A crise do capitalismo e o coronavírus
Os mercados de ações mundiais entraram em colapso e Wall Street está em sua pior crise desde a década de 1990.Segunda-feira NegraEm 1987, o mundo financeiro já vinha sinalizando sua fragilidade e provável colapso há alguns anos. Aqueles que associam os problemas do mercado de ações à epidemia de coronavírus estão confundindo dois fenômenos distintos. Para piorar a situação, simultaneamente, o mercado global de petróleo também entrou em colapso em decorrência de conflitos entre os exportadores de petróleo.
A queda da bolsa de valores, o coronavírus e o conflito petrolífero estão ocorrendo em meio a uma campanha política nos EUA que determinará o próximo ocupante da Casa Branca no final do ano. A saúde dos mercados de ações depende da confiança dos investidores. Embora existam milhões de investidores, apenas cerca de cinquenta — aproximadamente — controlam os trilhões de dólares negociados nas bolsas de valores todos os dias.
Analistas descrevem como as ações de grandes empresas ligadas aos setores bancário, de seguros e imobiliário despencaram. Obviamente, a crise em Wall Street e nos mercados de ações mundiais não é culpa do coronavírus. Seja nos centros financeiros do capitalismo, em fóruns sobre mudanças climáticas ou em espaços onde vantagens geopolíticas são disputadas, os debates não estão levando a soluções. Em última análise, para entender a crise, a discussão deve ser direcionada para o funcionamento do sistema capitalista em escala global.
Alguns argumentam que existem três atores principais no debate: o grande capital corporativo, organizações não governamentais poderosas e forças populares. O capital corporativo propõe aprimorar a administração do sistema (a globalização proposta pelo capital corporativo). estabelecimentoou retornar a um passado idílico (na agenda de Trump). ONGs globais insistem em reduzir a ameaça catastrófica representada pelo aquecimento global. As forças populares estão divididas entre aqueles que propõem transformar o sistema (socialismo ou outra opção) e aqueles que defendem que ele pode ser reformado (capitalismo). leve).
O capital corporativo, que domina todas as transações especulativas e investimentos produtivos em todo o mundo, ficou alarmado com a publicação, em 2015, do livro de Thomas Piketty sobre Capital do século XNUMXO trabalho do francês indica — com dados empíricos — que a acumulação de capital tem um limite e que esse limite está se aproximando. Qual seria o choque maior, o livro de Piketty ou O capital Por Karl Marx, publicado há um século e meio?
A guerra entre capitalistas por lucros cada vez maiores chegou a tal ponto que as margens estão se esgotando. A produção capitalista (baseada em trabalho assalariado) nos EUA deixou de ser lucrativa há várias décadas. A China, com sua força de trabalho inesgotável, tornou-se o centro manufatureiro global, suplantando os EUA. Nova York acredita que pode se tornar a capital financeira mundial e controlar a produção industrial por meio do sistema bancário. Há um século, a Grã-Bretanha pensava que poderia fazer o mesmo por meio do... cidade De Londres. Os britânicos tiveram que se render de corpo e alma ao poder americano quando descobriram que estavam falidos. Será que o mesmo acontecerá com a aliança entre Washington e Pequim?
A epidemia de coronavírus está causando grandes estragos. Há mais de 120 casos confirmados e quase 5 mortes em todo o mundo. Grande parte dos danos foi contida em uma província da China. Pequim anunciou que o número de casos está diminuindo e que os hospitais construídos para lidar com a emergência estão sendo fechados. Isso é uma boa notícia, até certo ponto, para a China. A tendência, no entanto, continua a aumentar na Europa e nos EUA.
A crise do capitalismo — com ou sem o coronavírus — continuará a castigar a economia global e os países da comunidade internacional. Será que os mercados de ações conseguirão se recuperar? Será que as economias "reais" conseguirão continuar produzindo para um mercado em crise? Desde a década de 1970, a economia americana se tornou um cassino onde tudo é apostado em uma gigantesca mesa de roleta. A classe trabalhadora está presa, girando sem parar. O coronavírus nos mostrou o quão frágil é a economia capitalista. Tudo indica que precisamos nos preparar para iniciar transformações radicais em escala global para sustentar os níveis de produção e criar um novo sistema de distribuição de riqueza.
Professor de Sociologia na Universidade do Panamá e pesquisador associado do CELA. Coordenador do Grupo de Trabalho do CLACSO sobre Estudos dos Estados Unidos. https://marcoagandasegui2020.blogspot.com/
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