A batalha pela comunicação na América Latina do século XXI

 A batalha pela comunicação na América Latina do século XXI


Seminário 2517

Cadeira: CLASSO

Coordenação: Cesar Ricardo Siqueira Bolaño (Universidade Federal de Sergipe, Brasil) e Mauricio Andrés Herrera Jaramillo (Universidade Javeriana, Colômbia)

Home: 10/09/2025 | Inscrição: 30/05/2025 al 09/09/2025

Carga horária: 10 semanas – 90 horas.


Considerando os processos históricos recentes relacionados ao desenvolvimento da mídia de massa, que marcam a transição do sistema cultural global, organizado hoje em torno de empresas transnacionais proprietárias de plataformas digitais, que propostas alternativas para a inserção da comunicação na sociedade podemos construir a partir do Sul Global?

Esta questão é o ponto de partida deste seminário que, tomando como eixo central o livro Economia Política e Cultura: A Batalha da Comunicação na América Latina do Século XXI, de César Bolaño (2024), busca, por meio da discussão de uma bibliografia mais ampla do autor e de outras referências, dialogar sobre temas centrais como a relação entre cultura e desenvolvimento, a Indústria Cultural, o trabalho cultural, o trabalho intelectual, a reestruturação produtiva e, fundamentalmente, a reconfiguração do fator subjetivo, com o propósito de estabelecer um entendimento mínimo para a construção coletiva de ideias para a formulação de um projeto de ação comunicativa voltado para a recuperação das capacidades críticas e da organização dos trabalhadores, com o objetivo claro de transformação social.

A esquerda latino-americana, que liderou o processo conhecido como onda rosa no início dos anos 2000, enfrentou o problema da mídia, influenciada por longas lutas anteriores, promovendo mudanças legislativas (leis de mídia), rapidamente desmobilizada no momento da reação de direita que marcaria o desenvolvimento histórico do continente a partir dos processos de guerra jurídica iniciados com o golpe contra Manuel Zelaya (2009) em Honduras. Atualmente, a questão da comunicação está voltando com força devido à capacidade da reação de mobilizar os novos instrumentos de controle social das empresas proprietárias de plataformas digitais. A esquerda não conseguiu apropriar-se dos mecanismos interativos e de coordenação proporcionados pela economia da internet, os quais, no entanto, fazem parte de suas antigas reivindicações. Os sistemas de informação e comunicação estão no cerne da dinâmica capitalista atual. A tradição crítica latino-americana, que começou com estudos sobre cultura e desenvolvimento, seguida pelas chamadas teorias do imperialismo ou da dependência cultural, e se estende ao que hoje se define como economia política da comunicação, da informação e da cultura, frequentemente influenciou o pensamento comunicacional em nível internacional, como foi o caso dos debates em torno da nova ordem mundial da informação e da comunicação (NOICO) na década de 1980. Como propõe Enrique Dussel em sua leitura fundamental da Crítica da Economia Política, a tarefa agora é recuperar os fundamentos do pensamento de Marx na América Latina, a fim de compreender o mundo do século XXI e as possibilidades emancipatórias que se apresentam na configuração atual do capitalismo e em sua crise estrutural. Nesse sentido, considerando a desconexão entre as conquistas do pensamento crítico e marxista latino-americano no campo da comunicação, por um lado, e as políticas de comunicação adotadas pela esquerda continental nas últimas décadas – mais preocupadas com o marketing político do que com a comunicação como organizadora do poder popular de base, na melhor tradição leninista –, por outro, torna-se urgente retomar o debate e formular uma alternativa consistente para a ação política de longo prazo e reverter a vantagem que a direita e a extrema-direita obtiveram nessa área. Não se trata de subestimar o papel da propaganda na luta política, nem de deixar, como acontece atualmente, os instrumentos do que se pode definir como agitação e propaganda nas mãos da extrema-direita, nem de ignorar a importância de estabelecer mecanismos regulatórios que consolidem os progressos alcançados na comunicação. Mas a prioridade neste curso é discutir, em termos teórico-históricos, o aspecto essencial das funções organizacionais e da construção coletiva da consciência pela classe trabalhadora, que, para cumprir seu papel histórico, necessita de autonomia cultural – como aponta Furtado em um parágrafo bastante significativo no qual defende as formas de democracia direta dos movimentos ambientalistas da década de 1970 – o que implica a construção de seus próprios instrumentos de coordenação, não controlados pelo capital ou pelo Estado capitalista. Esse elemento essencial da comunicação é o que foi amplamente esquecido pela esquerda institucional, preocupada com a gestão do capitalismo durante todo o período neoliberal.

