diretivo. Ele enfatizou a importância política e acadêmica da presença do nosso Comitê no Uruguai, dada a complexa conjuntura que nossa região enfrenta atualmente, a qual exige, cada vez mais, um trabalho rigoroso, sério e incansável nas ciências sociais.

O Reitor Rodrigo Arim também reconheceu a importância da CLACSO como a principal plataforma regional e global para as ciências sociais e humanas.

– Entre os temas, sempre há prioridades centrais em cada Comitê Diretivo, porém, #CLACSO2025 está começando a surgir como uma das principais áreas de trabalho, não é?

Claro. O trabalho do nosso Comitê Diretivo está sempre focado no planejamento e na consolidação do que foi realizado nos meses anteriores, bem como no planejamento para os meses seguintes. E já está na agenda o importante encontro das ciências sociais e humanas, a Conferência Regional da América Latina e do Caribe, que antecede a #CLACSO2025 em Bogotá, Colômbia. E, naturalmente, estávamos trabalhando em conjunto com o Comitê Diretivo nesse sentido, definindo os temas, as prioridades e o conteúdo político e acadêmico da nossa próxima Conferência.

– Por que a escolha do tema das desigualdades na América Latina no Fórum Internacional em Montevidéu, Uruguai?

Primeiramente, porque faz parte das nossas Plataformas de Diálogo Social e também porque é um tema central na América Latina hoje. Além disso, queríamos trazer a discussão para o Uruguai porque estamos em um contexto eleitoral, onde o modelo do país e as propostas dos diversos partidos políticos estão sendo debatidos para o próximo mandato. Portanto, inserir a discussão sobre as desigualdades na América Latina no momento em que esses debates estão ocorrendo é uma contribuição valiosa em termos de conhecimento, sua relação com as políticas públicas e sua conexão com os movimentos e organizações sociais. Ademais, as questões mencionadas, que estão acontecendo hoje em nossa região, juntamente com suas implicações para a América Latina e o Caribe, devem estar na agenda do debate político e eleitoral no Uruguai.

– Há um momento muito especial que envolve o lançamento de um livro. É um reconhecimento fundamental do trabalho dos movimentos feministas no Uruguai. Conte-nos um pouco sobre isso.

Esta é a apresentação do livro de Rosario Aguirre, pioneira nos estudos de gênero, particularmente no campo da sociologia de gênero no Uruguai, e também na América Latina e no Caribe, ao lado de outras pioneiras do feminismo. A editora do CLACSO compilou suas principais contribuições como forma de evidenciar a missão do CLACSO, pois ela sempre conectou conhecimento e políticas públicas com movimentos sociais, neste caso, o movimento feminista.

Portanto, esta é uma homenagem a uma pioneira, uma mulher, uma cientista social na América Latina e no Caribe, entre outras coisas. É também uma forma de destacar o trabalho de certas vozes e ideias que talvez não tenham tido a visibilidade que mereciam e que nós, da CLACSO, estamos agora nos esforçando para trazer à luz. Além disso, devo mencionar que esta publicação tem um componente muito pessoal, visto que Rosario Aguirre é, foi e sempre será minha mentora. Ao lado dela, me formei, trabalhei e tive discussões muito interessantes sob uma perspectiva acadêmica, política e humana.


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