Saúde Reprodutiva Feminina: O Cuidado no Centro

A edição nº 16 da revista foi lançada. Mulher Sapiens, uma publicação da “Infante-Promoção Integral da Mulher e da Criança” de Cochabamba, Bolívia, com o tema “Saúde Reprodutiva Feminina: O Cuidado no Centro".
Os colaboradores desta edição incluem: Carolina Garcés, Carmen Núñez Arébalo, Magali J. Saavedra Alacama, Mariano Román Schejter e a Diretora Executiva da CLACSO, Karina Batthyány. Editora: Daniela A. Elías.

Em sua apresentação, ele afirma que “Os setores reacionários se autodenominam, entre outras coisas, defensores da vida. Sua reivindicação se baseia unicamente na sua obstinada oposição ao direito da mulher à autonomia e à autodeterminação sobre o próprio corpo, o que inclui, entre muitas outras coisas, a decisão de engravidar ou não, de ser mãe ou não. Mas, assim como se opõem ao aborto, paradoxalmente defendem o sistema capitalista, esse feroz processo de acumulação e concentração de riqueza que não só tornou a vida humana precária, como também está pondo em risco todas as formas de existência no planeta.”
Em contraste com esses "defensores da vida" que defendem o individualismo desenfreado do "cada um por si", priorizando o dinheiro em detrimento da devastação e do esgotamento de recursos naturais vitais como a água, o feminismo se destaca. São as feministas, por meio de seu pensamento teórico e ação política, as verdadeiras guardiãs da reprodução da vida.
Entre as muitas maneiras pelas quais os feminismos cumprem esse papel, está a de colocar o trabalho de cuidado no centro do debate como uma forma de vínculo comunitário interdependente. Em "Mulheres e Reprodução: O Cuidado no Centro", a décima sexta edição da Mulier Sapiens, abordamos essa questão destacando e denunciando a distribuição desigual do trabalho de cuidado, que recai principalmente sobre as mulheres. Também nos interessa explorar as propostas e ações emancipatórias empreendidas por mulheres, feministas e não feministas, com vistas à sustentabilidade e ao cuidado da vida.
Os diversos artigos desta edição concordam que a reflexão sobre o cuidado revela nossas relações de interdependência e nos expõe como realmente somos: seres sociais e frágeis. Da mesma forma, ao denunciarem o fardo desproporcional do trabalho de cuidado imposto às mulheres, identificam uma forma de discriminação estrutural que torna suas vidas precárias e exaustivas. Denunciam também como o patriarcado romantiza essa discriminação ao se referir ao trabalho de cuidado como "atos de amor altruísta realizados por mulheres", em vez de reconhecê-lo como o que realmente é: trabalho feminizado, não reconhecido e não remunerado.
Infante - Promoção Integral de Mulheres e Crianças
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