Objetivo geral

O objetivo geral do curso é apresentar, a uma massa crítica de estudantes e pesquisadores de comunicação, das áreas das ciências sociais em geral, incluindo a economia política, uma perspectiva teórico-histórica adequada à crítica e reconstrução das ferramentas e projetos de comunicação utilizados pela esquerda continental para organizar a luta dos trabalhadores na atual conjuntura de crise estrutural do sistema capitalista, que envolve uma profunda crise de hegemonia internacional, com impactos transcendentais no sistema global de cultura, informação, comunicação e na totalidade das relações sociais, da política e da economia.

Os objetivos específicos

  • Desenvolver uma análise histórica do desenvolvimento capitalista desde a crise estrutural da década de 1970, entendida em seu conjunto, a partir da perspectiva da crítica da economia política, tendo como eixo central a transição do sistema global de cultura e os processos relacionados à implementação do paradigma digital, seus determinantes e consequências para a constituição do atual modo de regulação e regime de acumulação, incluindo os impactos da Terceira Revolução Industrial e do neoliberalismo na configuração do fator subjetivo.
  • Apresentar os conceitos-chave da economia política da comunicação e da cultura latino-americana, com ênfase naqueles que constituem a teoria marxista da comunicação desenvolvida no âmbito da escola brasileira, que pode servir para estruturar um pensamento e uma práxis libertadores, a serviço da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e do povo.
  • Promover a formação de uma rede de jovens pesquisadores capazes de desenvolver o pensamento crítico e construtivo sobre as políticas de comunicação da esquerda latino-americana e as limitações de seus projetos no campo da comunicação social e da comunicação popular.
  • Produzir coletivamente, conforme explicado nas informações adicionais abaixo, um diagnóstico preliminar do problema de comunicação a partir da perspectiva teórico-histórica proposta no seminário.
  • Autonomia cultural
  • Comunicação, cultura e capitalismo
  • Colonização do tempo livre, trabalho cultural e hegemonia
  • Trabalho intelectual, revoluções industriais e subsunção
  • Reestruturação produtiva e a atual reconfiguração do fator
  • Substituição do trabalho intelectual e a superação do capitalismo
  • A internet e a nova mudança estrutural na esfera pública
  • Bolaño, C. (1997). A gênese da esfera pública global. Nova Sociedade, Caracas. (147).
  • Bolaño, C. (2015). O conceito de cultura em Celso Furtado. Salvador: EDUFBA. - capítulo 3: Crítica da civilização industrial.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina do século XX. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo 2. p. 35-44.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo III. p. 45-54.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo IV. p. 55-61.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina do século XX. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo V. pp. 63-71.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo VI. p. 73-84.
  • Bolaño, (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo VII. p. 85-96.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Capítulo VIII. p. 97-106.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina no século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, Capítulo IX. p.107-116.
  • Bolaño, C. (2024). Economia Política e Cultura. A batalha da comunicação na América Latina do século XXI. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Quito: CIESPAL, 2024 - Conclusões. p. 117-124.
  • Bolaño, C. (2025). Proletarização do trabalho intelectual na era das plataformas digitais. Contribuição de Mandel. [Ainda não publicado]
  • Bolaño, C. Trabalho intelectual, comunicação e capitalismo: uma reconfiguração do fator subjetivo na atual reestruturação produtiva. Revista Brasileira de Economia Política, Rio de Janeiro, nº 11.
  • Bolaño, C., Motta, J., & Santos, A. (2015). Introdução à segunda edição. In: Brittos, V. & Bolaño, C., Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia. São Paulo: Barão de Itararé.
  • Bolaño, C.; Martins, H. Por uma crítica da economia política das plataformas digitais: configurando a nova estrutura de mediação social na transição do sistema cultural global e suas características. [No prelo. Existe uma versão preliminar em português]
  • Foucault, M. (1994 [1976]). Uma função política e intelectual. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, p. 213-219.
  • Furtado, C. (1978). Criatividade e dependência na civilização industrial - capítulo 8: Em busca de uma visão global.
  • Musse, R. (2016). Administração de tempo livre. Lua Nova, São Paulo. 99, 107-134.
 

Inscrições antecipadas (até 03/09)

Inscrições gerais (6 a 09 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados

85 USD

150 USD

Sem link

105 USD

190 USD

Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso com desconto, sem custo algum. Sala de aula CLACSOAcesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.

Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.

O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de bibliografia obrigatória, bibliografia complementar, fóruns de discussão e atividades de formação propostas pela equipe docente, trabalhos parciais e um projeto final.
O curso é online e assíncrono. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre os instrutores e os alunos para garantir a participação de todos. A presença nas sessões síncronas não é obrigatória.
Para ser aprovado no seminário, você deve participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos professores, ter concluído as entregas parciais programadas e ser aprovado no trabalho final.

 

Inscrições antecipadas (até 03/09)

Inscrições gerais (6 a 09 de maio)

Centro de Membros Plenos ou Associados

85 USD

150 USD

Sem link

105 USD

190 USD

Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso com desconto, sem custo algum. Sala de aula CLACSOAcesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito ou transferência bancária.



Consultas: [email protected]