A educação, um verdadeiro exercício de liberdade.
Vernor Muñoz* - Para o “Dia Mundial dos Professores”
A vida encontra seu caminho através das sombras da inércia. Como uma linha que avança na beira de um abismo, as tochas que iluminam o caminho sempre foram carregadas por professores. São eles que compartilham seu próprio aprendizado e o que é útil para iluminar o mundo. Por isso, por definição, o trabalho dos professores é sempre jovem, deve sempre ser, porque sua missão é encontrar novas respostas para os problemas que complicamos desnecessariamente.
Por isso, a vocação para o ensino cria raízes com facilidade nos corações dos jovens e tende a se multiplicar à medida que crescem, duvidam, sofrem ou sorriem. A tocha é passada de mão em mão, e a esperança se multiplica. É por isso que é importante incentivar a liderança juvenil, cuja forma mais eficaz de expressão é o ensino, pois esse trabalho tem o potencial de construir as habilidades necessárias para dignificar o mundo e consolidar condições de igualdade, inclusão, justiça e democracia.
Facilitar a formação de professores desde tenra idade é garantia de desenvolvimento.
Ninguém aprende por meio de exortações, ninguém ensina por meio de ostentação. Como disse Paulo Freire, aprendemos juntos, por meio do exemplo vivo, ativo e respeitoso que demonstra a diversidade e as múltiplas interpretações do mundo. É por isso que a educação deve ser um verdadeiro exercício de liberdade, e os professores são aqueles que acendem as luzes que nos permitem cultivá-la.
A educação é um fator da vida; é um sistema organizacional que integra todos os fenômenos ecológicos que tornam a evolução possível.
A aprendizagem coletiva é a verdadeira fonte da educação, pois nos coloca em uma situação de comunicação total e constitui um genuíno exercício de liberdade. Como aquela linha que avança na beira do abismo, a educação é um processo vital construído sobre a linguagem interativa das pessoas com o mundo. Tudo o que aprendemos lança luz sobre um universo complexo que permanecia oculto, ou, como disse Ungaretti, cada farol aceso liberta o mar da neblina.
Celebramos os jovens professores, por assim dizer, porque a educação é um ato de amor e sem eles não encontraríamos palavras para reconhecê-lo.
*Vernor MuñozIntelectual e ativista de direitos humanos costarriquenho, é membro do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre "Políticas Educacionais e o Direito à Educação". Especializa-se em ensino universitário e processos participativos em Educação em Direitos Humanos, tanto no ensino superior quanto com grupos de crianças e adolescentes, técnicos, profissionais e pessoas sem instrução formal. Desenvolveu uma carreira interdisciplinar que abrange educação, pesquisa, artes e literatura, reconhecida com o prêmio nacional de contos de seu país. Em agosto de 2004, foi nomeado Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Educação, cargo que ocupou até julho de 2010. É também professor e pesquisador do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Nacional da Costa Rica, assessor do Escritório Regional para as Américas da Plan International e membro do Conselho Deliberativo do Fundo Regional da Sociedade Civil para a Educação. Publicou treze livros de ensaios, poesia e ficção. Muitas de suas obras foram traduzidas para inglês, francês, árabe, russo, chinês, português, italiano, alemão e croata, e ele foi professor visitante em universidades na Argentina, Alemanha, Espanha, Nicarágua, Colômbia e Suíça.
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