“As culturas hegemônicas tentam impor sua monocultura à Terra”

 “As culturas hegemônicas tentam impor sua monocultura à Terra”

Prêmio de Ciências Sociais da América Latina e do Caribe na 9ª Conferência de Ciências Sociais da América Latina e do Caribe, em junho, na Cidade do México. Ailton Krenak, filósofo, escritor, ecologista e membro do movimento indígena brasileiro visitou a sede do Secretariado Executivo da CLACSO em Buenos Aires e foi entrevistado para o CLACSO.tv.

Em abril de 2024, ele se tornou a primeira pessoa indígena no Academia Brasileira de LetrasNaquela ocasião, ele expressou a esperança de que sua nomeação marcasse um novo capítulo na relação da Academia Brasileira de Letras com os povos indígenas, ressaltando a importância de reconhecer e valorizar a diversidade cultural do Brasil.



Nascido em Minas Gerais, às margens do Rio Doce, mudou-se com a família para o Paraná aos dezessete anos. Na década de 1980, dedicou-se exclusivamente ao movimento indígena. Em 1985, fundou a organização não governamental Centro de Cultura Indígena. Eleito para o Congresso Nacional do Brasil em 1986, Ailton integrou a Assembleia Nacional Constituinte que redigiu a Constituição Brasileira de 1988. Nesse mesmo ano, participou da fundação da União dos Povos Indígenas (UIP), para representar os interesses indígenas no cenário nacional.

Em 1989, participou da Aliança dos Povos da Floresta, um movimento que buscava a criação de reservas naturais na Amazônia. Desde 1998, a organização realiza um festival na região da Serra do Cipo, em Minas Gerais, idealizado por Ailton: o Festival de Dança e Cultura Indígena, para promover a integração entre os diferentes grupos indígenas brasileiros. Atualmente, atua como assessor especial do Governo de Minas Gerais para assuntos indígenas.

Em 2008, ele recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura do Brasil.

É autor dos livros “Ideas para postergar el fin del mundo”, “O lugar onde a terra descanso”, “O amanhã não está à venda”, “A vida não é úti” e “Lugares de origen” em coautoria com Yussef Campos, onde apresentam um confronto com a monocultura simbólica que as culturas hegemónicas tentam impor ao ser humano e ao planeta.


Entrevistado por Gustavo Lema


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