“A desigualdade na América Latina está ligada à divisão sexual injusta do trabalho e do cuidado.”
Como parte do segundo encontro da Série de Conversas Virtuais sobre Seguridade Social e Sistema Previdenciário, organizada pela CLACSO, Fundação Friedrich Ebert, IADE e o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Seguridade Social e Sistemas Previdenciários, a CLACSOTV conversou com Laura Pautassi, pesquisadora do CONICET – Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires. Diretora do Grupo Interdisciplinar de Direitos Sociais e Políticas Públicas.
Entrevistado por Gustavo Lema
Laura Pautassi argumentou que “não precisamos mais falar apenas sobre a crise da pandemia, mas sobre como nos posicionamos para pensar não só nas soluções — porque isso provavelmente levará algum tempo — mas também em como sairemos dela em uma posição melhor e como podemos construir sociedades um pouco menos desiguais do que as que temos na América Latina. A América Latina não é apenas o continente mais desigual do mundo, medido pela desigualdade de renda, mas essa desigualdade também está ligada à injusta divisão sexual do trabalho e do cuidado, e isso foi trazido à tona pela pandemia. De fato, as principais contribuições das perspectivas de gênero, dos estudos feministas de economia e da sociologia do cuidado mostram claramente como a economia não monetária está sustentando as economias monetárias; a crise está sendo sustentada graças a esse trabalho invisível, não reconhecido e não remunerado, que é realizado principalmente por mulheres na região. Portanto, a proposta de uma renda básica universal é debatida há muitas décadas, uma proposta que começou na década de 90, principalmente na Europa, por alguns [ilegível/ilegível]. Dos mais proeminentes políticos contemporâneos Teóricos e filósofos... A renda cidadã oferece uma resposta; é uma proposta de como podemos estabelecer uma renda que seja, no mínimo, suficiente para satisfazer as necessidades básicas — em sentido amplo, necessidades básicas —, mas que seja universal, ou seja, para todos, e que seja incondicional, sem nada em troca. Isso também tem peso significativo na América Latina, onde foi implementado na década de 90, época em que a condicionalidade e a reciprocidade eram centrais nas políticas sociais. E essa própria ideia de incondicionalidade implica também uma construção de autonomia.
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