Julieta Kirkwood, feminismo e socialismo latino-americano
Na segunda-feira, 6 de abril, CLASSO e o Diploma em Pensamento Crítico Latino-Americano pela Universidade do Chile Eles se lembraram Julieta KirkwoodNo dia do seu nascimento, destacando seu legado através das vozes das feministas latino-americanas.
Participantes: Dora Barrancos (Argentina), Montserrat Sagot (Costa Rica) e Daniela Osório (Chile)
Moderado: Elisa Franco (Chile)
Julieta Kirkwood Bañados (1936–1985) consolidou-se como figura fundamental na reformulação do feminismo chileno durante as décadas de 1970 e 1980, vinculando sistematicamente a reflexão acadêmica à ação política. Formada pela Universidade do Chile e influenciada pelas mobilizações sociais e políticas de sua época, seu pensamento ganhou maior profundidade no contexto da ditadura militar, onde a repressão e a censura revelaram as limitações de uma democracia excludente. A partir dessa perspectiva, Kirkwood formulou uma tese central que permeou sua obra e seu ativismo: a impossibilidade de uma verdadeira democracia sem a participação ativa das mulheres, sintetizada em sua célebre declaração: “Não há democracia sem feminismo”. Sua produção intelectual — expressa em obras como Ser Política no Chile, Tecendo Rebeliões e Feminários — não apenas contribuiu para fornecer uma linguagem crítica ao feminismo latino-americano, mas também propôs categorias analíticas como os “nós” do poder e os lugares de enunciação, que possibilitaram questionar as estruturas hierárquicas tanto na esfera política quanto na cultural.