Primeiro Encontro da Rede Brasileira de Pesquisa em Cuidados

Entre 24 e 26 de junho de 2026, o “Primeiro Encontro da Rede Brasileira de Pesquisa em Cuidados"promovido por Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e o Combate à Fome (MDS) do Brasil, por meio de seu Secretaria Nacional de Políticas de Assistência e Família (SNCF) e que tinha a aliança do Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e o apoio de Banco Interamericano de Desenvolvimento (LICITAÇÃO).

Nesse quadro, o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais Desempenhou um papel estratégico fundamental, consolidando-se como uma das principais pontes de articulação regional e acadêmica, com presença representativa da Rede de Karina Batthyany, Professor Titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República (UdelaR) do Uruguai e ex-Diretor Executivo do CLACSO, que, juntamente com Nadya Araujo Guimarães Do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo e pesquisador associado do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), analisam-se as reuniões no podcast a seguir.




Entre outros conceitos, Nadya Araujo Guimarães Ela compreende que “a mera existência de uma rede nacional de pesquisa é uma conquista muito importante para a área do cuidado no Brasil”, destacando a importância de “essa rede nacional envolver não apenas pesquisadores universitários, mas também a pesquisa e a produção de resultados que ocorrem em ONGs, agências governamentais de pesquisa, instituições do terceiro setor e movimentos sociais organizados; ou seja, trata-se da produção em larga escala de conhecimento sobre as diferentes dimensões da questão do cuidado”.

Ele acrescentou que “o conhecimento é um produto compartilhado, um produto de múltiplos atores, e a horizontalidade e o respeito mútuo são cruciais”. Concluiu que “este será o desafio nos próximos anos, em que queremos que a rede se fortaleça, se institucionalize e alcance a autonomia”.


Na sua vez, Karina Batthyany Ela destacou “os temas abordados durante este encontro, que se referem consistentemente à necessária colaboração entre atores acadêmicos, aqueles que atuam em políticas públicas e organizações e movimentos sociais para consolidar a agenda do trabalho de cuidado e promover medidas e políticas concretas que transformem a distribuição injusta do cuidado no Brasil. Essa questão, como sempre defendemos, é absolutamente crucial porque sabemos que a colaboração desses três atores é fundamental para avançar as mudanças que queremos alcançar. E essa tem sido uma das conquistas mais significativas na América Latina e no Caribe: primeiro, dar nome ao que era inominável, demonstrando que sem o trabalho não remunerado de milhões de mulheres, a economia não poderia funcionar um único dia, e que a chamada economia produtiva se baseia justamente em uma economia reprodutiva invisível que a sustenta. E esse ato de nomear, antes de tudo, teve consequências muito importantes, porque nomear, tornar visível, é um primeiro passo para a transformação. A transformação dessa realidade injusta.”


Fotos: Henrique Barrios